Bruno Gagliasso fala sobre memória e ditadura em novo filme “Honestino”
Produção mistura ficção e documentário para aproximar a história do estudante às novas gerações e trazer o debate sobre histórias que ainda marcam o país
O ator Bruno Gagliasso interpreta o líder estudantil Honestino Guimarães no filme “Honestino”, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13). Dirigido por Aurélio Michiles, o longa mostra a trajetória do estudante e militante desaparecido durante a ditadura militar.
Honestino foi presidente da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB) e da União Nacional dos Estudantes (UNE). Preso em 1973, aos 26 anos, ele nunca mais foi visto. Décadas depois, o Estado brasileiro reconheceu oficialmente sua morte e concedeu anistia.
Arte e memória
Para Bruno, participar do filme representa uma oportunidade de discutir, por meio da arte, assuntos que ainda são importantes na sociedade brasileira. Em entrevista ao site Omelete, o ator comentou sobre o filme e afirmou que a história de Honestino não deve ser encarada apenas como um capítulo distante do passado. “Esse é um filme muito atual. A gente viu vários Honestino’s há pouco tempo, alguns dias atrás, na rua, sabe? É um filme muito presente, mas também um filme que fala de um passado recentíssimo”, disse.
A experiência foi marcante para o ator por representar um contraste com “Marighella”, filme em que interpretou um agente ligado à repressão. “Quando veio o convite do Aurélio para estar do lado certo da história, me emocionou muito, e foi muito impactante no set”, contou. “Estar nos dois lugares diferentes – o lado da escória e depois o lado certo – foi muito importante para mim, como ser humano, como ator.”
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Trailer oficial do filme. (Vídeo: reprodução/Instagram/@honestinoofilme)
Como surgiu o filme
A relação de Aurélio Michiles com Honestino Guimarães começou muito antes da produção do filme. O diretor conviveu com o líder estudantil após chegar a Brasília, em 1968. Na época, o movimento estudantil tinha forte presença na capital, e Michiles acabou se aproximando de Honestino.
Segundo o cineasta, a decisão definitiva veio após receber um vídeo de Lucas, neto do militante, ainda adolescente, falando sobre o desejo de conhecer melhor a história do avô. “Eu vi que não podia mais fugir do projeto, porque o Lucas estava cobrando”, disse.
A produção alterna entre ficção e elementos documentais. Para o diretor, a escolha foi uma forma de evitar que Honestino ficasse restrito às imagens de arquivo e de tornar sua trajetória mais próxima do público. “Eu queria que a história dele fizesse parte do nosso cotidiano, porque esse filme não foi feito para minha geração, foi feito para a geração do meu filho e dos meus netos”, explicou.
