Marta responde críticos sobre aposentadoria: “Conheço minha capacidade melhor que ninguém”

Com 132 gols pela Seleção, a número 10 defende que só ela sabe quando parar e segue com os olhos na Copa do Mundo Feminina de 2027

04 ago, 2026
Marta | reprodução/Instagram/@martavsilva10
Marta | reprodução/Instagram/@martavsilva10

A maior artilheira da Seleção Brasileira, Marta descarta pressões externas sobre quando encerrar sua carreira. Em declarações recentes, a jogadora afirma ter total domínio sobre as próprias escolhas e rejeita críticas de quem questiona seu tempo de aposentadoria.

“Sei dos meus limites, mas sei também da minha capacidade. E é por isso que estou jogando até hoje”, respondeu Marta em entrevista.

A atleta, que mantém a atenção voltada para a Copa do Mundo Feminina de 2027, prefere agir conforme sua própria avaliação de desempenho e disposição física. Questionada sobre quando parará, ela responde com desafios diretos aos críticos: “Você conhece minha trajetória? Você me acompanha todos os dias? Você sabe o quanto me cuido?”.

Uma carreira feita de prêmios e sacrifício

Marta foi eleita seis vezes melhor jogadora do mundo pela Fifa, sendo cinco prêmios consecutivos entre 2006 e 2010. Seu currículo também inclui três medalhas de prata nos Jogos Olímpicos (Atenas 2004, Pequim 2008 e Paris 2024), dois títulos nos Jogos Pan-Americanos (2003 e 2007), quatro campanhas vitoriosas na Copa América (2003, 2010, 2018 e 2025) e uma vice-campeonato mundial em 2007. Com 132 gols marcados, ela é a maior artilheira da história da Seleção Brasileira.

Apesar dessa coleta impressionante de troféus e reconhecimentos, Marta deixa claro que trocaria tudo por algo que ainda não conquistou. “Se pudesse, trocaria todos os meus títulos individuais por um coletivo, porque sei que isso é importante para as meninas da Seleção, para o nosso país, para o povo brasileiro”, declarou. A ausência de ouro olímpico não a frustra; pelo contrário, ela vê seus feitos como combustível que impulsionou o futebol feminino no Brasil.


Marta em uma entrevista para a revista Marie Claire (Foto: reprodução/Instagram/@marieclairebr/@martavsilva10)


Do orelhão ao profissionalismo

Antes de vencer nos campos, Marta enfrentou uma infância marcada por privações em Dois Riachos, Alagoas, cidade com apenas 11 mil habitantes. Lavava pratos, vendia geladinhos e entregava compras de feira para ajudar a família. Aos 9 anos, viu futebol feminino na TV e prometeu à mãe que um dia apareceria ali.

Aos 14 anos, foi aprovada no Vasco da Gama. O processo era tão incerto que dormiu ao lado de um orelhão à espera da ligação de confirmação, em época em que poucas casas tinham telefone próprio. “O objetivo era chegar ao Rio de Janeiro”, lembrou ela sobre aquele momento de ansiedade.

Quando começou profissionalmente no Vasco, recebia R$ 400 mensais. Hoje, com décadas de carreira, Marta reconhece os avanços significativos do futebol feminino e direciona críticas à pressão por resultados sem investimento prévio. Casada com Carrie Lawrence desde o início do ano, ela mantém sua intimidade preservada e segue sendo guiada apenas pelo autoconhecimento acumulado em toda sua trajetória.

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