Padre paraibano é notificado por comentários sobre morte de preta gil
Durante uma celebração na Paróquia de São José, em Areial (PB), o padre Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos, fez comentários sobre o falecimento da cantora Preta Gil que geraram polêmica. O casal Gilberto e Flora Gil enviou uma notificação extrajudicial contra o sacerdote, acusando-o de utilizar expressões desrespeitosas às religiões de matriz […]
Durante uma celebração na Paróquia de São José, em Areial (PB), o padre Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos, fez comentários sobre o falecimento da cantora Preta Gil que geraram polêmica. O casal Gilberto e Flora Gil enviou uma notificação extrajudicial contra o sacerdote, acusando-o de utilizar expressões desrespeitosas às religiões de matriz africana. O hugogloss.com teve acesso exclusivo ao documento.
As declarações do padre ocorreram durante a homilia, quando ele afirmou que, embora desejasse saúde, às vezes Deus entende que a morte é o melhor para a pessoa. Ele também questionou a eficácia das orações feitas por Gilberto Gil aos orixás, sugerindo que não teriam conseguido trazer Preta Gil de volta à vida.
Polêmica, nas palavras do sacerdote
As falas motivaram a abertura de três boletins de ocorrência contra Danilo César, e a Polícia Civil deu início à investigação do caso. Os familiares da cantora alegam que o padre cometeu atos de intolerância religiosa e desrespeitou a memória de Preta. O documento aponta que, ao relacionar fé e sofrimento, ele depreciou as religiões de matriz africana, chamando-as de “forças ocultas” e insinuando que desejos malignos recairiam sobre seus praticantes.
A notificação ainda afirma que o sacerdote ridicularizou a fé de Preta Gil e de seu pai, Gilberto Gil, ao ironizar a suposta atuação dos orixás em trazer a artista de volta à vida, vinculando a espiritualidade deles ao sofrimento de forma inadequada.
Padre é notificado por comentários sobre Preta Gil (Foto: reprodução/ Instagram/@hugogloss)
Gravidade do caso e repercussão
A equipe jurídica de Gilberto e Flora ressaltou o “profundo desrespeito” ao luto da família e à reputação de Preta Gil. Segundo eles, a conduta configura violação à liberdade religiosa, crime previsto no Código Penal, com pena de dois a cinco anos de prisão. A notificação destaca ainda que a fala foi feita durante uma cerimônia religiosa, o que poderia incentivar fiéis à intolerância.
O documento também observa que, passadas mais de duas semanas, não houve qualquer retratação pública ou contato com a família, o que, segundo os advogados, prolonga o desrespeito à memória da cantora e às religiões de matriz africana.
A notificação, enviada à Diocese de Campina Grande e ao padre Danilo César, exige uma retratação formal por meio do canal oficial da paróquia. Gilberto e Flora pedem ainda que a conduta do sacerdote seja apurada e que medidas disciplinares internas sejam aplicadas no prazo de dez dias úteis.
A defesa da família encerra o texto destacando a confiança na ética da Diocese e na adoção das providências solicitadas, ressaltando que a notificação não impede futuras ações judiciais, cíveis ou criminais, relacionadas ao episódio.
