J-Hope e RM, do BTS, geram repercussão após aparecerem ao lado de Chris Brown
Durante turnê mundial, integrantes do BTS assistiram apresentação do artista acusado de agressão e geraram debate sobre coerência com mensagens do grupo nas redes
J-Hope e RM, integrantes do BTS, compareceram ao show de Chris Brown e Usher em Toronto na madrugada de quinta-feira (13), gerando reações dividas entre fãs do grupo sul-coreano. Os registros compartilhados nas redes sociais alimentaram uma polêmica sobre a consonância da atitude com os valores que o grupo defende publicamente. A dupla estava no Canadá após se apresentar em Baltimore como parte da turnê mundial ARIRANG.
A controvérsia intensificou-se porque Chris Brown possui histórico criminal: foi condenado por agredir Rihanna após festa pré-Grammy em 2009. O casal namorou de 2008 a 2009, se reaproximou em 2012 e terminou novamente em 2013. O debate nas redes ganhou proporções globais, com comentários em vários idiomas e o tema em alta no X (antigo Twitter), atingindo especialmente a base feminina da audiência de K-Pop.
J-Hope e RM do BTS curtem show de Chris Brown (Vídeo: reprodução/Instagram/@uarmyhope)
A repercussão entre as fãs
O público feminino representa 86,8% do fandom de K-Pop, conforme apontam dados da Billboard Brasil. Esse dado contextualizou críticas de seguidoras que questionavam a mensagem enviada quando ídolos com discurso de empatia e respeito prestigiam artistas com acusações de violência contra mulheres.
Uma fã comentou em espanhol:
“Me custa muitíssimo entender isso. O BTS construiu grande parte da sua carreira falando de amor próprio, respeito, empatia e de valorizar as pessoas, mas aparentemente esses valores ficam apenas nas músicas quando se trata de aplicá-los na vida real”
Outra seguidora foi além, criticando a exposição pública da presença:
“Imagina seu público ser majoritariamente mulheres e você ir a um show de um agressor e misógino, e ainda por cima postar nas redes sociais? O chapisco que estão levando é mais que merecido”
Algumas fãs também expressaram desapontamento pessoal com a situação: “É muito decepcionante, como mulher, ver os artistas que eu gosto apoiando um cara abertamente abusador”. Nem todos concordaram com as críticas; alguns defensores de J-Hope e RM argumentaram que não se deve reduzir o caráter de uma pessoa a uma ação isolada, embora a polarização tenha predominado nas discussões.
Sou fã do BTS, mas antes de ser fã, sou mulher. Não vou fechar os olhos nem compactuar com a escolha de RM e J-Hope de prestigiarem um homem com histórico de violência contra mulheres. Amar meus artistas não significa concordar com tudo. Fã também pode se posicionar. pic.twitter.com/Thc4n75IJ7
— LylyKookmin (@Lilian40758397) August 13, 2026
J-Hope e RM, do BTS, geram polêmica (Foto: reprodução/X/@Lilian40758397)
O contexto de Usher, Chris Brown e Diddy
V e Jungkook, outros membros do BTS, intensificaram o debate ao fazer transmissão ao vivo no Weverse após o evento de Toronto. Durante a live, elogiaram músicas de Chris Brown, cantando e dançando faixas como New Flame (2014) e Loyal (2014).
No documentário Welcome to My Life (2017), Chris Brown descreveu pessoalmente o episódio de violência:
“Lembro que ela tentou me chutar e daí eu realmente a acertei, com o punho fechado, dei um soco nela. Acertei o seu lábio. Quando eu vi, entrei em estado de choque”
Usher, que dividiu o palco com Chris Brown em Toronto, também enfrentou críticas após anunciar a turnê. O artista havia defendido publicamente o legado de Diddy, seu mentor, em um momento onde o produtor recebeu sentença de quatro anos de prisão por participação em rede de tráfico sexual de mulheres e enfrenta mais de 120 acusações incluindo estupro, abuso sexual e exploração. O encadeamento de polêmicas amplificou o questionamento sobre quais mensagens ficam para fãs quando artistas com discurso de dignidade aparecem em eventos envolvendo pessoas acusadas de violência.
