‘Bruna Surfistinha’ da vida real, Raquel Pacheco recorda programa no começo da carreira cobrando R$ 20 e desabafa

A escritora e empresária revelou ao Sensacional o sofrimento emocional e físico vivido durante a prostituição, além dos valores irrisórios que recebia

15 set, 2026
Raquel Pacheco | Reprodução/Instagram/@bsurfistinhaoficial
Raquel Pacheco | Reprodução/Instagram/@bsurfistinhaoficial

Raquel Pacheco, de 41 anos, esteve no programa Sensacional, da RedeTV!, apresentado por Daniela Albuquerque, para relatar detalhes da época em que trabalhou como garota de programa. A escritora e empresária que inspirou a personagem Bruna Surfistinha no cinema falou sobre a rotina de até 50 programas em um único dia e as consequências emocionais que permanece carregando.

Durante a entrevista, Raquel descreveu com emoção o sofrimento psicológico daquele período. Segundo ela, voltava para casa e passava tempo no chuveiro tentando se livrar de uma sensação que não saía. “[Vivia] naquela nojeira, e o cheiro, realmente. O cheiro era um horror. Eu me sentia suja, suja. Eu chegava em casa, sentava embaixo do chuveiro e chorava. Chorava, esfregava esponja, sabonete. E aquela sensação de que não saía aquele cheiro de mim”, relatou ao programa Sensacional.

A dura realidade financeira

Raquel abriu os números da época para revelar que a atividade era financeiramente insuficiente. Cada programa custava R$ 20, valor que era dividido: R$ 10 para o dono do estabelecimento e R$ 10 para ela. Com a rotina extenuante de até 50 programas diários, seu ganho máximo era limitado.

“Era vintão, 10 reais para o dono e 10 para [mim]. Então assim, por exemplo, [se] fiz 50 programas, [recebia] 500 reais. Não é nada! 500 reais para você fazer sexo com 50 homens”, desabafou na entrevista. Além do impacto emocional, Raquel também carrega marcas físicas daquela rotina desgastante, que a acompanham décadas depois de ter encerrado a profissão.


 

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Raquel Pacheco (Vídeo: reprodução/Instagram/@redetv)


Do blog ao cinema

Nascida em Sorocaba, no interior de São Paulo, Raquel deixou a casa dos pais adotivos aos 17 anos. Buscando sobreviver, começou a trabalhar como garota de programa. Em 2005, transformou sua experiência em um blog que documentava seu dia a dia e conquistou grande repercussão, recebendo 10 mil visitas mensais.

Os relatos publicados na plataforma digital resultaram no livro O Doce Veneno do Escorpião, que se tornou best-seller, abrindo caminhos para uma adaptação cinematográfica. O filme Bruna Surfistinha, lançado em 2011 com Deborah Secco no papel principal, levou sua história para as telas. Raquel não sente vergonha de contar sobre essa fase, considerando-a fundamental em sua trajetória, embora reconheça que gostaria de ter vivido tudo de forma diferente.

Legado e presente

Atualmente, Raquel é mãe de gêmeas que começam a fazer perguntas sobre sua história. Uma das filhas já perguntou por que a chamam de Bruna e pedem sua fotografia, levando a mãe a preparar uma conversa pessoal com as meninas antes que elas descubram sua trajetória por outras fontes.

Raquel participou ativamente do desenvolvimento do roteiro para Bruna Surfistinha 2, filmada no final de 2025 e prevista para estrear em 2027. Ela elogia a dedicação de Deborah Secco ao interpretar sua história no primeiro filme, afirmando que dificilmente a vê sendo contada por outra atriz.

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