Fluminense vive crise e Zubeldía não é o único culpado
Crise chega ao Fluminense, diretoria também é culpada, mas Zubeldía assume responsabilidade pelos oito jogos sem vencer e pressão aumenta no Tricolor
O Fluminense novamente deixou a desejar na Libertadores, intensificando as cobranças sobre o desempenho de Luis Zubeldía. O placar de 0 a 0 contra o Independiente Rivadavia, jogando no Maracanã, complicou bastante a situação do time nas oitavas de final. Indo além do placar, o modo como a equipe jogou evidenciou mais uma vez as falhas que têm surgido constantemente nos últimos jogos. No entanto, a culpa pela crise não recai unicamente sobre o comandante.
Crise tricolor vai além do treinador
O Fluminense está enfrentando um período bastante complicado na temporada. O empate sem gols contra o Independiente Rivadavia, no Maracanã, no primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores, intensificou a pressão sobre o time e deixou em evidência uma série de dificuldades que já vinham sendo notadas em partidas anteriores. Embora o resultado mantenha o confronto em aberto, o desempenho em campo gerou preocupação novamente.
Com mais este tropeço, o time acumula oito jogos seguidos sem conquistar uma vitória, uma sequência que abrange partidas do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil e da Libertadores. No entanto, os problemas não se limitam apenas aos resultados. A equipe tem lutado para transformar a posse de bola em chances claras de gol, além de demonstrar pouca criatividade e hesitação quando precisa acelerar o jogo.
Diante do Independiente Rivadavia, o Fluminense dominou a posse de bola na maior parte do tempo, mas falhou em ditar o ritmo esperado. A circulação da bola ocorreu principalmente pelos lados do campo, enquanto faltaram movimentação e opções para furar a defesa adversária. Paralelamente, erros de passe e decisões erradas abriram brechas para contra-ataques perigosos.
Essa atuação também reforçou a percepção de que o time perdeu confiança. Em alguns momentos, os jogadores optaram por passes mais seguros e para trás, mas a dificuldade em progredir fez com que o time se tornasse previsível. O adversário, por sua vez, soube capitalizar os erros e chegou a criar situações de perigo, fazendo com que o empate fosse visto como um resultado menos ruim, considerando o que foi apresentado.
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O time do Fluminense entrando em Campo pela Copa Libertadores (Vídeo: reprodução/Instagram/@libertadoresbr)
Zubeldía é parte da questão, mas não o único culpado
A pressão sobre Zubeldía aumentou justamente porque o treinador ainda não conseguiu definir uma escalação que traga estabilidade ao Fluminense. Mudanças de jogadores e ajustes táticos não foram suficientes para que a equipe mostrasse uma evolução consistente. A falta de respostas em campo, naturalmente, coloca o comandante no centro das críticas, especialmente quando a sequência sem vitórias se prolonga.
Ainda assim, culpar apenas o técnico seria simplificar uma crise que afeta diversas áreas. O próprio cenário do Fluminense indica problemas no desempenho individual, na formação do elenco e na capacidade do grupo de reagir durante as partidas. O treinador tem sua parcela de responsabilidade nas escolhas e no funcionamento da equipe, mas os jogadores também precisam entregar um desempenho à altura do que se espera.
A formação do elenco também entra em pauta. Ao longo da temporada, novos jogadores chegaram ao clube com a promessa de suprir carências, mas nem todos entregaram o impacto esperado. Isso sobrecarrega os atletas que já estavam no grupo e torna algumas posições excessivamente dependentes de determinados jogadores. Quando essas opções não funcionam, a equipe perde sua capacidade de se recuperar.
Ainda vivemos um período particularmente delicado, pois o Fluminense se depara com uma questão que vai além de um incidente isolado. A falha na criação de jogadas, os passes imprecisos, a carência de autoconfiança e a ineficácia no ataque se manifestam de modo frequente. Para reverter essa conjuntura, mais do que uma simples mudança pontual na escalação será exigido: o clube, a equipe técnica e os atletas deverão assumir seus papéis.
No torneio continental, o quadro continua em aberto. O placar inalterado no Maracanã indica que um triunfo simples como visitante pode levar o Fluminense às quartas de final. Contudo, o histórico recente impõe uma visão prudente quanto à classificação. Antes de se concentrar unicamente no oponente, o Tricolor necessita resgatar sua própria performance e demonstrar que ainda detém as condições de responder no momento crucial.
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Luís Zubeldía dando entrevista após o jogo (Vídeo: reprodução/Instagram/@fluminensefc)
A situação difícil, então, não recai unicamente sobre Zubeldía. Embora o técnico precise achar saídas e elevar o nível de jogo do time, a virada não virá sem um esforço conjunto. Diante da iminência da Libertadores e de um jejum de vitórias que só aumenta, é urgente que o Fluminense converta a pressão em atitude efetiva no gramado.
