Lula e Flávio Bolsonaro marcam presença em celebrações religiosas no feriado de Aparecida
Celebrações religiosas ocorrem em clima de tensão política, com críticas do presidente ao desrespeito entre fés e preocupações de lideranças católicas
Em Brasília, nesta segunda-feira (12), Lula participou de missa na capela do Palácio da Alvorada enquanto Flávio Bolsonaro comparecia a eventos no Dia de Nossa Senhora Aparecida. O senador esteve acompanhado do candidato a vice Alfredo Gaspar na Catedral Metropolitana de Brasília. Geraldo Alckmin e Alexandre Padilha, por sua vez, visitaram o Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo.
Crítica à intolerância religiosa
Lula aproveitou a ocasião para criticar religiosos que desrespeitam convicções alheias. De acordo com o presidente, em uma democracia ninguém é forçado a adotar qualquer fé. Alckmin reforçou o tema ao gravar vídeo nas redes sociais a caminho do santuário, orando pela saúde do papa Leão XIV, que se submeterá a cirurgia para remover nódulo no pulmão.
Nossa Senhora Aparecida representa a fé, a esperança e a devoção de milhões de brasileiros.
O Brasil é um país de muitas crenças, e todas merecem respeito. Respeitar a fé do outro é também respeitar a nossa democracia.
Que Nossa Senhora Aparecida abençoe o Brasil e que nunca nos falte fé, amor e respeito ao próximo.
— Lula (@LulaOficial) October 12, 2026
Lula defendeu o respeito entre diferentes crenças (Vídeo: reprodução/X/@LulaOficial))
Disputa eleitoral e tensões com católicos
A solenidade de outubro coincide com episódios que causaram incômodo entre lideranças católicas. Em agosto, Flávio Bolsonaro declarou que, se presidente, decretaria que o “Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala gerou desconforto entre fiéis da Igreja Católica.
Em setembro, associações nas redes e na imprensa ligaram o senador a uma proposta que modificaria o título de Nossa Senhora Aparecida. Flávio refutou envolvimento. A iniciativa, de autoria do então deputado Professor Victório Galli em 2007, foi arquivada doze anos depois. Previa substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O Tribunal Superior Eleitoral mandou remover publicações sobre o assunto.
Enquanto Lula, oportunista, católico por conveniência, contrata influencer que se transforma em demônio e exige, aos gritos, o fechamento de igrejas; Flávio, autêntico cristão, vai à Missa de Nossa Senhora Aparecida, em Brasília, para pedir a Deus pelo Brasil. O povo cristão, evangélico e católico, está vendo a diferença e saberá fazer a escolha certa no dia 25, com a graça do Deus Altíssimo.
— Sérgio Camargo (@CamargoDireita) October 12, 2026
Flávio Bolsonaro vai à Missa de Nossa Senhora Aparecida em Brasília (Vídeo: reprodução/X/@CamargoDireita)
Histórico de ataques à Igreja
O desconforto de bispos e comunidades católicas com agressões da extrema direita é anterior à campanha. Segundo relatório da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, houve 58 ataques de grupos de direita à Igreja Católica em um período de oito anos anterior à divulgação do documento.
Dom Geraldo Maia, bispo de Araçuaí (MG), defendeu a integridade das tradições católicas e recusou interferência estatal em assuntos de fé. Para o religioso, o poder público não deve intrometer-se em questões de crença e patrimônio cultural.
“Não precisa nenhum poder civil fazer esse tipo de declaração ou retirar alguma coisa da fé, da história, da cultura do nosso povo, porque a religião não está ligada à legislação de Estado; a religião está ligada à fé e às tradições”
Dom Geraldo ressaltou a dimensão social da padroeira na fé popular. “Ela tem um lado, que é o lado dos oprimidos; ela está do lado das pessoas sofredoras da história até os dias de hoje”, afirmou. Para ele, qualquer ataque à imagem da padroeira representa um ferimento histórico, cultural e religioso.
