Glória Menezes deixa eterno legado de pioneirismo para as novelas
Atriz morre por causas naturais em seu apartamento; Glória é pioneira das novelas no Brasil; Famosos lamentam a perda de um grande ícone da dramaturgia
A atriz Glória Menezes, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, faleceu na última terça-feira (18), no Rio de Janeiro. A renomada atriz construiu uma carreira de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão. Protagonizando diversas novelas de sucesso, Glória se destaca entre os pioneiros do gênero no País desde a década de 1950.
Com o nome de batismo Nilcedes Soares de Magalhães, que juntava as letras de Nilo e Mercedes, seus pais, a atriz que mais tarde adotaria o nome artístico Glória, nasceu em 19 de outubro de 1934, em Pelotas (RS), e se mudou para São Paulo com a família aos seis anos de idade. Já em SP, ela cursou a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo e fundou o grupo teatral Jovens Independentes.
Construção de uma carreira de sucesso
A atriz consolidou sua carreira ao longo de mais de 60 anos. Inicialmente, ela ganhou o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho, em seu primeiro espetáculo, realizado em 1959. No mesmo ano, Glória atuou em sua primeira novela, “Um lugar ao Sol”. Depois, foi convidada por Antunes Filho para fazer a peça “Feiticeiras de Salém”, onde conheceu seu futuro marido, Tarcísio Meira.
Em 1960, atuou em “O pagador de promessas”, de Anselmo Duarte, e ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Três anos depois, estrelou com Tarcísio a primeira novela diária da TV no Brasil, “25499 Ocupado”, que era transmitida ao vivo pela TV Excelsior. Durante esse trabalho, eles começaram a namorar e depois se casaram. O casal fez em seguida novelas como “A Deusa Vencida” (1965), “Almas de Pedra” (1966) e “Sangue e Areia”, de Janete Clair. Em 1968, eles estrelaram novelas diferentes (Glória, “Passos do vento” e Tarcísio, “A gata de vison”). O público da época estranhou tanto o casal interpretando romances com outras pessoas que eles tiveram que voltar a fazer uma novela juntos, “Rosa Rebelde”, no ano seguinte.
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Glória Menezes e Tarcísio (Foto: reprodução/Instagram/@gloriamenezesoficial)
Um dos trabalhos mais marcantes de Glória viria a ocorrer em 1970, com a atuação em “Irmãos Coragem”, de Janete Clair,onde ela dá a vida a uma mulher com três personalidades: a recatada Lara, a extravagante Diana e a equilibrada Márcia. Dois anos depois, ela estrelou o primeiro programa integralmente exibido em cores na TV do Brasil, “Meu primeiro baile”, episódio do programa “Caso especial”.
Nos anos 70, Glória fez novelas como “O grito” (1975), em que viveu o drama da mãe de uma criança com problemas mentais, “Espelho mágico”, em que ela interpretava com Tarcísio um casal de atores que participava da gravação de uma novela, e “Pai herói” (1979), como a marcante personagem Ana Preta. Já no teatro, Glória fez “Tudo Bem no Ano Que Vem”, de Bernard Slade, que ficou em cartaz por cinco anos ( 1976 e 1981) e outras peças destaques como “Navalha na Carne” (1981), de Plínio Marcos, e “Um Dia Muito Especial” (1988), de Ettore Scola.
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Personagem Ana Preta (Foto: reprodução/Instagram/@gloriamenezesoficial)
A atriz dividiu as telas e o palco com Tarcísio nos anos 80 também, onde foi destaque no sucesso televisivo “Guerra dos Sexos” (1983). Em 1988, ela e Tarcísio estrelaram e co-produziram o seriado “Tarcísio & Glória”, onde interpretaram o empresário corrupto Bruno Lazzarini e a extraterrestre Ava Becker, respectivamente.
Em 2000, durante a peça “Jornada de um Poema”, ela interpretou uma paciente terminal de câncer. Na TV, voltou a contracenar com o marido em “Páginas da Vida” (2006), de Manoel Carlos, e “A Favorita” (2008), de João Emanuel Carneiro. Em 2013, ela fez uma participação especial em “Joia Rara” e, em 2015, atuou em “Totalmente Demais”. Em 2018, participou do humorístico “Tá no Ar”.
Glória atuou em “Os casais que amamos”, do canal Viva, sobre as histórias dos casais mais marcantes da teledramaturgia brasileira, em 2020. Em 2025, a atriz foi homenageada na série “Tributo”, do Globoplay. O ícone da dramaturgia ressaltou que todos os papéis que interpretou a marcaram: “Eu sinto que trago um pouco de todas essas personagens, as mulheres todas que representei. Estão todas aqui ainda”, disse a atriz na série.
