“La Bola Negra” quebra recorde histórico entre filmes espanhóis

O longa registra números históricos de média de bilheteria e se torna o filme espanhol com maior média por sala de todos os tempos

19 out, 2026
Guitarricadelafuente como Sebastian em "La Bola Negra" | Reprodução/X/ @Netflix
Guitarricadelafuente como Sebastian em "La Bola Negra" | Reprodução/X/ @Netflix

Com uma bilheteria média de US$277.500 e uma bilheteria por tela de US$69.375, “La Bola Negra” se torna o segundo filme de língua não inglesa com a maior média por sala de todos os tempos, ficando atrás apenas de Parasita (2019). Além disso, o filme conquistou a maior média por tela da história para filme espanhol no mercado americano. 

Os números foram divulgados pela Netflix, distribuidora do filme, e são evidência do sucesso da obra espanhola, visto que estreou em apenas quatro cinemas americanos e já arrecadou o equivalente a R$6.456.996. 

Dirigido por Javier Calvo e Javier Ambrossi, o filme teve sua direção premiada no Festival de Cannes e está cotado como um forte concorrente para o Oscar 2027, disputando com “A Odisseia”. O filme fica em cartaz nos Estados Unidos por mais 43 dias e depois entra para o catálogo da Netflix, no dia 4 de dezembro.

Uma narrativa que ultrapassa linhas do tempo

Em “La Bola Negra”, o espectador é levado em uma jornada pelo tempo, acompanhando as histórias interconectadas de três homens gays, ambientadas em 1932, 1937 e 2017. A obra utiliza a narrativa queer para resgatar a memória de uma Espanha que por muitos anos ignorou aqueles que a habitam. 

Inspirado na obra teatral inacabada de Federico García Lorca e na peça de Conejero, “La Piedra Oscura”, a trama aborda as diversas complexidades da vivência LGBT e as entrelaça através dos escritos de García Lorca, incorporando a prosa do autor diretamente ao enredo. 


Trailer de “La Bola Negra”. (Vídeo: Reprodução/Youtube/@Netflix)


Em sua estreia no mundo cinematográfico, o cantor Guitarricadelafuente interpreta Sebastián, um artista que, em 1937, acaba sendo sequestrado pelo regime fascista da época após um ataque em sua cidade. Alguns anos antes, em 1932, Carlos, o personagem de Milo Quifes, se afasta da vida artística e busca se associar a um clube da alta sociedade espanhola, onde enfrenta ataques devido a sua sexualidade. E em 2017, em um mundo já muito mais moderno, Alberto, interpretado por Carlos González, começa a investigar o passado de seu avô e acaba descobrindo muito sobre si e sua família no processo.

Além dos três protagonistas, o elenco conta com a presença de Penélope Cruz e Glenn Close, duas mulheres que executam papéis pivotais na narrativa juntamente com Alberto Cortés, que interpreta o próprio García Lorca.

Um tributo à arte espanhola

Frederico Garcia Lorca foi muito mais do que apenas um escritor espnhol, além de ser o autor da obra que inspirou “La Bola Negra”, Lorca foi um dos nomes mais importantes da literatura espanhola do século XX. Seus livros foram amplamente aclamados pela sociedade da época e suas peças teatrais eram altamente cobiçadas. O autor, assim como os personagens do longa, era homossexual e utilizou de sua arte para retratar sua vivências. 

Enquanto estava escrevendo “La Bola Negra”, em 1936, a Espanha entrou em erupção com o início da Guerra Civil e Lorca passou a ser perseguido e acusado de diversos crimes, incluindo sua homossexualidade, o que eventualmente levou à sua execução. Até hoje, não existem dados concretos sobre onde se encontram seus restos mortais, ainda assim, seu legado vive através de sua arte. 

Desta forma, o longa de Javier Calvo e Javier Ambrossi homenageia a memória do artista ao dar continuidade ao que a Guerra Civil interrompeu. A obra que o autor deixou incompleta em 1936, da qual restam apenas poucas páginas, ganha a extensão e o reconhecimento que não pode ter. 

Atualmente, o filme está previsto para entrar no catálogo da Netflix dia 4 de dezembro nos Estados Unidos e no Canadá. Já no Brasil, sua estreia nos cinemas está prevista para o dia 14 de janeiro de 2027, e entrará no streaming Brasileiro assim que o período de exibição do filme se encerrar.

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