Flamengo planeja usar uniforme para protesto contra MP das ‘bets’ durante jogo contra o Santos

Frase “Proibir não é proteger” integra campanha de associações do setor de bets contra a Medida Provisória editada pelo governo

06 out, 2026
Jogadores do Flamengo reunidos antes de partida da equipe | Reprodução/Instagram/@flamengo
Jogadores do Flamengo reunidos antes de partida da equipe | Reprodução/Instagram/@flamengo

O Flamengo estuda entrar em campo contra o Santos com a frase “Proibir não é proteger” estampada na camisa, em protesto contra a Medida Provisória que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil. A informação foi confirmada pelo jornal Lance! após divulgação inicial do influenciador Lucas Jornal.

A mensagem não é inaugural. Ela ganhou espaço nas placas de publicidade do clássico entre São Paulo e Santos no Morumbis e também em Atlético-MG contra Bragantino, já como manifestação contra a medida. A expressão faz parte de um manifesto elaborado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). “Proibir não é proteger”

Proibição das bets

A Medida Provisória nº 1.394/2026 foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. Ela proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país, incluindo apostas esportivas e jogos online. Tem força de lei desde a publicação, mas ainda carece de análise pelo Congresso Nacional.


 

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Flamengo (Foto: reprodução/Instagram/@hugogloss)


O impacto no futebol é direto. Quando a MP foi publicada, 14 dos 20 clubes da Série A tinham empresas do segmento de apostas como patrocinadoras master, segundo o Lance!. Esses clubes precisam retirar as marcas de seus uniformes dentro do prazo estabelecido pela medida. A vigência inicial é de 60 dias, com possibilidade de uma única prorrogação pelo mesmo período caso a votação não seja concluída.

O governo afirma que a medida integra ações voltadas ao combate ao endividamento das famílias e aos problemas relacionados aos jogos de aposta. As entidades do setor, por sua vez, se posicionam contra a proibição e defendem que a retirada das plataformas legalizadas não eliminaria as apostas. Segundo a avaliação apresentada pela ANJL e IBJR, a medida poderia levar os apostadores para sites clandestinos, que não estão submetidos às mesmas regras de fiscalização e proteção. O manifesto também cita o risco de crescimento do mercado ilegal.

As entidades propõem alternativas como fiscalização mais rigorosa, limites para depósitos e tempo de uso, e regras mais rígidas para publicidade. Entre os mecanismos já existentes no mercado regulado citados pelas associações estão verificação de idade e CPF, autoexclusão e restrições para beneficiários de programas sociais.

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