Cinebiografia “Michael” vai muito além do moonwalk
Longa retrata desafios do maior astro pop da história ao equilibrar genialidade com conflitos familiares, revelando que o brilho do palco não apaga os bastidores
O drama biográfico inicia contando sobre a infância rígida de ensaios e a agenda estafante de shows em que Michael Jackson era submetido para satisfazer os sonhos de seu pai e liderar os Jackson Five, banda composta por ele e seus quatro irmãos, enfatizando, ainda, os percalços enfrentados por ele até a consolidação de sua brilhante carreira solo, que o galgou como o maior astro pop de todos os tempos. Do mesmo produtor de “Bohemian Rhapsody”, que contou a história de Freddie Mercury e o nascimento do Queen, “Michael” estreia nas telonas dia 23 de abril.
A Dualidade Brilhante
O filme traduz de forma realista a personalidade dúbia do Rei do Pop. Ao mesmo tempo que Michael Jackson era extremamente doce, sensível e lúdico; estava sempre cercado pelos animais e lendo histórias em quadrinho, detinha resiliência e força, que lhe trouxeram ritmo e constância para vencer os conflitos familiares que, não obstante tenham conturbado o início de sua trajetória rumo à carreira solo, não impediram que suas ideias geniais fossem externadas nas composições, coreografias e atuações, nos recém-chegados videoclipes da MTV na década de 1980.
Colman Domingo ficou com o papel do vilão, ao dar vida a Joe Jackson, pai de Michael. Apesar da má fama, Joe teve participação importante e decisiva na carreira de Michael, colocando-o na trilha da disciplina, do sucesso e da fama.
Trailer legendado do Filme Michael (Vídeo: reprodução/YouTube/@UniversalPicturesBRA)
Juliano Valdi interpreta Michael enquanto criança e Jaafar Jackson, filho de Jermaine Jackson, integrante do Jackson Five e sobrinho de Michael, vive o astro na adolescência e fase adulta. A caracterização do ator é impecável; porém, as semelhanças entre Tio e sobrinho são evidentes e ressaltam aos olhos, independentemente deste fato.
Dançante e musical
Apesar de ser uma biografia, em diversos momentos do longa, o público vai cantar e relembrar grandes sucessos do Jackson Five e de Michael, querendo, em alguns momentos, até se levantar para dançar, embalados pelo moonwalk de “Billie Jean” e “Thriller“, cuja coreografia inovou o formato dos videoclipes, ultrapassando fronteiras musicais e se tornando um ícone associado ao Halloween.
Continuação dos conflitos familiares
É certo que Michael enfrentou a ambição desenfreada do pai pela fama e dinheiro e teve de lutar, contratando pessoas especializadas, para colocar um fim na relação profissional com Joe, que empresariava tanto os Jackson Five, como ele.
O pesadelo, contudo, parece continuar além-túmulo, pois a modelo Paris Jackson (28 anos), filha de Michael, não apoia o filme, julgando-o “hollywoodiano” e fantasioso, correndo rumores de desentendimentos entre ela e seus irmãos, Prince Jackson (29 anos) e Bigi Jackson (24 anos), que validam a história e a performance de seu primo na pele do pai.

Ator Jaafar Jackson como Michael Jackson (Foto: reprodução/Universal Pictures)
O filme acena continuação, pois acaba no exato momento em que Michael finalmente consegue se libertar do Jackson Five após a Victory Tour, em 1984, uma turnê que circulou pelos Estados Unidos a contragosto de Michael, que ainda se recuperava de queimaduras de segundo e terceiro graus sofridas em seu couro cabeludo, durante a gravação de um comercial de refrigerante.
