Flamengo corta repasses a intermediários e agentes protestam

Empresários pressionam CBF após Flamengo anunciar reorganização financeira e adiamento de comissões, pedindo inclusão no sistema de fair play financeiro

18 jul, 2026
Bandeirinha Escanteio | Reprodução/Instagram/@flazoeiro_oficial
Bandeirinha Escanteio | Reprodução/Instagram/@flazoeiro_oficial

A Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) enviou um ofício à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) pedindo a inclusão dos empresários no Sistema de Sustentabilidade Financeira, mecanismo de fair play criado pela CBF em 2026.

O documento, assinado por 41 agentes, cita atrasos no pagamento de comissões e aponta preocupação com a situação, destacando que o Flamengo, mesmo sendo considerado o clube de melhor saúde financeira do futebol brasileiro, também enfrenta esse tipo de problema.

Empresários pressionam CBF

A mobilização dos empresários para serem incluídos no Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF não é recente, mas ganhou força após a Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) reforçar o pedido devido à alegada reorganização financeira do Flamengo. Atualmente, agentes podem cobrar valores em atraso pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF ou pela Justiça Comum. Com a possível inclusão no fair play financeiro, os empresários também poderiam acionar a Anresf, aumentando o risco de punições esportivas aos clubes inadimplentes.

O Flamengo informou aos empresários que identificou a necessidade de renegociar e reprogramar pagamentos de comissões previstos até o fim de 2026. O clube, que costuma pagar 7% do valor das negociações como comissão, comunicou que os valores pendentes deste ano serão transferidos para 2027, ainda sem apresentar um novo calendário de quitação.

Em resposta, o presidente Luiz Eduardo Baptista afirmou que as renegociações fazem parte de uma revisão de contratos e destacou que o Flamengo mantém credibilidade no mercado por cumprir seus compromissos, mas busca ajustar acordos considerados desfavoráveis pela diretoria.


Empresários recorrem à CBF (Foto: Reprodução/X/@futebol_info)


Flamengo adia comissões pela segunda vez

Esta não é a primeira vez que o Flamengo enfrenta problemas com empresários por conta do pagamento de comissões. No início do ano passado, o clube já havia adotado uma estratégia semelhante, adiando repasses para preservar o fluxo de caixa no começo da gestão de Luiz Eduardo Baptista, que assumiu a presidência com aproximadamente R$ 3 milhões disponíveis. Agora, a medida volta a acontecer em um momento de maior cautela no mercado, já que a diretoria considera o alto investimento na contratação de Lucas Paquetá, avaliada em R$ 315,7 milhões, um fator que limita novos movimentos financeiros na busca por reforços.

A Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) voltou a pressionar pela inclusão dos empresários no fair play financeiro da CBF e classificou a situação como urgente após o Flamengo comunicar a renegociação e reprogramação de comissões previstas até o fim de 2026. A entidade argumenta que, se até o clube considerado mais sólido financeiramente do país precisa reorganizar pagamentos já acordados, o risco para equipes em situação financeira mais delicada pode ser ainda maior.

O impasse entre o Flamengo e os empresários reforça o debate sobre a necessidade de maior proteção aos agentes dentro das regras de sustentabilidade financeira do futebol brasileiro. Enquanto o clube defende que as renegociações fazem parte de uma estratégia de equilíbrio das contas, a Abaf busca incluir os representantes no sistema de fiscalização da CBF para garantir maior segurança no cumprimento dos contratos. O caso pode abrir uma nova discussão sobre a relação entre clubes e empresários, principalmente em um cenário de maior controle financeiro no futebol nacional.

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