Renato Russo completa 30 anos de morte, e parceiros da Legião Urbana recordam sua personalidade

Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos recordam a trajetória do cantor, os 13 anos de banda e como as composições continuam marcando público em todo o Brasil

11 out, 2026
Renato Russo I Reprodução/Instagram
Renato Russo I Reprodução/Instagram

Três décadas se passaram desde o dia 11 de outubro de 1996, quando Renato Russo faleceu aos 36 anos. Seus parceiros de Legião Urbana seguem vivos e guardam memórias vívidas do trabalho compartilhado. Marcelo Bonfá, baterista e fundador, e Dado Villa-Lobos, guitarrista e fundador, testemunham como a obra do vocalista continua tocando corações pelo país.

A presença que não se vai

Marcelo Bonfá, hoje professor aos 78 anos, sente a ausência do amigo de forma constante. Segundo o baterista, Renato permanece vivo através do reconhecimento dos fãs nas ruas e pela importância do legado construído.

“O Renato ocupa um espaço muito grande no meu ‘presente’. Ele está presente constantemente no carinho dos fãs que cruzo pelas ruas quando tentam me lembrar da importância do trabalho que fizemos juntos na Legião Urbana. Mas eu gosto de lembrar dos momentos felizes que a gente teve e que foram muitas risadas e muito trabalho sério dedicado às nossas ideias”.

Para Dado Villa-Lobos, o vocalista possuía qualidades raras que o distinguiam no cenário musical. O guitarrista descreve a singularidade do amigo com precisão.

“Renato era esse cara diferente, especial, magnético, e eu posso dizer, muito generoso e que acreditava no potencial das pessoas e de como a gente trabalhava junto. Ele era esse cara que a gente conhece com aquela voz incrível e com aquela interpretação das canções de um jeito muito especial, aquele alcance vocal. Ele era um cara definitivamente especial mesmo”.


Integrantes do Legião Urbana (Foto: reprodução/Instagram/ahistoriadamusica)


Números que falam de uma era

A Legião Urbana permaneceu ativa por 13 anos, entre 1985 e 1997, período em que vendeu mais de 20 milhões de cópias. O repertório reunia dezenas de discos que questionavam a realidade do Brasil através de canções como “Que país é este?” e baladas profundas como “Vamos fazer um filme”.

Renato Russo deixou um catálogo de 158 obras musicais. Entre elas, “Tempo perdido” se destaca como a mais tocada e regravada, com 343 gravações registradas conforme a instituição que gerencia direitos autorais. Esse alcance demonstra como sua composição ultrapassou gerações e continua gerando desdobramentos.

Dado Villa-Lobos resume a magnitude do que foi realizado:

“O legado são esses 13 anos de banda que produziu essas dezenas de discos e que tocou as pessoas do Brasil do Oiapoque ao Chuí, leste, oeste, e que até hoje a gente percebe que estamos aí no coletivo universal brasileiro. É a magia da música e é um sonho adolescente que foi realizado de a gente formar uma banda e transformar as pessoas através da sua música”.

Colaborações que transcendem o tempo

Leila Pinheiro gravou “Tempo perdido” para seu álbum “Alma” em 1988. A primeira vez que cantora e compositor se encontraram ficou marcada na memória de Leila.

“Fui ao encontro do Renato na Ilha do Governador, na casa de uma avó dele. Eu gravava o álbum ‘Alma’ e escolhi ‘Tempo perdido’. Convidei-o para escrever algumas palavras sobre este álbum e ele aceitou de pronto. Este foi nosso primeiro encontro”.

Esse encontro abriu caminho para uma parceria posterior. Renato ligou para Leila perguntando sobre sua proficiência em bossa nova. Da conversa nasceu “Hoje”, uma música que recebeu um arranjo único da cantora.

“Renato me telefonou perguntando se eu sabia tocar bossa nova no violão. Me surpreendeu a pergunta, e chamei-o para vir ao meu estúdio, trazendo a letra nova. Ele chegou aqui, propus meu piano ao invés do violão, e foi surgindo uma melodia para letra chamada ‘Hoje’. Fiz um blues, lento e denso, para uma letra que já falava da partida dele”.

Legado que segue gerando

Nos 30 anos seguintes à morte de Renato, diversos livros analisaram sua obra sob diferentes perspectivas. Um deles, “Renato Manfredini Júpiter, As Revoluções Solares do Líder Legionário” de Mariana Candeias Piky, examina sua produção pela ótica astrológica. Quatro discos póstumos da carreira solo mantêm vivas suas composições mais recentes.

“Mais Uma Vez”, parceria entre Renato Russo e Flávio Venturini originalmente gravada pelo 14 Bis nos anos 1980, ganhou novo destaque quando relançada no disco “Presente”se transformaram em hino de esperança e otimismo. ‘A Legião não existe mais desde 1996’, diz Bonfá Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos também voltaram a se reunir em shows celebrando a história da Legião, que também é a deles. Em agosto, tocaram o repertório do disco”Dois” na íntegra no Festival C6 no Rock em São Paulo, com André Frateschi nos vocais. O último show dos três fundadores juntos havia acontecido em Santos em 14 de janeiro de 1995.

Quanto ao futuro do nome Legião Urbana, Marcelo Bonfá é categórico:

“A Legião Urbana não existe mais desde 1996 e eu nunca tive e não tenho interesse em usar este nome sem meu querido amigo Renato”.

Os dois parceiros superaram uma disputa legal com Giuliano Manfredini pelos direitos da banda, mantendo integridade em relação ao legado. Para Marcelo Bonfá, nada do trabalho realizado representou tempo desperdiçado. A obra de Renato segue tocando corações e mentes, preservada na memória das pessoas.

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