Leticia Colin fala sobre novo papel, revela mensagem de Glória Pires e comenta nudez

Em entrevista, atriz comenta reconhecimento de veterana que legitimou seu trabalho e fala sobre nudez em “Jogada de risco”

30 set, 2026
Leticia Colin I Reprodução/Instagram/@leticiacolin
Leticia Colin I Reprodução/Instagram/@leticiacolin

Leticia Colin revelou em entrevista ao videocast Conversa vai, conversa vem que recebeu uma mensagem de Glória Pires durante a novela Todas as Flores que a deixou surpresa. A veterana escreveu para ela durante as gravações, trazendo um reconhecimento que Colin nunca havia recebido de forma tão direta de uma referência da teledramaturgia brasileira.

“Gosto muito do seu estilo”.

A mensagem de Glória Pires chegou num momento em que Colin ainda questionava a si mesma. A atriz estava no papel de Vanessa em Todas as Flores quando recebeu o elogio da experiente atriz, que é referência histórica do estereótipo da mocinha na teledramaturgia brasileira. O reconhecimento não era para ser esquecido.

“Eu tenho um estilo? Assim, eu posso ter um estilo?”, pensou Leticia Colin ao receber a mensagem. Aquilo a chocou, no sentido de que validava algo que ela vinha intuindo sobre seu próprio trabalho, mas ainda duvidava de forma consciente. O elogio de Glória Pires funcionou como espelho e confirmação simultaneamente.

O impacto do reconhecimento

Desde então, Colin passou a confiar mais em suas escolhas dentro do trabalho. O aval de uma atriz que marcou gerações a legitimou numa direção própria, longe de estereótipos esperados. Ela começou a fortalecer a confiança nas próprias intuições dramatúrgicas e a acreditar que seu estilo não era erro, mas construção deliberada.

“Mas eu prefiro o exagero à mesmice”.

Essa filosofia marca o trabalho de Colin hoje. Ela acredita que ninguém erra do jeito que ela erra, e faz pacto com o erro como ferramenta dramatúrgica, não como fracasso. O reconhecimento de Glória Pires ajudou a sustentar essa postura com segurança.

Atualmente, Colin interpreta Adriana em Quem ama cuida. A mocinha de 2026 é diferente daquela que Glória Pires representava em 1980. Hoje, o estereótipo se transformou. A personagem sente raiva, se coloca politicamente, pisa na bola, falha de forma consequente.

“É uma honra fazer parte dessa trajetória que se reinventa. O pau está comendo lá fora, a mocinha não pode pensar e agir da mesma maneira que em 1980”.

A mocinha contemporânea fala de feminismo, transformação social, liberdade, sexualidade e justiça. Colin entende que o estereótipo não desapareceu, mas evoluiu. O personagem quer o que é bom para si e, ao mesmo tempo, se preocupa com o coletivo. Não é mais aquela figura passiva de décadas atrás.


Leticia Colin conta como será a mocinha de 2026 e revela mensagem de Glória Pires (Vídeo: reprodução/YouTube/@@jornaloglobo)


Complexidade em “Jogada de risco”

Essa busca por personagens multifacetados a levou a Jogada de risco, série do Globoplay onde interpreta Rita, uma ex-prostituta de luxo. O personagem está longe de qualquer mocinha tradicional, marcado por contradições e desejos conflitantes. Rita exige máxima complexidade na construção.

Colin procura inebriar o espectador de possibilidades quando trabalha um personagem. A série aborda sexo e desejo de forma frontal, sem moralismo. Para a atriz, isso exige maturidade tanto dela quanto do público. Nudez feminina e masculina aparecem na produção dirigida por Bruno Safadi, e Colin não se preocupa em ser julgada pelo corpo.

Ela nega qualquer hierarquia entre seio e lágrima, entre corpo e emoção. Ambos são lugar de dedicação e exposição integral. Colin coloca tudo horizontalmente na mesma bandeja dramatúrgica. Quando atua uma cena sensível, não diferencia o instrumento emocional do instrumento corporal.

A ficção, para Colin, trabalha para reconstruir imaginário. O mundo foi bombardeado por pornografia, e cabe à narrativa mostrar o ser humano sem performar para câmeras de exploração. A cena de Rita tendo prazer mostra uma mulher livre vivendo seu desejo, não uma mulher sendo desejada. Essa distinção marca a abordagem de Colin no trabalho com corpo e emoção, uma construção dramatúrgica integral que ela entrega ao público sem divisões.

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