Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos e admite: “Sou um arrependimento ambulante”

Em entrevista à GQ, o apresentador reflete sobre os impactos da saúde na carreira, seus novos projetos no cinema e documentários, e como mantém produtividade apesar dos desafios físicos

06 out, 2026
Pedro Bial | Reprodução/YouTube/GQ Brasil
Pedro Bial | Reprodução/YouTube/GQ Brasil

Aos 68 anos, Pedro Bial conversou com a revista GQ e revelou que convive com enfisema, uma sequela deixada pelo hábito de fumar que abandonou aos 50 anos. O jornalista e apresentador se descreve como um “arrependimento ambulante” e reflete sobre como essa experiência redimensiona sua visão de saúde, longevidade e os projetos que segue desenvolvendo em múltiplas frentes.

Carreira de quase cinco décadas na televisão

Pedro Bial dedicou praticamente toda a vida adulta ao jornalismo e à comunicação. Cobriu a queda do Muro de Berlim como correspondente, apresentou o Fantástico por longos anos e comandou o Big Brother Brasil durante dezesseis temporadas. Sua trajetória marcou gerações de telespectadores brasileiros e o consolidou como figura essencial da história da televisão no país.

Aos 68 anos, longe de reduzir o ritmo, ele mantém cronograma intenso. Continua explorando novas linguagens, novos desafios criativos. A reflexão sobre saúde não o desacelera; antes, redefine como trabalha e o que prioriza.


Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Vídeo: reprodução/YouTube/GQ Brasil)


O filme em desenvolvimento e o tema da incomunicabilidade

Bial está em processo de criação de um filme de ficção chamado Reflexos. O elenco inclui Valentina Bandeira e os irmãos Júlio e Ravel Andrade. Segundo o apresentador, o projeto deve sair do papel em 2027 e já está no quarto tratamento de roteiro.

O tema central da obra é a incomunicabilidade. “A incomunicabilidade reina hoje”, afirma Bial. Ele pretende abordar o assunto a partir de uma perspectiva que misture leveza e profundidade. “Estou no quarto tratamento do roteiro. Quero falar do assunto com humor, com amor, com música”, disse.

A inspiração veio do romance Os Imortais, escrito por Paulliny Tort. Bial considera o livro excepcional. “É o melhor dos últimos anos, disparado”, elogia. A obra imagina os primeiros encontros entre neandertais e Homo sapiens, dois tipos de seres humanos que compartilharam o planeta mas possivelmente enfrentavam barreiras de compreensão mútua.

Essas reflexões sobre comunicação deficiente levaram Bial a traçar paralelos com a era atual. Ele compara a extinção do neandertal, quando surgiu uma espécie mais eficiente, com o momento presente, em que criamos máquinas mais eficientes que nós mesmos. Essa analogia o levou a uma decisão prática: decidiu estudar inteligência artificial com especialista para incorporar a ferramenta ao seu trabalho criativo.

Bial resistiu por tempo considerável. Acreditava poder escolher usar ou não a tecnologia. Com o passar do tempo, reconheceu que seria um erro evitar explorar as possibilidades que ela oferece. Agora trabalha com sua própria inteligência artificial, observando que ela funciona bem em tarefas repetitivas, enquanto reserva para si o trabalho criativo.

Conversa com Bial: nova fase no ar

O programa Conversa com Bial, no ar desde 2017, passou por mudanças recentes. Saiu da faixa de madrugada e agora funciona como atração semanal nas terças-feiras, por volta das 23h40. A reformulação atraiu mais audiência e patrocinadores, transformando completamente a dinâmica editorial.

Na época anterior, Bial tinha liberdade para dedicar um episódio inteiro a um autor pouco conhecido, um tema niche. Agora precisa fazer apostas mais assertivas. O desafio é descobrir até onde consegue manter ousadia editorial sem perder o público. Essa tensão entre coragem e viabilidade comercial guia cada seleção de entrevistado, cada escolha temática.


Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos e admite: “Sou um arrependimento ambulante”

Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Foto: reprodução/Pedro Dimitrow/GQ Brasil)


Documentários e Tom Jobim

Em fevereiro, Bial se tornou diretor artístico do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo. Já vinha trabalhar com documentário antes: dirigiu Xuxa, o Documentário e Vale o Escrito em 2023. Sua convicção é que documentário sempre precisará de pessoas reais, de histórias autênticas.

Prepara agora uma série documental dedicada a Tom Jobim para celebrar o centenário de nascimento do maestro em 2027. Está ouvindo toda a discografia orientado por especialistas, com a ideia de que entender algo permite apreciá-lo de forma mais profunda. O projeto une aprendizado contínuo e reverência, dois pilares que definem o trabalho de Bial.


Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos e admite: “Sou um arrependimento ambulante”

Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Foto: reprodução/Pedro Dimitrow/GQ Brasil)


Saúde: do coração ao ai chi chuan

Em 2016, Bial passou por cirurgia cardíaca e recebeu três pontes de safena. Desde então, considera estar vivendo além do esperado. A experiência transformou sua reflexão sobre mortalidade, fragilidade e o que significa viver consciente dos próprios limites.

O cigarro deixou marca permanente. Fumava intensamente até aos 50 anos. Quando deixou o vício, ficou com enfisema pequeno como sequela, mas suficiente para gerar arrependimento contínuo. “Sou um arrependimento ambulante”, descreve.

Apesar disso, Bial mantém disciplina rigorosa com o corpo. Embora tenha sido jogador profissional de basquete, lesões no joelho esquerdo o impedem de correr. Caminha meia hora todos os dias em ritmo acelerado. Faz musculação de duas a três vezes por semana com personal trainer. Descobriu há pouco o tai chi chuan, prática que integra movimento, filosofia e tradição oriental.

Sua leitura recente de Emmanuel Carrère sobre ioga e a recomendação de Paulliny Tort em Os Imortais despertaram interesse nessas práticas. Para Bial, as influências nunca aparecem isoladas: um livro leva a outro, uma prática desencadeia uma reflexão, uma reflexão gera um projeto.

Paternidade em tempos diferentes

Bial é pai de cinco filhos com idades que variam dos 6 aos 39 anos. Cada um nasceu em contexto distinto, oferecendo experiências de criação completamente diferentes. Sua filha Ana, de 39 anos, é sua grande amiga. Theo e José constroem seus próprios caminhos. As filhas menores, Laura e Dora, permitem que ele veja o mundo através dos olhos de quem descobre tudo pela primeira vez.

A caçula nasceu em dezembro de 2019. Os dois primeiros anos de vida coincidiram com o período de pandemia, quando Bial pôde estar em casa diariamente. Reconhece que foi menos presente e mais rigoroso como pai em tempos anteriores. Agora procura equilibrar para não se transformar em avô indulgente.


Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos e admite: “Sou um arrependimento ambulante”

Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Foto: reprodução/Pedro Dimitrow/GQ Brasil)


Maria Prata e o papel do equilíbrio

Sua esposa, Maria Prata, funciona como elemento essencial para o equilíbrio que Bial cultiva. Maria possui senso prático robusto e consegue contrabalançar a tendência dele ao excesso. Jornalista com experiência sólida em moda, ela transformou de forma significativa a relação de Bial com o vestuário.

Antes, Bial tinha relação ignorante com moda. Aprendeu com Maria e agora veste-se um pouco menos inadequadamente. Incorporou o conselho de usar preto quando quer acertar. Durante a sessão de fotos com a GQ, calçava tênis Salomon e menciona Theory entre as marcas que aprecia.

Leitura e o gosto por biografias

Bial tem paixão antiga por biografias. Precisa se forçar a descobrir outros gêneros, pois sua tendência constante é retornar aos relatos de vida. Como autor, dedicou-se a personagens como Roberto Marinho, Luiza Trajano e Isabel Salgado. Encontra conexões entre indivíduos de origens distantes ao rastrear suas histórias.


Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos e admite: “Sou um arrependimento ambulante”

Pedro Bial expõe consequência do cigarro para a saúde aos 68 anos (Foto: reprodução/Pedro Dimitrow/GQ Brasil)


Envelhecimento e continuidade produtiva

Bial rejeita a crença de que vivacidade e curiosidade pertencem apenas à juventude. Discorda do conselho popular de aproveitar a vida enquanto jovem, preferindo o oposto: preparar-se quando jovem para os anos que virão. Sua mãe viveu até 101 anos. Seu pai faleceu aos 55, durante a adolescência de Bial.

Ele trabalha deliberadamente para construir uma velhice produtiva, não frágil. Observa ambos os extremos e escolhe seu caminho. A vida contém arrependimento, é verdade. Sente dificuldade em se reconhecer nas versões anteriores de si mesmo. Às vezes examina o passado com rigor excessivo. Sua mãe, aos 90 anos, proferiu um discurso reconhecendo as tolices de cada década vivida.

Bial acredita que reconhecer a própria imbecilidade e se perdoar por ela é essencial. Essa absolvição pessoal alimenta sua produtividade contínua e sua capacidade de seguir adiante.

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