Cristiano Ronaldo é suspenso da seleção de Portugal por abandono
Processo foi classificado como urgente e encaminhado à Comissão de Instrução Disciplinar. Em comunicado, o atacante acusa Jorge Jesus de descumprimento de acordo
Cristiano Ronaldo foi suspenso oficialmente pela Federação Portuguesa de Futebol neste sábado, 10 de outubro de 2026, após abandonar o estágio da seleção. O procedimento disciplinar começou em 9 de outubro e recebeu classificação de urgente, sendo imediatamente direcionado à Comissão de Instrução Disciplinar. O episódio ocorreu após o atleta de 41 anos deixar a concentração no dia 30 de setembro, véspera do confronto com a Dinamarca pela Liga das Nações 2026/27, segundo o GE.
A saída aconteceu em meio a desentendimentos com o técnico Jorge Jesus. Ronaldo havia ficado no banco de suplentes na vitória contra a Noruega, aqueceu durante aproximadamente 30 minutos e permaneceu sem ser acionado. O ocorrido levou o jogador a abandonar o acampamento sem comunicação prévia, desencadeando o processo disciplinar pela federação.
Antes de retornar ao país onde atua profissionalmente, Ronaldo voltou a jogar pelo Al-Nassr na sexta-feira anterior, marcando seu gol número 980 no triunfo por 3 a 0 sobre o Diriyah pela oitava rodada do Campeonato Saudita. O jogador aguardou o encerramento da Data Fifa para divulgar sua versão dos acontecimentos.
A determinação da suspensão
A Federação Portuguesa informou que “Sem prejuízo da suspensão preventiva automática a que esteve sujeito até à data da instauração, foi determinada a suspensão preventiva não automática do jogador e atribuída natureza urgente ao processo”.
Conforme o Artigo 160 do regulamento disciplinar da FPF, a punição prevista varia entre um e seis meses de afastamento para atleta convocado que deixa atividades da seleção sem motivo justificado, acrescida de multa entre 500 e 1.000 euros. O resultado final permanece em fase de instrução, com prazo e duração a serem definidos pela Comissão de Instrução Disciplinar.
Cristiano Ronaldo (Foto: reprodução/Facebook/Sportv)
A divulgação pública do procedimento foi impedida até a conclusão das investigações. O trâmite obedece aos protocolos internos da federação e culminará em parecer da comissão antes da sentença final.
O relato de Cristiano Ronaldo
Em comunicado enviado ao GE, Ronaldo expôs sua perspectiva dos fatos, alegando que Jorge Jesus descumpriu acordos estabelecidos. Segundo o atacante, após a Copa do Mundo de 2026, o Presidente da Federação solicitou e reiterou que continuasse na seleção. Ronaldo respondeu que Jesus seria a escolha apropriada e manifestou satisfação com seu nome.
Jesus pediu encontro pessoal com Ronaldo na Cidade do Futebol, onde o Al-Nassr realizava trabalho de pré-temporada. Durante a conversa, o treinador afirmou contar com o jogador e destacou que sua participação era essencial. Jesus traçou um plano: o atacante disputaria o primeiro e o último jogo, com variações entre três e quatro alterações por partida.
Nesse diálogo, Jesus sugeriu a Ronaldo não deslocar-se para Noruega e Dinamarca, propondo que participasse apenas do primeiro confronto e permanecesse em Portugal, antes do jogo do Dragão. Ronaldo rejeitou a proposta de imediato. Simão Coutinho, diretor de esportes do Al-Nassr, esteve presente na conversa.
Na véspera do estágio iniciar, Jesus compareceu à residência de Ronaldo em Lisboa. Conforme o comunicado, o encontro foi tranquilo e todos os termos acertados em agosto foram mantidos. Ronaldo entrou em campo no jogo de Alvalade e foi substituído. Transferiu a braçadeira de capitão para Bruno Fernandes.
No dia do confronto na Noruega, ao meio-dia, um auxiliar técnico avisou Ronaldo que Jesus desejava falar com ele. O técnico perguntou se o atacante estava em condições de atuar por 30 minutos. Ronaldo estava dedicado à recuperação e imaginava que não entraria. Confirmou que sim, e Jesus reafirmou que o colocaria em campo pelos 30 minutos combinados.
“Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria”, afirmou Jorge Jesus no comunicado que Ronaldo validou.
Ronaldo aqueceu desde o intervalo, observou o tempo passar e não foi chamado. Afirmou que Jesus havia falhado com ele. Após o término da partida, Ronaldo não foi cumprimentar os adeptos e pediu desculpas aos portugueses presentes.
Depois de dois dias, mantiveram conversa profunda e direta. Concordaram que havia um único caminho para resolver: Jesus repetir publicamente o que havia falado em privado. O técnico deveria abrir a coletiva de imprensa contando a verdade.
Ocorreu encontro entre Jesus, Simão Coutinho e Tiago Craveiro por videoconferência. Foi elaborado um documento que Ronaldo validou. Na coletiva, porém, o atacante percebeu tom e agressividade que considerou desmerecidos, interpretando uma postura de “quero, posso e mando” nunca demonstrada nas conversas anteriores.
Os apontamentos que Ronaldo validou incluíam que Jesus havia proposto o esquema, que Ronaldo jamais questionou as escolhas e que Jesus errou ao deixá-lo aquecendo. Nenhuma das notas continha pedido de desculpas. Ronaldo optou por deixar o acampamento sem aguardar novo descumprimento.
Ronaldo conversou com o Presidente da FPF e Jesus na manhã da coletiva, reafirmando que, caso não o quisessem ali, bastaria ser franco. Garantiu que preparariam algo construtivo e ninguém sairia insatisfeito. Ambos responderam que não, que seu lugar era na Seleção Nacional.
Em quase 25 anos de trajetória, Ronaldo afirmou nunca ter se imiscuído em qualquer decisão técnica ou tática. Aceita o que lhe propõem e respeita as opções. Quando descumprem compromissos com ele, sente que seu espaço não é ali.
Pediu desculpas aos colegas de seleção por ter deixado o estágio. Declarou que a responsabilidade é exclusivamente dele e que o descumprimento teve papel determinante. Entendeu que sua permanência prejudicaria o funcionamento do grupo.
“A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante”, declarou Ronaldo.
“Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos”, acrescentou.
Ronaldo reafirmou que, se estiver bem fisicamente e atuando regularmente no seu clube, após cumprir a suspensão, colocará sua disponibilidade à disposição da seleção. Disse que sempre permaneceu pronto para competir e vencer pela seleção portuguesa.
