Marina Ruy Barbosa fala sobre crescer diante do público e faz desabafo

Atriz com 23 anos de carreira fala à revista Marie Claire sobre imagem pública, escolhas de vida e personagens que a desafiam após mais de duas décadas na profissão

01 set, 2026
Marina Ruy Barbosa | Reprodução/Instagram/@marinaruybarbosa
Marina Ruy Barbosa | Reprodução/Instagram/@marinaruybarbosa

Marina Ruy Barbosa concedeu entrevista à Marie Claire aos 31 anos para falar sobre trajetória, identidade e a dificuldade de desconstruir rótulos estabelecidos ao longo de mais de duas décadas na profissão. A atriz reflete sobre papéis recentes como Suzane von Richthofen em Tremembé e Inês em Antártida, filme que estreia em 17 de setembro com elenco que inclui Lázaro Ramos, Andrea Beltrão e Leandra Leal.

Desde criança, Marina viu sua imagem ser discutida e moldada em espaço público. Essa exposição constante a levou a buscar lugares onde pudesse simplesmente existir, longe do julgamento alheio. Para lidar com os impactos dessa realidade, recorre à terapia, espaço onde consegue ser autêntica sem performance ou adequação ao que esperam dela.

O trabalho de desconstruir

Após mais de duas décadas atuando, Marina busca complexidade e ruptura. Quer que o público se surpreenda quando vê seu nome em um projeto, questionando a imagem cristalizada que carrega dela. Os dois papéis recentes exemplificam essa busca: Suzane von Richthofen é uma mulher manipuladora e calculista, enquanto Inês é uma cientista vibrante, curiosa e cheia de energia.

Para viver Suzane, Marina enfrentou um desafio específico. Como se trata de um caso real e conhecido, precisava manter distância entre seu julgamento pessoal e as motivações da personagem. Essa separação foi fundamental para construir a mulher com autenticidade, sem deixar que suas próprias convicções morais interferissem no trabalho.

“Para interpretar Suzane, eu precisava tirar meu julgamento pessoal sobre o que ela fez”.


Marina Ruy Barbosa (Foto: reprodução/Instagram/@marieclairebr)


Antártida e os temas atuais

O filme que chega aos cinemas em 17 de setembro trata do trauma de forma diferente. Inês é glaciologista, profissão que reflete seu propósito de vida: estudar mudanças climáticas e compreender processos naturais do planeta. Marina construiu essa mulher como alguém radiante, livre e expansivo.

Mas a narrativa muda quando Inês vivencia uma situação traumática na primeira noite de uma recepção. A partir desse momento, ela enfrenta um abismo emocional que a acompanha pelo resto da trama. Marina não quis transformá-la apenas em vítima. Sim, ela é vítima de algo que lhe aconteceu, mas é muito mais que isso. Trabalhou a força que Inês precisa reunir para se reencontrar, sua capacidade de resistência e reconstrução.

Antártida aborda questões contemporâneas. Abuso, relacionamento tóxico, sinais de alerta, feminicídio: hoje conseguimos nomear o que antigamente se ignorava. O filme traz entretenimento, mas também reflexão sobre essas questões que tocam a vida de muitas mulheres.

O espelho e as transformações

Com os anos, Marina aprendeu a se olhar com menos rigidez. Seu corpo, rosto e cabelo mudam. Ela muda. E continuará mudando conforme envelhece. As transformações fazem parte de estar vivo, e Marina vê beleza nisso, não defeito. Muito tempo se passa tentando congelar uma versão de si mesmo, lutando contra algo inevitável.

Os comentários na internet afetam, seria desonesto negar. Mas Marina desenvolveu ferramentas para escolher o que merece permanecer em seu mundo emocional e o que não merece. Entende que nem tudo exige resposta. Durante muito tempo sentiu-se obrigada a refutar mentalmente cada crítica, cada opinião dirigida a ela. Agora reconhece que a opinião de alguém nem sempre necessita resposta. Às vezes reflete apenas a vida de quem fala, não a dela.

Maturidade em seus focos

Aos 30 anos, Marina começou a pausar e avaliar suas prioridades. Aos 31, esses ajustes continuam. Reconhece mais rapidamente o que faz sentido e o que não faz em sua vida. Tem menos necessidade de justificar algumas escolhas e mais vontade de arriscar por si mesma, por seus desejos e vontades pessoais. Os personagens que escolheu recentemente são mulheres que encontram essa clareza e segurança.

Vida além dos holofotes

Fora do trabalho, Marina se descreve como uma jovem idosa de alma em certos aspectos. Sua válvula de escape é a natureza, lugar onde se reconecta consigo longe das câmeras e expectativas públicas. Cantar também é terapêutico: entre amigos, é a rainha do karaokê, num espaço onde a diversão é genuína e descomprometida.

Vive um dia por vez, hora por hora. É organizada, gosta de saber o que acontece ao seu redor, mas não cultiva a ilusão de controlar tudo. Sua rotina muda conforme os trabalhos que assume. Às vezes tem mais controle sobre sua vida profissional que a pessoal, e às vezes sente que deve um pouco de algum lado.

O que espera de um relacionamento

Marinn construiu sua carreira, patrimônio e identidade própria. Tem orgulho disso e não precisa de ninguém para acrescentar essas coisas. O que se constrói sozinha, ninguém tira. Por isso, sua visão sobre relacionamento é bem definida.

O amor precisa ser um lugar de encontro, não de preenchimento. Ela precisa estar preenchida de si mesma para ser boa para outra pessoa. Não acha saudável entrar em uma relação esperando que alguém complete o que falta. A ideia que valoriza é a de duas pessoas inteiras escolhendo compartilhar a vida.

“Uma relação que cabe na minha vida é aquela em que não preciso diminuir nenhuma parte de mim para que funcione”.

Valoriza parceria, admiração, respeito pela individualidade do outro. Mas acima de tudo, valoriza paz. Uma relação sem paz, por mais paixão que tenha, não cabe na vida de Marina.

Planos de maternidade

Marinna tem muita vontade de ser mãe e formar uma família. É um desejo antigo, mas decidiu priorizá-lo de forma consciente. Aos 20 e poucos anos, enfrentou pressão para ter filhos que gerou desentendimentos com um ex. Tentou explicar que se considerava jovem demais, que queria aproveitar sua fase profissional, mas não recebeu apoio nessa decisão.

Hoje tem clareza de que não pretende esperar mais uma década para viver essa experiência. A maternidade é parte importante de seus planos futuros, mas em tempo e termos que façam sentido para ela, não para atender expectativas alheias.

Perspectiva sobre a vida

Conforme amadurece, Marina compreende visceralmente que a vida não é garantida. Isso muda completamente sua forma de olhar para as coisas pequenas e grandes. Tem mais consciência do privilégio de estar aqui com saúde, trabalhando com aquilo que ama, rodeada de pessoas que realmente a conhecem.

“Crescer diante do público pode ser muito duro, muito confuso, muito cruel”.

Essas pessoas ao seu lado sabem o que a faz realmente feliz. Conhecem Marina além da tela, além do personagem que interpreta no momento. E isso, para ela, é parte importante da gratidão que sente pela vida que construiu.

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