Anteriormente, em entrevista ao Memória Globo, a atriz contou mais sobre o nome artístico, afirmando que precisou trocar o nome profissional por seu nome ser considerado incomum. “Eu tive que trocar. Resolvemos botar Glória, porque Glória é Glória em qualquer idioma. E Menezes, por causa das minhas raízes portuguesas e porque completa treze letras. Dá sorte”, disse Menezes.
Conforme uma declaração dada em uma participação no Jornal do Almoço, da RBS TV, em 2021, a artista compartilhou sua visão sobre a profissão e inseguranças: “Na nossa profissão, nós temos um negativo imediato, porque às vezes você faz uma coisa no palco e tem a chance de observar as pessoas na plateia. Quando elas estão com uma fisionomia alegre, é positivo. Agora, quando fecham a cara, você pensa: ‘Ih, esse espetáculo não vai dar certo’. Nós temos isso na nossa profissão”, disse.
Ao falar sobre parte fundamental de sua vida, como a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), onde iniciou a formação artística, Glória disse que “A escola não só me preparou para ser atriz. A escola me preparou para viver o mundo de ontem, de hoje e de amanhã. Me abriu a cabeça realmente”, declarou.
Amigos e famosos lamentam a perda
Em declaração sobre a morte de Glória Menezes, o assistente pessoal, Tadeu Lima, afirmou que “Dona Glória faleceu hoje (18), por causas naturais, no apartamento dela no Rio de Janeiro, por volta das 14 horas. Tarcisinho estava com ela”, contou o profissional à Quem. Ainda segundo ele, a atriz enfrentou uma pneumonia um tempo atrás, antes de falecer por causas naturais. “Ela pegou pneumonia um tempo atrás. Ia fazer 92 anos. Foram 23 anos trabalhando com a família”, revelou Tadeu.
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Glória Menezes (Foto: reprodução/Instagram/@ gloriamenezesoficial)
Lamentando a perda para a dramaturgia, o presidente Lula comentou a morte de Glória e de outra grande atriz, a Laura Cardoso, que faleceu na última segunda-feira. “Por cerca de sete décadas, elas estiveram presentes em palcos e telas, sempre cativando o público com seu talento e seu carisma. Pioneiras da televisão, deixaram seu legado em dezenas de novelas, além do teatro e do cinema”. O presidente decretou luto oficial de 3 dias.
O ator Antonio Fagundes também lamentou a perda das colegas: “A gente está falando aí da história da teledramaturgia brasileira, né? As duas (Laura Cardoso e Glória Menezes) formaram a televisão brasileira. As duas enfrentaram o seu tempo, um tempo em que ser atriz era uma coisa extremamente complicada. Elas conseguiram se impor, se afirmar, com muito talento, com muita disciplina, com muito humor. Eu me lembro das gravações, eram sempre muito gostosas, tanto com a Laura, quanto com a Glória. E as duas fizeram teatro, as duas fizeram cinema”, disse Antonio.
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Antonio Fagundes lamenta perdas (Foto: reprodução/Instagram/@antoniofagundes)
Lilia Cabral comentou sobre o apoio que Glória deu a ela em sua trajetória: “A Glória me deu a mão quando eu entrei na televisão. Era muito carinhosa comigo, com um respeito e um carinho. Eu tinha sempre muito medo, era muito jovem. Como a gente enfrenta uma televisão que era já a Rede Globo, conhecida no mundo inteiro? Essa atitude da Glória era com todos. Tudo o que ela tinha de generosidade ela tinha de talento. Nunca deixou de inovar, testar, criar.” Bruna Lombardi, Ana Maria Braga, Humberto Carrão., Erika Januza, e diversos atores também demonstraram seus sentimentos em publicações nas redes sociais.
A perda da atriz Glória Menezes é um triste marco para a dramaturgia, que perde uma grande voz. Glória reforçava seu amor pela profissão em cada atuação, e, ao longo de todos esses anos, a atriz construiu uma carreira consolidada e de sucesso. Além de esbanjar seu talento em seus trabalhos, a artista também reforçava seu carisma em entrevistas e falas. Fãs de Glória Menezes, da dramaturgia e pessoas que acompanharam as novelas lamentam a perda de um grande ícone e destacam que grandes referências estão partindo.
