Zélia Duncan abre o jogo sobre rompimento com Rita Lee pela primeira vez

Intérprete aborda pela primeira vez o distanciamento de 18 anos que se iniciou em 2006, quando aceitou turnê com Os Mutantes

29 ago, 2026
Zélia Duncan e Rita Lee I Reprodução/Instagram/@registrosmpb
Zélia Duncan e Rita Lee I Reprodução/Instagram/@registrosmpb

Zélia Duncan abordou pela primeira vez os pormenores do afastamento com Rita Lee, amiga e parceira na composição de “Pagu”. O distanciamento começou em 2006, quando Zélia recebeu convite para fazer turnê com Os Mutantes, grupo fundado por Rita junto a Sergio Dias e Arnaldo Baptista, e se prolongou por 18 anos até a morte da cantora em maio de 2023, sem que as duas se reconciliassem.

Antes de aceitar a proposta de turnê, Zélia fez questão de consultar Rita Lee. Ligou para a amiga para pedir sua bênção. A resposta foi simples e direta.

“Vai se divertir com os mano”, respondeu Rita Lee.

Zélia compreendeu aquelas palavras como um sinal de aprovação e aceitou o convite. O que não esperava era a reação que viria em seguida. Após integrar Os Mutantes, Rita passou a não responder mais. Zélia tentou manter a ponte, buscando reconciliação, mas Rita preferia se manter distante. O silêncio entre ambas se estendeu por quase duas décadas.

A decisão que marcou tudo

Ao participar do videocast “Conversa vai, conversa vem”, transmitido no YouTube do O Globo e no Spotify, Zélia refletiu sobre aquele momento como um divisor de águas em seu vínculo com Rita. A oportunidade de trabalhar com Arnaldo Baptista e Sergio Dias, fundadores da banda, abriu caminhos profissionais que nunca havia considerado. Posou para fotos no New York Times e presenciou Rita como força criativa por trás dos Mutantes.

O custo pessoal, porém, foi significativo. Zélia relata que buscou diversas vezes preservar a amizade com Rita, propondo reaproximação. Rita, contudo, optou por manter a distância. Nunca explicou clara e completamente sua mágoa, deixando Zélia sem compreender o que se passava.

“Se soubesse que isso ia me custar a Rita, talvez, não tivesse ido. Mas ela não me disse, não me deu um sinal.”


 

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Zélia Duncan e Rita Lee (Foto: reprodução/Instagram/@registrosmpb)


O peso do distanciamento

O remorso acompanha Zélia desde então. No depoimento ao videocast, ela revela a magnitude dessa perda. Para ela, o episódio representa um dos maiores conflitos entre sucesso profissional e prejuízo emocional de sua trajetória. Tudo o que vivenciou nos Mutantes foi singular: aprendeu rock and roll na prática, conviveu com artistas que transformaram a música brasileira e ampliou suas possibilidades criativas.

“É uma tristeza vou levar pra sempre. Só tive amor por Rita e aquele momento foi duro.”

Rita faleceu em maio de 2023 sem que as duas tivessem reatado. O tempo não trouxe a reaproximação que Zélia aguardava. Apesar disso, a marca de Rita continua viva em seu trabalho e em seu interior. A colaboração musical entre ambas originou peças de importância histórica, entre elas “Pagu”, que espelha a criatividade conjunta em harmonia.

O que permanece vivo

Hoje, Zélia reconhece a relevância daquela amizade e do que conseguiu viver ao lado de Rita. Na visão dela, tudo que produziram em conjunto resultou em frutos positivos para as duas. Apareceu em DVD de Rita, cantou ao seu lado e compartilhou instantes que a formaram como artista e ser humano.

“Dou muito valor aos meus amigos”, disse Zélia Duncan.

Rita segue presente em Zélia no impulso de cantar e no desejo de viver plenamente. O legado daquela amizade, embora marcado pela dor do distanciamento, mantém ressonância nas decisões e na carreira da intérprete. A participação no videocast, disponível no canal do O Globo e na plataforma Spotify, oferece pela primeira vez uma perspectiva profunda sobre como Zélia processa aquele período e sua repercussão contínua em sua jornada artística e pessoal.

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