Wagner Moura faz forte desabafo após ataques por posicionamento político: “Eu vou morrer”
Em programa gravado em Atenas, o ator refletiu sobre a dificuldade do debate político quando faltam consensos sobre fatos e defendeu a tolerância como pilar da democracia
Wagner Moura participou do programa Conversa com Bial em Atenas, na Grécia, onde abordou os ataques políticos que enfrenta nas redes sociais. Durante a conversa com Pedro Bial, o ator reafirmou que continuará expressando suas opiniões publicamente e manifestou o desejo de construir diálogos com pessoas de direita, mesmo diante de um cenário de forte polarização.
Nascido em Rodelas, na Bahia, em condição humilde, Wagner Moura começou sua carreira no teatro graças a políticas públicas de incentivo cultural em Salvador. A trajetória semelhante foi compartilhada por outros artistas da região, como Vladimir Brichta e Lázaro Ramos. Seu trabalho em produções como Tropa de Elite consolidou sua presença na indústria cinematográfica.
O desafio de debater sem verdade compartilhada
Durante a entrevista, Wagner Moura analisou por que o diálogo entre posições opostas se tornou tão difícil. Para ele, o problema central não está nas diferenças ideológicas em si, mas na perda de um terreno comum de fatos. “Hoje, os fatos não importam mais. Não sei o que fazer. Se os fatos deixam de ser relevantes, deixam de existir, e passam a existir versões da realidade, se eu tenho a minha realidade e você tem a sua, e agora?”, questionou.
O ator ressaltou que, antigamente, as divergências políticas partiam de uma mesma compreensão da realidade. A convivência entre visões distintas, segundo ele, depende dessa base factual comum. Ele conectou essa reflexão à peça Um Julgamento, em que atua, projeto que o preocupa especialmente por explorar essas tensões.
Sobre a importância da convivência pacífica, Wagner Moura foi categórico: “A tolerância é um fator fundamental, um pilar da democracia. Você tem que ser tolerante”. Para o ator, esse é um dos alicerces necessários para manter as instituições democráticas funcionando.
Polarização e o enfraquecimento da democracia
O ator alertou para os riscos que a polarização extrema representa ao país, tema que estudou durante pesquisas para trabalhos cinematográficos. De acordo com Wagner Moura, “a maior ameaça à democracia que esses caras inventaram aqui é a polarização”. Segundo sua análise, quando o descrédito nas instituições públicas cresce, abre-se espaço para governos autoritários.
Essa preocupação permeia suas discussões profissionais atuais e reflete sua visão de que a saúde democrática depende da confiança nos órgãos públicos e do diálogo respeitoso entre posições diferentes.
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Wagner Moura participou do programa Conversa com Bial (Vídeo: reprodução/Instagram/@lorenamagazine)
Resposta às críticas de coerência
Wagner Moura rebateu com ironia quem o critica por defender justiça social após conquistar estabilidade financeira. Questionou a lógica dessa acusação: “Quando eu estava lá em Rodelas e era pobre, aí eu poderia ser de esquerda, né? Parece que existe um portal pelo qual você passa. Queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social”.
Também respondeu aos que o acusam de hipocrisia por morar no exterior. “Eles falam: ‘Você é um hipócrita porque está aqui, em Atenas, tomando vinho com Pedro Bial e acredita que as pessoas que moram na favela merecem ser tratadas com decência’. Eu não entendo essa crítica”, afirmou o ator, recusando a ideia de que localização geográfica invalida convicções políticas.
Firmeza nas convicções apesar do desgaste
Apesar dos frequentes ataques nas redes sociais, Wagner Moura mantém sua posição inabalável. “Estou cansado de ser odiado por uma galera”, admitiu, reconhecendo o desgaste emocional provocado pelas críticas. Ainda assim, reafirmou que suas convicções permanecerão intactas.
Para o ator, o afeto é o caminho mais eficaz para aproximar posições opostas: “No final, o que importa é o amor. É um clichê, mas é verdade”. Encerrando suas reflexões, foi direto: “Eu vou morrer dizendo as coisas que acho. Posso estar errado, mas a minha natureza é dizer o que penso”. Lamentou que rivalidades pessoais tenham ocupado o lugar de debates substantivos sobre questões como impostos e gastos públicos, temas que considera vitais para a república.
