Ancelotti faz autocrítica após a Copa e confirma renovação da Seleção Brasileira

Técnico italiano admite erros táticos contra a Noruega e anuncia mudança geracional com foco na Copa América de 2028

29 jul, 2026
Carlos Ancelotti técnico do Brasil | Reprodução/Instagram/@mrancelotti
Carlos Ancelotti técnico do Brasil | Reprodução/Instagram/@mrancelotti

Carlo Ancelotti encerrou nesta quarta-feira o ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo na Seleção Brasileira. Em coletiva de imprensa, o técnico italiano reconheceu erros em substituições durante o jogo contra a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo e anunciou ampla renovação geracional focada na Copa América de 2028 como primeiro objetivo do novo trabalho.

Acelotti retornou ao Rio de Janeiro na terça-feira após vinte e quatro dias de reflexão sobre a eliminação. O período foi marcado pela tristeza diante da derrota em torneio mundial. Durante esse tempo, o técnico avaliou o elenco de vinte e seis convocados e os erros táticos cometidos na competição.

Encerramento de uma geração

“Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos”, afirmou Ancelotti.

O técnico já se pronunciou com alguns dos veteranos sobre o fim do ciclo após a Copa. Neymar foi particularmente firme ao falar sobre o encerramento do período com a Seleção. A decisão representa uma transição geracional planejada e não uma reação emocional à derrota contra os noruegueses.

Acelotti deixou claro que não será uma mudança radical no elenco. A ideia é manter jogadores que possam oferecer continuidade ao projeto. “Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos, para dizer um nome. Acho que é importante que fique para dar um sinal de continuidade ao trabalho. Mas a ideia é mudar, botar uma nova geração”, explicou o técnico.


Atacante Neymar Jr (Foto: reprodução/Getty Images Embed/ANGELA WEISS)


Renovação focada em 2028

A Copa América de 2028 é o primeiro objetivo emergencial da Seleção no novo ciclo. O Brasil possui quatro anos para equilibrar a necessidade de renovação com a competitividade exigida para conquistar títulos. Essa janela de tempo permite o desenvolvimento de jovens talentos sem perder a qualidade competitiva necessária.

Acelotti iniciou o processo de mapeamento de novos nomes para a convocação de setembro, quando a Seleção enfrentará Austrália e Índia em amistosos. O objetivo é identificar jogadores que possam integrar o novo projeto nos próximos anos, especialmente aqueles que atacam em profundidade e se alinham com o estilo ofensivo brasileiro.

Há uma conexão forte com a seleção sub-20 e as Olimpíadas de 2028. Desse processo sairão atletas para a próxima Copa do Mundo, em 2026. O desenvolvimento de novos talentos será sistemático e pensado em perspectiva de longo prazo.

Admissão de erros contra a Noruega

“Não foi um período fácil, por causa da tristeza, da decepção da derrota. É uma derrota diferente, porque é uma derrota em uma Copa do Mundo”, disse Ancelotti.

Acelotti reconheceu falhas nas substituições durante a partida contra a Noruega. As mudanças ocorreram após uma parada para hidratação e alteraram significativamente o equilíbrio do jogo. Danilo e Neymar entraram no lugar de Martinelli e Rayan, enquanto Endrick foi deslocado para a ponta. Matheus Cunha também saiu do campo durante essa sequência de alterações.

O técnico buscava retomar o controle do jogo com a entrada de Neymar. A intenção era adicionar qualidade no ataque para buscar a vitória em um jogo eliminatório. No entanto, as mudanças produziram o efeito oposto.

“Acho que ali mudou algo no time. Perdemos um pouco o controle pelo lado. Com a entrada do Neymar, eu pensava em retomar o controle do jogo”, reconheceu Ancelotti.

O técnico ressaltou que não é correto avaliar um trabalho apenas pelo resultado final. A derrota contra a Noruega foi decepcionante, mas ele considera que a trajetória realizada durante um ano foi bem executada. A eliminação não invalida o trabalho anterior.


Brasil e Noruega na Copa do Mundo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Buda Mendes)


Modelo tático e características ofensivas

O Brasil teve apenas trinta por cento de posse de bola contra a Noruega, enquanto os adversários dominaram em seu próprio campo. Ancelotti defende que a posse não é o indicador mais importante para vencer jogos. Diferentes modelos táticos podem levar ao sucesso.

Espanha venceu a Copa do Mundo recentemente com muita posse de bola e possui sete meio-campistas entre os melhores do mundo. O Brasil, por sua vez, conta com jogadores com características ofensivas diferentes. Vinicius Junior, Endrick e Estêvão atacam em profundidade, aspecto que define o estilo da Seleção.

Raphinha também é um atacante com características ofensivas marcantes. O modelo deve explorar esse padrão com um jogo mais vertical, aproveitando os atacantes que possuem velocidade e capacidade de penetração. Essa filosofia difere do modelo europeu baseado em posse prolongada.

Acelotti levou três goleiros experientes para a Copa: Alisson, Ederson e Weverton. Ele pretende observar novos goleiros no processo de renovação. Há talentos jovens no Campeonato Brasileiro para avaliar nessa posição.

Luiz Henrique teve poucos minutos porque é um jogador muito específico para a dinâmica que o técnico buscava. Rayan foi escolhido quando Raphinha se lesionou e desempenhou bem contra Haiti, Escócia e Japão. A decisão refletiu o contexto de cada partida e as necessidades táticas.

Houve desentendimento sobre a lesão de Neymar. O Santos informou que o jogador estaria pronto para treinar em vinte e sete de maio, mas exame realizado pela Seleção indicou que precisaria de um mês de recuperação. Neymar não teve possibilidade de se preparar como os demais convocados.

Mesmo assim, Ancelotti nunca considerou substituir Neymar. O jogador tinha condição de ficar bem para a competição e se portou bem contra a Noruega. A confiança no atleta se manteve até o fim.

Acelotti passou a receber mais críticas após a eliminação. Ele afirma que a crítica às vezes o deixa mais atento e motivado para o futuro. O foco agora está em melhorar, levando em conta os erros do passado e as lições aprendidas.

O técnico está convencido de que o trabalho realizado durante um ano foi adequado. Os vinte e seis jogadores convocados eram os indicados para a Copa do Mundo. O processo de renovação com jogadores jovens será promissor para os próximos ciclos.

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