Veja os motivos que levaram Kylie Jenner a usar a peça milionária da Victoria’s Secret após as controvérsias

Diretor criativo da marca defende escolha, apontando influência cultural de Kylie, enquanto críticos questionam a falta de experiência dela em passarelas

19 out, 2026
Kylie Jenner | Reprodução/Instagram/@kyliejenner
Kylie Jenner | Reprodução/Instagram/@kyliejenner

Kylie Jenner desfilou no Victoria’s Secret Fashion Show usando o lendário ‘Fantasy Bra’ neste domingo (18), durante o evento realizado no Sony Pictures Studios, em Culver City, na Califórnia. A escolha dividiu opiniões online, com internautas questionando por que uma profissional sem experiência em passarela recebeu a peça que as modelos veteranas da marca levam anos para usar.

O ‘Fantasy Bra’ é tradicionalmente vestido pelas ‘Angels’ da Victoria’s Secret e representa um marco na carreira de quem o veste. Adriana Lima aguardou nove anos para ganhar essa honra. Alessandra Ambrósio precisou de onze anos. Kylie nunca havia participado de uma passarela antes desta apresentação.

A justificativa do diretor criativo

Adam Selman, responsável pela direção criativa da Victoria’s Secret, explicou à revista Vogue os motivos que levaram a marca a escolher Kylie. Segundo ele, a decisão se baseou no impacto cultural que ela exerce em múltiplos campos: “Kylie transcende a moda, a cultura, a televisão; ela vai muito além de uma única esfera. É exatamente a mesma coisa que nós fazemos. O desfile é grandioso, é entretenimento puro, e eu acredito que ela funciona como um grande catalisador para isso”, declarou Selman.


Kylie Jenner (Foto: reprodução/Dimitrios Kambouris/Getty Images Embed)


O diretor criativo complementou que Kylie criou sua própria cultura e que isso merecia reconhecimento. Para ele, colocar a peça em um talento inesperado com legião massiva de seguidores era uma estratégia inovadora: “Ela criou, de fato, a própria cultura. Quantas pessoas podem dizer isso? Acho que é uma combinação interessante que estamos oferecendo aos fãs: entregamos o que eles desejam com este incrível ‘Fantasy Bra’, e o colocamos em um talento inesperado, que possui uma legião imensa de seguidores e um impacto cultural gigantesco. Eu acho divertido. E é algo muito alegre, e é bacana celebrar de uma maneira diferente, que as pessoas não esperariam”, justificou.

Críticas e perspectivas sobre a mudança

Especialista em redes sociais e marketing, Joel Marlinarson avaliou para a BBC que a decisão foi bem planejada e gerou grande repercussão. Segundo o analista, o público jovem mantém conexão forte com Kylie pelo acompanhamento nas plataformas digitais e reality shows. Porém, segmentos da audiência que vivenciaram a “era icônica de Naomi Campbell na moda” podem encarar a escolha como afastamento dos padrões tradicionais: “É claro que Kylie representa uma nova era de celebridades, em que as marcas priorizam quem atrairá mais olhares, em vez de quem se encaixa no padrão tradicional de modelo”, observou Marlinarson.

A modelo britânica Summer Nesbeth, de 25 anos, concordou que a estratégia reflete a força das redes sociais no atual cenário. “Ela é uma influenciadora com muita força, e vivemos na era das redes sociais”, afirmou à BBC. Porém, ela também questionou as prioridades culturais do momento ao refletir sobre desigualdades sociais: “Tem gente que não tem o que comer, gente que não tem condições de pagar a conta de luz”, refletiu.

Os detalhes da peça mais cara da história

O ‘Fantasy Bra’ desta edição estabeleceu um recorde. Conforme informou a revista Vogue, a peça está avaliada em 50 milhões de dólares, aproximadamente 253 milhões de reais, tornando-a a versão mais cara já produzida pela marca.

A criação contou com colaboração da joalheria Jacob & Co. e foi decorada com 4.410 diamantes. O destaque fica para o diamante central amarelo, que pesa 75,54 quilates e é avaliado em 22 milhões de dólares. O trabalho demandou mais de mil horas de artesãos e pesa pouco menos de 1,8 quilograma.

O desfile da Victoria’s Secret havia sido descontinuado após 2018 devido à queda de audiência e críticas relacionadas a sexismo e falta de diversidade. O evento retornou em 2024 com proposta de celebrar todas as mulheres.

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