Marcelle Bittar detalha o terror durante a tragédia do 11 de setembro e o desespero para conseguir voltar para casa
Em vídeo no TikTok, a modelo de 44 anos descreve o desespero dos momentos após os ataques, quando estava no auge da carreira na Semana de Moda
Marcelle Bittar relembrou a experiência de viver o atentado de 11 de setembro em Nova York, que completou 25 anos nesta sexta-feira (11). A top model estava no auge da carreira durante a Semana de Moda quando as torres caíram. Em vídeo postado no TikTok, a modelo de 44 anos detalhou o desespero dos dias seguintes, segundo a Revista Quem.
A noite antes
No dia 10 de setembro, Marcelle desfilou para Marc Jacobs. Após o desfile, houve uma festa onde ela vivia um momento profissional extraordinário. Lotada de compromissos com as marcas mais importantes, a modelo estava no topo de sua carreira em Nova York. “A cidade estava supermovimentada. Estava todo mundo indo para cima e para baixo, fazendo prova de roupa, indo para desfile, pegando metrô, indo e voltando”, contou Marcelle.
No final da noite, dividiu um táxi com um rapaz que a levou para casa. Ela descreveu o momento como “fechar a noite perfeita”. Marcelle adormeceu com um sorriso no rosto, satisfeitíssima com tudo que estava vivendo.
O dia 11
No início da manhã de 11 de setembro, o telefone começou a tocar desesperadamente. Era seu agente gritando “É guerra, é guerra!”. Quando ligou a televisão, ficou em choque. O céu estava azul, sem uma nuvem, formando um contraste brutal com as cinzas e a fumaça que tomavam conta da cidade.
Marcelle morava com a modelo Carol Bittencourt e tentava falar com ela, preocupada porque Carol havia saído. Quando Carol voltou para casa, o segundo avião atingiu as torres. O desespero já existente se multiplicou. Assistiram tudo ao vivo pela televisão, impotentes.
As modelos Mariana Weickert e Luciana Curtis, que moravam bem perto do World Trade Center, não conseguiram ser contatadas inicialmente. Marcelle e Carol ficaram muito preocupadas, mas conseguiram falar com elas depois. Todos se reuniram no apartamento de Marcelle e Carol buscando proteção.
@marcellebittar 11 de setembro, ataque no World Trade Center, semana de moda de NY e eu estava lá. 😢 #backstage #vidademodelo #worldtradecenter ♬ som original – marcellebittar
Marcelle Bittar (Vídeo: reprodução/TikTok/@marcellebittar)
A fuga
Tinham medo de tudo: do céu, de um míssil, de outro avião. Os apartamentos ficavam em andar alto, aumentando o pânico. “Eu tentava falar com a minha família, mas os telefones não estavam funcionando. Era um caos, um desespero”, relembrou Marcelle. Queriam ficar juntos, todos protegidos um do outro.
Só uma coisa ocupava a mente de Marcelle: voltar para o Brasil. “Só pensava em voltar para casa. Só isso”. Não havia voos disponíveis, tudo estava fechado. Depois ficaram sabendo de um voo, o primeiro que sairia para o Brasil.
Mariana e Luciana precisavam buscar os passaportes no apartamento delas, que ficava ao lado das torres. Desceram a pé, todos juntos. Havia uma barreira da polícia, mas pediram para pegar os documentos e foram liberados. “Estava tudo destruído. Era uma cena de terror”, relatou Marcelle.
Quando subiram no apartamento de Mariana e Luciana para pegar os passaportes, começou o aviso para evacuar toda a região. Havia risco de desabamento dos prédios. Saíram correndo, no desespero, sem saber para onde ir. Mariana e Luciana conseguiram embarcar no primeiro voo de volta ao Brasil.
Marcelle não conseguiu estar nesse voo. Sua agência não a deixou voltar. A Semana de Moda continuava em Nova York, ainda que em formato reduzido. Os desfiles não foram grandiosos como planejado, acontecendo em apresentações nos showrooms das marcas. Ela tinha compromissos com Calvin Klein, Narciso Rodriguez, Donna Karan e Michael Kors. Precisou ficar e cumprir os compromissos.
Depois de Nova York
Após terminar os desfiles em Nova York, Marcelle seguiu para Milão, depois para Paris. Só depois conseguiu voltar para casa. O voo de Nova York para Milão foi marcado pelo desespero. Qualquer barulho deixava todo mundo tenso. Qualquer movimento estranho causava tensão, qualquer gesto inesperado amplificava o medo.
“Não vou esquecer disso nunca na vida. Acho que ninguém vai”, afirmou Marcelle. Quando você está lá vivendo aquilo, segundo ela, fica muito mais forte. O relato causa arrepios só de falar sobre. A experiência deixou marcas profundas que a acompanham até hoje.
