Entenda por que GP de Singapura é chamado de “Mônaco noturno”
Circuito de Marina Bay reúne luxo, desafio e características que lembram a tradicional pista de Monte Carlo, com muita história e tradição na Fórmula 1
O Grande Prêmio de Singapura, que será realizado neste domingo no circuito de rua da Marina Bay, foi a primeira etapa noturna da história da Fórmula 1. Mesmo tendo estreado em 2008, essa corrida passou a ser comparada rapidamente em vários aspectos com um clássico da categoria, o GP de Mônaco, prova disputada desde 1929, antecedendo a criação do campeonato em 1950.
Uma das primeiras semelhanças é justamente a localização: ambos os traçados cercam uma marina, o de Mônaco, bem mais curto e tradicional, tem os iates como parte da paisagem de Monte Carlo. Em Singapura, fãs também acompanham as voltas de barcos na Marina Bay, embora a pista seja consideravelmente mais longa: quase cinco quilômetros, ante 3,3 km em Mônaco.
Outra semelhança é em relação as localidades da corrida. Tanto Mônaco quanto Singapura são vistas como cidades-estados, e estão na lista dos menores países do planeta, Mônaco é, na realidade, o segundo menor, abrangendo pouco mais de dois quilômetros quadrados e tendo aproximadamente 40 mil moradores, ficando atrás apenas do Vaticano. Por sua vez, Singapura é consideravelmente maior, com cerca de 6 milhões de residentes e uma extensão de 730 quilômetros quadrados, mas também está entre os 20 países com menor área territorial no mundo.
As duas corridas mais lentas da Fórmula 1
Por se tratarem de circuitos urbanos, tanto Singapura quanto Mônaco oferecem alguns dos segmentos mais lentos de todo o calendário da F1. Nos últimos anos, porém, a categoria tem priorizado traçados de rua com trechos mais rápidos, como Madri, Jeddah e Las Vegas, que figuraram entre os últimos GPs incluídos no Mundial.
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Últimos campeões do GP (Foto: Reprodução / Instagram / @f1)
Mas, no caso de Singapura, muitos segmentos ainda apresentam curvas de 90 graus percorridas em segunda marcha, o que faz com que seja uma das poucas pistas do ano cuja velocidade média de um F1 fica abaixo de 200 km/h por volta. O recordista de pista mais lenta, claro, é justamente Mônaco. Em pontos específicos, como a curva do Hotel Fairmont, um cotovelo de 180 graus, a velocidade dos carros chega a cerca de 50 km/h.
A dificuldade de se manter próximo ao muro constantemente
Pelo formato de circuito urbano, Singapura e Mônaco representam dois dos mais difíceis desafios do ano em termos de pilotagem no calendário da F1. Não surpreende que seja uma pista onde as equipes evitam escalar novatos para cumprir a regra dos treinos de jovens pilotos, justamente pelo alto nível de dificuldade do traçado, o qual só é liberado para competição na F1.
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Imagens do GP de Singapura a noite (Foto: Reprodução / Instagram / @f1)
Além de inexistirem sessões de treinos específicas, a proximidade com o muro e o guardrail obriga os pilotos a assumirem riscos consideráveis para tirar o máximo desempenho do carro, circundando-o a poucos centímetros de uma batida. No caso de Singapura, o desafio se agrava pela elevada temperatura, já que a cidade fica próxima à linha do Equador, com termômetros marcando mais de 30ºC mesmo à noite. Os pilotos frequentemente classificam este GP como um dos mais desgastantes do ano.
Classificação importante e prova sprint como novidade
Mônaco e Singapura compartilham uma similaridade na questão da classificação: iniciar bem na F1 é sempre crucial, porém nesses dois autódromos, estar na primeira posição no grid pode assegurar a vitória, uma vez que, desde 2008, ocorreram 16 corridas em Singapura, e em 11 delas, o piloto que largou na pole triunfou.
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Performance de Max Verstappen no GP de Singapura (Foto: Reprodução / Instagram / @f1)
Uma informação interessante é que neste ano, a pista irá receber a corrida sprint pela primeira vez, mudando a dinâmica do fim de semana em comparação aos anos anteriores, e isso pode servir como uma antecipação do que teremos no GP de Mônaco em 2027, que também contará com a corrida sprint a partir da próxima temporada.
Luxo e hotéis 5 estrelas ao redor da pista
Assim como acontece em Mônaco, o Grande Prêmio de Singapura é um dos eventos mais concorridos do ano para aqueles que desejam sofisticação, opulência e glamour fora da corrida, a presença de celebridades no paddock é frequente. O custo da hospedagem em hotéis que permitem acesso a pé ao circuito costuma ser elevado, especialmente em locais cujos quartos e áreas de lazer possuem vista direta para a pista, como é o caso do Marina Bay Sands, onde a equipe da Ferrari se aloja.
Para passar o fim de semana durante o GP, os gastos geralmente superam os R$ 80 mil para um quarto padrão, na mínima opção de pacote com quatro noites. Já as acomodações mais exclusivas podem ultrapassar R$ 560 mil, incluindo refeições em estabelecimentos de chefs renomados que possuem estrelas Michelin. Esses preços apenas se comparam aos dos clássicos hotéis de Mônaco, como o Metropole e o Hotel de Paris.
