Geopolítica, Tarifas e Redistribuição de Demanda: O Novo Mapa do Luxo Global
Renan Bastos analisa como 2025 expôs a sensibilidade estrutural da relojoaria às forças externas
Em 2026, discutir relógios de luxo exige olhar além das vitrines. O ano de 2025 demonstrou que a alta relojoaria, embora resiliente, é profundamente influenciada por fatores geopolíticos.
Os Estados Unidos permaneceram como maior mercado individual, representando cerca de 17% das exportações suíças. Contudo, a imposição de tarifas provocou volatilidade extrema: queda de 56% nas exportações em setembro, seguida de recuperação após acordo comercial e fechamento positivo no último trimestre.
Para Renan Bastos, o episódio foi pedagógico.
“O luxo é robusto, mas não é imune. Políticas comerciais e logística internacional podem distorcer fluxos e criar picos artificiais seguidos de ajustes bruscos.”
Ao mesmo tempo, a China — que por anos liderou o crescimento do setor — registrou retração de 12% em 2025, acumulando queda próxima de 40% desde 2022. A redução de confiança do consumidor, políticas anticorrupção e menor consumo externo transformaram o país de motor em vetor de pressão estrutural.
Segundo Renan da Rocha Gomes Bastos, essa transição força redistribuição.
“Quando a China desacelera estruturalmente, o mercado é obrigado a diversificar. Isso impacta mix de produto, estratégia de distribuição e até quais referências ganham tração.”
Nesse contexto, Índia e Oriente Médio emergem como polos de crescimento. A Índia avançou 8,9% em 2025 após alta expressiva no ano anterior, enquanto países do Golfo ampliaram participação no consumo de alto padrão.
A consequência é um mercado menos concentrado geograficamente e mais fragmentado em perfil de demanda. Mercados emergentes tendem a alternar entre busca por símbolos clássicos consolidados e apetite por diferenciação.
A lição de 2025 é clara: o luxo é global, mas a demanda é regionalmente sensível. Quem analisa o setor de forma estratégica precisa observar fluxos comerciais, política monetária e comportamento do consumidor com o mesmo rigor que observa lançamentos.
