Natalie Portman fala sobre envelhecimento e retorno às comédias românticas
Atriz conversou com a Vogue Brasil em Cannes sobre maternidade, evolução profissional e seu novo filme ao lado de Lena Dunham
Natalie Portman, aos 45 anos, aguarda seu terceiro filho com o produtor musical francês Tanguy Destable. A notícia veio à tona durante entrevista que a atriz concedeu à Vogue Brasil enquanto estava em Cannes, onde também abordou seu retorno ao gênero de comédia romântica.
A produção “Good Sex”, dirigida por Lena Dunham, marca essa volta. No filme, Portman interpreta uma terapeuta de casais presa em um triângulo amoroso que envolve Mark Ruffalo e Tucker Pillsbury, com lançamento previsto para este ano. Além de atriz, ela comanda a produtora MountainA desde 2020, em parceria com Sophie Mas. Portman é mãe de Aleph, 14 anos, e Amalia, 9, de seu relacionamento anterior com Benjamin Millepied.
Retorno ao gênero romântico
A colaboração com Dunham nasceu há cerca de duas décadas, quando Portman assistiu a “Tiny Furniture”. Ella procurou a diretora na época e, quando Dunham a convidou para “Good Sex”, aceitou imediatamente. A atriz descreve o projeto como um sonho realizado.
Para Portman, as comédias românticas possuem um poder curativo e transformador. Segundo ela em conversa com a Vogue Brasil, o gênero oferece alegria, prazer e diversão, funcionando como ferramenta para trazer esperança à vida das pessoas. Sua última incursão pelo gênero aconteceu em 2011, com “Sexo Sem Compromisso”.
Os dois projetos compartilham um fio condutor central: como o desejo ressignifica a existência. “Good Sex” examina a alegria e os conflitos que emergem quando emoção entra em jogo. Portman e Mas conversaram sobre a urgência de levar luz em tempos sombrios.
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Atriz Natalie Portman (Foto: reprodução/Instagram/@natalieportman)
Transformação pessoal e carreira
Há quase 15 anos, Portman é embaixadora de Miss Dior. Neste período, vivenciou transformações profundas tanto em sua trajetória quanto em sua vida privada. A conexão que estabelece com a fragrância reflete um amadurecimento genuíno ao longo dos anos.
Sua evolução profissional é significativa. Começou como atriz e expandiu sua atuação para a produção e direção, conquistando espaços de liderança que antes não ocupava. Pessoalmente, sua história evoluiu de mulher descompromissada para gestante pela terceira vez.
Essa jornada inclui também uma mudança profunda de perspectiva sobre si mesma. Portman transitou de alguém que buscava agradar a outros para alguém focada no próprio bem-estar. Uma transformação que ela identifica como comum entre mulheres. Segundo Portman, a sociedade frequentemente pressiona mulheres a agirem e parecerem de formas específicas para satisfazer expectativas alheias.
Antes, sua pergunta norteadora era: o que os homens desejam? Hoje, questiona-se diferente: o que desejo sentir durante o dia? Apesar dessa mudança interna profunda, mantém uma rotina de beleza minimalista.
Miss Dior sob nova direção
Jonathan Anderson assume como diretor criativo da Dior, marcando um novo capítulo para a maison. Portman usou suas criações para a campanha de Miss Dior, que mantêm a essência feminina e floral tradicional enquanto introduzem movimento, ousadia e uma sensação de liberdade.
Um detalhe não passou despercebido: os designs de Anderson prescindem de corsets. Portman apreciou especialmente essa escolha, considerando que se encontra no início de sua gravidez. A ausência dessa estrutura rígida encontra eco na filosofia de leveza e liberdade que Anderson trouxe para a marca.
“Acho que existe uma combinação bonita de profundidade e leveza, que é quase uma metáfora para a vida”, afirmou Natalie Portman sobre Miss Dior.
Para a atriz, Miss Dior sintetiza qualidades aparentemente contraditórias. O perfume é versátil, adequado tanto para o dia quanto para a noite. Sua inspiração permanece intemporal: Christian Dior e sua irmã Catherine, figura que buscava tornar o mundo mais bonito enquanto enfrentava injustiças.
Portman visitou pessoalmente os campos de rosas de Grasse em seu pico de floração, aprofundando a conexão com a fragrância. Descreveu a experiência como onírica: o ar inteiro exalava rosas, colhidas manualmente por artesãos de várias gerações.
Amizade e envelhecimento
O privilégio do envelhecer, na perspectiva de Portman, reside em manter amizades que atravessam décadas. Ela convive com pessoas que conhece há 30 anos, o que considera um luxo raro. Conhecer alguém por tanto tempo torna a relação mais profunda, resistente e repleta de afeto.
A amizade feminina é central em sua vida. Suas amigas formam sua rede de apoio, e reconstruir um senso comunitário é essencial para sua existência enquanto mulher. Ela aprende continuamente com essas mulheres.
Suas referências femininas incluem sua mãe, capaz de encontrar encanto em qualquer lugar. Lena Dunham e Greta Gerwig a inspiram tanto como amigas quanto como criadores artísticos. Portman admira o legado que ambas estão construindo.
“Lena é uma das mulheres mais incríveis que já conheci. Ela é extremamente talentosa como roteirista, diretora e atriz, e também é uma pessoa maravilhosa”, afirmou Natalie.
Cinema, feminismo e diversidade
A visão de Portman sobre a representação de mulheres no cinema recusa estereótipos convencionais. Para ela, a estratégia mais feminista é apresentar a maior variedade possível de tipos femininos. Ela rejeita a noção de que personagens femininas só são feministas se forem fortes e invencíveis.
Portman quer ver mulheres contraditórias, às vezes frágeis, às vezes resilientes. Mulheres que são excelentes amigas em um momento e falham nesse papel em outro. Mulheres que dominam seu trabalho e também erram completamente. Quer que mulheres possam explorar todas as carreiras e vivências imagináveis.
“Encontrar essa luz interior e esse impulso interno, aquilo que faz você feliz, é parte da nossa jornada”, disse Natalie à Vogue Brasil.
Quanto mais conseguir expor o espectro completo da humanidade, mais feminista será sua obra. Essa filosofia permeia suas escolhas profissionais, desde os papéis que seleciona até os projetos que produz.
Atuar permanece como seu ambiente natural. Começou quando criança e a atividade flui naturalmente. Produzir e dirigir a apaixonam, mas também a desafiam, tirando-a da zona de conforto. Nessas funções, ela navega decisões difíceis sem proteção. Apesar dos desafios, ama tudo: mas a atuação segue como aquilo que lhe vem sem esforço.
