Messi joga em Miami com a Argentina embalado por marcas históricas na carreira
Após ultrapassar a barreira dos 900 gols oficiais, o craque entra em campo na cidade americana que transformou em seu novo quintal
A Argentina não teve sensação de atuar como visitante durante a Copa do Mundo. Nas três partidas da seleção na disputa, os estádios estiveram repletos de torcedores vestidos de azul e branco. Em Miami, às 19h desta sexta-feira (03), a situação não deve ser distinta, embora possa ganhar um ingrediente a mais. Além da expectativa de ter o estádio tomado por “hermanos” no confronto contra Cabo Verde pela segunda fase do torneio, Messi estará na cidade onde joga pelo Inter Miami, equipe que o aproxima do milésimo gol da carreira.
Miami se tornou o lar de Messi em junho de 2023, quando ele deixou o Paris Saint-Germain para fechar contrato com o Inter Miami, franquia da Major League Soccer (MLS), a liga norte-americana de futebol. O clube, fundado em 2018, conta com David Beckham entre seus sócios.
A transferência ocorreu um semestre após Cristiano Ronaldo ter se transferido para o Al-Nassr, da Arábia Saudita. Foi o encerramento de um ciclo do futebol europeu que vinha sendo dominado pelos dois astros. Muitos interpretaram a mudança como o início da aposentadoria de Messi. A passagem pelo PSG não proporcionou grandes feitos e acabou marcada mais por notícias negativas de bastidores e conflitos do que por troféus. Miami parecia o refúgio de luxo ideal para o fechamento de uma carreira brilhante.
O protagonista da Liga Americana
Se essa era a intenção de Messi, algo mudou durante o voo que cruzou o Atlântico. Além do próprio argentino, Suárez, Jordi Alba e Busquets, ex-companheiros do Barcelona, também assinaram com o Inter Miami. O clube apostou em combinar jovens com os veteranos em uma estratégia que deu certo. Nos últimos três anos, conquistou três títulos: a Leagues Cup em 2023, a Supporters’ Shield em 2024 e a MLS Cup em 2025. No ano passado, participou da Copa do Mundo de Clubes.
A MLS é uma liga que vem se consolidando há décadas paralelamente ao futebol dos Estados Unidos. Jogadores surgem no país ou são contratados ainda jovens por clubes sul-americanos. Um caso na seleção argentina é Thiago Almada, ex-Botafogo, que acertou com o Atlanta United aos 20 anos. A partir dali, conquistou um título pelo clube carioca, faturou a Copa do Mundo e em seguida rumou para o futebol europeu.
Messi no Inter Miami (Foto: Reprodução | Getty Images Embed / Johnni Izquierdo)
Boa parte desse crescimento provém do aporte financeiro de investidores, como David Beckham, que atraem astros do porte de Lionel Messi. Mesmo assim, a competição enfrenta dificuldades para superar os vizinhos mexicanos. No século, o único time dos EUA que levantou a Liga dos Campeões da Concacaf (equivalente à Champions League e à Libertadores) foi o Seattle Sounders, em 2022. Ao todo, 22 taças foram para o México e duas para a Costa Rica.
O Inter Miami contava avançar esse degrau com Messi. Para um clube tão recente, os resultados têm sido animadores, especialmente considerando o apelo de marketing em torno do camisa 10. Messi virou um fenômeno de mídia em uma cidade voltada ao turismo. Contudo, os números do argentino não se limitam ao que ocorre fora das quatro linhas. Mesmo no que muitos consideram ser a fase final da carreira, segue anotando gols sem parar.
Próximo objetivo, os 1000 gols
Fim de carreira para Messi? De jeito nenhum! Em 104 jogos pelo Inter Miami, balançou as redes 90 vezes e deu 52 assistências. Messi atingiu o gol de número 900 em março, justamente vestindo a camisa do clube norte-americano. Além disso, renovou seu contrato com o clube do inglês David Beckham até o fim de 2028 e mira o milésimo gol em sua carreira, juntamente de Cristiano Ronaldo, seu grande rival por toda a carreira.
Messi após marcar contra a Jordânia (Foto: Reprodução | Getty Images Embed / Ryan Pierse – FIFA)
Campeão mundial em 2022 com a Argentina, vive uma etapa mais tranquila na seleção. Atua sem o peso do jejum de taças ou da derrota em 2024. Messi, nas três primeiras partidas da Copa do Mundo de 2026, parecia um jovem que deslumbrava o planeta pela primeira vez. Entretanto, isso não é novidade: Messi impressiona há 20 anos e não demonstra sinais de cansaço. Seis gols em apenas três jogos, tornando-se o maior artilheiro das Copas do Mundo, com 19 gols marcados, e inúmeros recordes superados. Caso anote novamente, Messi alcançará os sete gols que registrou em 2022, quando faturou o título. Nesta sexta-feira, às 19h, Cabo Verde corre o risco de ser o próximo alvo do genial atacante.
