Flamengo quebra recorde e anuncia retorno de Lucas Paquetá ao clube
Negociação com o West Ham envolve cifras históricas e reforça planejamento financeiro e esportivo do rubro-negro para as próximas temporadas
O Flamengo oficializou a contratação do meio-campo Lucas Paquetá e estabeleceu um novo marco no mercado do futebol brasileiro. Para repatriar o jogador de 28 anos, o clube acertou o pagamento de 41,2 milhões de euros ao West Ham, da Inglaterra, valor que corresponde a cerca de R$ 260 milhões na cotação atual e se tornou o maior já desembolsado por uma equipe do país em uma única transação.
O retorno do atleta ao Ninho do Urubu acontece quase dez anos após sua saída para a Europa e simboliza uma aposta robusta do rubro-negro em reforços consolidados internacionalmente. Revelado pelo Flamengo, Paquetá volta ao clube que o projetou ao futebol mundial em um momento de maturidade técnica e tática, com passagem por ligas de alto nível e experiência em competições continentais.
Trajetória europeia e valorização no mercado
Lucas Paquetá deixou o Flamengo em 2018, quando foi negociado com o Milan por 38 milhões de euros, em uma transferência que, à época, também contou com interesse do Paris Saint-Germain. Na Itália, o meio-campista permaneceu por duas temporadas antes de ser adquirido pelo Lyon, da França, por 20 milhões de euros, em 2020.
Na equipe francesa, o brasileiro recuperou protagonismo, ampliou sua versatilidade em campo e voltou a despertar atenção de grandes clubes. O bom desempenho o levou à Premier League, onde o West Ham investiu 61,63 milhões de euros — incluindo bônus — para contratá-lo por cinco temporadas. Na Inglaterra, Paquetá chegou a entrar nos planos do Manchester City, comandado por Pep Guardiola, mas as negociações foram interrompidas após denúncias de suposta manipulação de apostas esportivas.
O jogador, no entanto, foi inocentado no ano passado por uma comissão independente do futebol inglês, o que reabriu caminho para sua valorização no mercado e, posteriormente, viabilizou o acordo com o Flamengo.
Paquetá atuando pelo West Ham da Inglaterra (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Rob Newell – CameraSport)
Acerto financeiro e estratégia orçamentária
A negociação entre Flamengo e West Ham se arrastou nos últimos dias, principalmente por divergências em relação ao modelo de pagamento. O impasse foi resolvido após o clube carioca apresentar uma proposta de parcelamento considerada viável pelos ingleses, com o pagamento distribuído em uma parcela anual: valores proporcionais em 2026 e 2027, e uma quantia ligeiramente menor em 2028.
A diretoria rubro-negra argumentou que esse formato garante o cumprimento integral do acordo sem comprometer o fluxo de caixa do futebol. A projeção de receita de aproximadamente R$ 1 bilhão para 2026 já contempla a quitação de parcelas referentes a outras contratações recentes, como Samuel Lino, Emerson Royal e Plata.
Diante desse cenário, o presidente Luiz Eduardo Baptista orientou o departamento de futebol a manter todas as parcelas dentro do orçamento destinado a reforços, sem a necessidade de negociar atletas considerados fundamentais para equilibrar as finanças do clube.
Presidente Luiz Eduardo do Flamengo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Hector Vivas)
Impacto esportivo e montagem do elenco
Além do peso financeiro, a chegada de Paquetá influencia diretamente o planejamento esportivo. A diretoria vê a versatilidade do meio-campista como um diferencial estratégico, o que reduz a urgência por novas contratações para o setor. Capaz de atuar como segundo homem de meio-campo, o jogador amplia as opções do elenco e afasta a busca imediata por mais um volante.
Atualmente, o Flamengo trabalha com um grupo formado por Pulgar, Everton Araújo, De La Cruz, Saúl e Jorginho. Allan aparece como uma alternativa negociável, enquanto Paquetá surge como opção adicional em diferentes cenários. Danilo, do Botafogo, chegou a ser oferecido, mas as conversas não avançaram.
Sob o comando de Filipe Luís, o time também tem explorado soluções mais ofensivas no meio-campo. Nesse contexto, Paquetá pode ser utilizado não apenas como meia central ou volante recuado, mas também pelas pontas e até como falso nove, com mobilidade e chegada à área.
Essa flexibilidade explica a menor pressa do Flamengo em buscar um centroavante de maior porte físico, especialmente após a recusa do Cruzeiro em negociar Kaio Jorge por valores superiores a 30 milhões de euros. Ainda assim, o clube segue atento ao mercado em busca de um nome que possa disputar posição com Pedro ao longo da temporada.
