Neymar descreve árbitro com termo machista e é criticado

O atacante santista recebeu críticas nas redes sociais após utilizar um termo sexista para descrever a conduta do árbitro durante o Brasileirão

03 abr, 2026
Neymar Jr. | Reprodução/ Instagram/@neymarjr
Neymar Jr. | Reprodução/ Instagram/@neymarjr

Neymar, atacante do Santos de 34 anos, tornou-se o centro de uma grande discussão no X nesta sexta-feira (3) após utilizar uma expressão considerada sexista para atacar o árbitro Sávio Pereira Sampaio. O episódio ocorreu logo após o apito final da partida entre Santos e Remo, realizada na noite de quinta-feira (2) pelo Campeonato Brasileiro, quando o jogador demonstrou irritação com a postura da arbitragem diante das faltas sofridas. Durante a entrevista concedida à equipe do Sportv ainda no gramado, o craque afirmou que o juiz teria “acordado de chico” e por isso não aceitava o diálogo com os atletas.

O camisa 10 reclamou especificamente de um evento durante o jogo, onde recebeu um cartão amarelo por reclamação. Neymar alegou que o árbitro buscava ser o protagonista do espetáculo ao ignorar a entrada desleal cometida pelo time adversário no fim do confronto. Sávio Pereira Sampaio, o profissional criticado pelo jogador, teria ignorado as entradas desleais que Neymar sofreu durante a partida e reclamou sobre – de acordo com o relato pós-jogo.

O peso da expressão utilizada

O termo “estar de chico”, utilizado por Neymar, é uma gíria antiga para se referir ao período menstrual e carrega uma carga histórica de estigma sobre a fisiologia feminina. Ao empregar a expressão para descrever o mau humor ou a falta de paciência de um homem, o jogador reforça o preconceito de que o ciclo hormonal das mulheres é um fator de desequilíbrio e irracionalidade, gerando desconforto entre o público feminino.


O discurso do jogador repercutiu na internet e foi motivo de discussão entre os usuários (Vídeo: reprodução/ X/ @maripereira_j).


Nas redes sociais, diversos internautas apontaram que o comentário foi infeliz e desnecessário, especialmente vindo de um atleta com alcance global. Por outro lado, um grupo de torcedores defendeu Neymar, alegando que a fala faz parte do vocabulário comum e que a polêmica seria um exagero dos críticos, o que aprofundou a divisão de opiniões sobre a postura ética do ídolo santista fora das quatro linhas.

Sexismo e a deslegitimação da mulher

A comparação feita pelo atacante assemelha-se ao uso pejorativo da sigla TPM para invalidar argumentos ou reações de descontentamento. Especialistas em linguagem e comportamento destacam que frases dessa natureza tentam reduzir as emoções a meras oscilações biológicas, sugerindo que qualquer firmeza ou raiva não possui um fundamento racional. No contexto do futebol, isso acaba por perpetuar um ambiente hostil à presença e ao respeito às mulheres.

Mesmo diante da repercussão negativa, o jogador ainda não se manifestou oficialmente para esclarecer ou se desculpar pelo ocorrido. O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de figuras públicas em relação ao vocabulário utilizado em grandes transmissões, uma vez que termos antes naturalizados agora são amplamente questionados por sua origem discriminatória e pelo impacto social que causam na luta pela igualdade de gênero.

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