Ratinho se defende após ser processado por Erika Hilton por transfobia

Após falas polêmicas sobre a eleição da deputada Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, apresentador se explicou

13 mar, 2026
À esquerda, Ratinho e à direita, Erika Hilton | Reprodução/Reprodução/YouTube/Programa do Ratinho/Marcelo Camargo/Agência Brasil
À esquerda, Ratinho e à direita, Erika Hilton | Reprodução/Reprodução/YouTube/Programa do Ratinho/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, utilizou suas redes sociais nesta sexta-feira (13) para se pronunciar a respeito da repercussão de suas falas envolvendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O episódio teve início na última quarta-feira (11), durante a exibição de seu programa ao vivo no SBT, quando Ratinho comentou a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Durante o programa, o apresentador questionou a legitimidade da escolha da deputada para o cargo, afirmando que Erika Hilton “não é mulher, é trans”. Em sua argumentação no ar, Ratinho declarou que não achava “muito justo” e indagou o motivo de conceder a posição a uma mulher trans, havendo outras mulheres. Ele prosseguiu detalhando sua visão, afirmando que “mulher para ser mulher tem que ter útero”, “tem que menstruar” e “tem que fazer o negócio de Papanicolau, mamografia”.

Apresentador comentou sobre a repercussão de suas falas

Diante da repercussão, Ratinho publicou um vídeo de defesa em suas redes sociais, argumentando que suas declarações não configuram discriminação. “Muita polêmica, né? Eu defendo a população trans, mas defendo também o direito de quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo e eu não vou ficar em silêncio”, pontuou o apresentador.


Ratinho comenta sobre suas falas (Vídeo: reprodução/Instagram/@oratinho)


Na legenda da postagem, ele ainda convocou outros profissionais da comunicação, como jornalistas, comentaristas e apresentadores, a não ficarem em silêncio, declarando que “silêncio é conivência”.

Erika Hilton afirmou que entrará com processo contra Ratinho

A reação da deputada federal Erika Hilton foi imediata e incisiva. Na quinta-feira (12), a parlamentar ingressou com um pedido de ação criminal contra o apresentador, acusando-o de transfobia. Por meio de suas redes sociais, como o X (antigo Twitter) e o Instagram, Erika confirmou a abertura do processo: “Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é e sempre será um rato”.

A parlamentar também enviou uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e ao Ministério Público Federal (MPF). No documento, a defesa da deputada solicita a abertura de um inquérito para investigar o apresentador por transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. Segundo a petição elaborada, as falas de Ratinho ultrapassam os limites da liberdade de expressão e da crítica política, configurando uma discriminação frontal, cujo impacto é agravado pela transmissão em rede nacional.

Além do âmbito criminal, a deputada pleiteia uma indenização de 10 milhões de reais por danos morais coletivos. De acordo com Erika Hilton, caso a Justiça decida a seu favor, o montante arrecadado será integralmente destinado a projetos de acolhimento e proteção a mulheres vítimas de violência de gênero. A deputada do PSOL também ampliou o debate sobre o teor das declarações do apresentador, argumentando que o ataque não atinge apenas a população transexual, mas diversas outras mulheres. “Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram. Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo. Foi contra todas as mulheres que não podem ou não querem ter filhos”, declarou a parlamentar.

O SBT, emissora responsável pela veiculação do programa, emitiu uma nota oficial para esclarecer seu posicionamento diante da controvérsia. No comunicado, a empresa afirmou que “repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa”. A emissora ressaltou ainda que as palavras ditas pelo apresentador ao vivo não representam a opinião da emissora e informou que o caso está sendo analisado pela direção, que tratará o tema internamente para garantir o respeito aos valores institucionais por todos os seus colaboradores.

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