Suzana Alves fala sobre crise de identidade após sucesso de Tiazinha: “Não tinha voz”
Em entrevista no Programa “Sensacional”, ela relembrou o impacto da fama precoce e apresentou o livro “Por Trás das Máscaras”
Suzana Alves, de 48 anos, abriu detalhes sobre a crise de identidade provocada pelo sucesso de Tiazinha em participação no programa Sensacional, apresentado por Daniela Albuquerque. A entrevista vai ao ar nesta segunda-feira (3). A atriz também falou sobre o lançamento de seu livro “Por Trás das Máscaras”.
O personagem que a projetou nacionalmente aos 18 anos no “Programa H”, da Band, apresentado por Luciano Huck, transformou Suzana em um dos principais nomes da televisão brasileira no fim dos anos 1990. O fenômeno, porém, custou caro em sua trajetória pessoal e profissional.
O peso de ser apenas uma personagem
“Eu não tinha mais voz nem opinião e não me conhecia porque eu era muito nova. A personagem ficou muito maior do que eu. Não só por fora, mas por dentro também. Passei a ser chamada por um nome que não era o meu, um apelido, e a ser reconhecida por um estereótipo, um produto que não era eu”, disse Suzana no “Sensacional”.
A explosão da fama aos 18 anos a privou de vivências essenciais da adolescência. Seu rosto e seu nome tornaram-se sinônimos apenas da personagem, ofuscando quem ela realmente era por dentro.
Durante o auge da carreira, Suzana também enfrentou decepções que marcaram profundamente sua visão sobre o ambiente artístico e as pessoas ao seu redor. “Eu achava que ia me divertir, mas percebi que não tinha amigos de verdade, que era tudo interesse. Percebi que as pessoas mentiam, eram gananciosas e que eu estava sendo usada. Assinei muitos contratos em que confiei”, recordou a atriz.
A falta de maturidade e o contexto da fama precoce impediram que ela compreendesse completamente os compromissos que assumia na época.
Ver esta publicação no Instagram
Suzana Alves no Programa “Sensacional” (Vídeo: reprodução/Instagram/@danialbuquerquetv)
A chegada da Feiticeira
A inserção de Joana Prado como Feiticeira no programa marcou um ponto de inflexão. Suzana recebeu a notícia poucos minutos antes da estreia ao vivo, uma experiência que descreveu como traumática.
“Me chamaram no camarim cinco minutos antes dela entrar no programa ao vivo. Só lembro que fiquei triste, fui chorar. Chorei só porque me senti traída. Nada a ver com a Joana, mas com a direção e com o Luciano”, contou Suzana no Sensacional.
Embora a imprensa tenha construído narrativas de rivalidade entre as atrizes, Suzana deixa claro que não houve conflito direto com Joana. Sua dor estava voltada para quem tomou a decisão e para o modo como foi comunicada. “A mídia criou essa rivalidade”, afirmou.
Atualmente, Suzana dedica-se à atuação, escrita, produção de conteúdo e estudos de Psicologia. O livro “Por Trás das Máscaras” representa essa jornada de reconstrução e a busca por recuperar sua identidade longe do estereótipo que a perseguiu.
