Fórmula 1 discute mudanças no regulamento de 2026 após críticas de pilotos
Reunião entre FIA, equipes e fabricantes aprova primeiros ajustes para reduzir perda de velocidade e melhorar competitividade nas próximas corridas
Nesta segunda-feira (20), a Fórmula 1 reuniu os chefes das equipes, representantes da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), executivos da categoria e os fabricantes de motores para debater sobre as alterações necessárias no regulamento. Isso, por conta das fortes críticas que os pilotos estão fazendo em relação à competitividade e segurança dentro do esporte após as mudanças.
A temporada de 2026 inicia uma nova era na Fórmula 1, que implementa carros menores, aerodinâmica ativa e uma divisão praticamente equilibrada entre potência elétrica e motor a combustão. No entanto, o novo conceito tem gerado reclamações entre os pilotos, que apontaram dificuldades para gerenciar a energia ao longo das voltas, com questionamentos sobre a perda de potência repentina do motor e disputas artificiais.
Segurança no centro da discussão
Desde a apresentação do regulamento para o ano de 2026, muitos debates sobre a diferença de velocidade entre carros em momentos distintos de recuperação de energia começaram entre a mídia especializada. Com o início da temporada, os pilotos passaram a tecer críticas mais firmes em relação às mudanças, com Max Verstappen, Carlos Sainz e Lando Norris sendo os nomes principais do descontentamento.
Por causa das alterações, os pilotos precisaram mudar o jeito de dirigir e adotar algumas medidas, como “lift and coast”, técnica em que aliviam o acelerador antes das curvas para que o motor a combustão contribua na recarga da bateria. Outro desafio para os atletas é o “superclipping”, situação em que o sistema transfere automaticamente energia do motor para a bateria, provocando perda de velocidade mesmo com o acelerador pressionado ao máximo.
O questionamento sobre a segurança da Fórmula 1 ganhou ainda mais força após o GP do Japão, em que o piloto da Haas, Oliver Bearman, sofreu um acidente grave de 50G (50 vezes a força da gravidade), ocasionado pela diferença de velocidade do carro que vinha à sua frente, do argentino Franco Colapinto, da Alpine, que estava cerca de 50 km/h mais lento na entrada da Spoon. Bearman desviou de Colapinto e perdeu o controle do carro a 308 km/h. O inglês saiu mancando do cockpit, mas, depois de uma avaliação médica, não foram constatadas lesões sérias.
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Acidente de Oliver Bearman no GP do Japão (Vídeo: reprodução/Instagram/@f1)
Após a corrida, Carlos Sainz disse em entrevista que: “Não existe nenhuma categoria no mundo em que você tenha esse tipo de velocidade de aproximação, porque é aí que grandes acidentes podem acontecer.” O piloto da Williams continuou suas críticas, apontando que a Fórmula 1 não ouve os pilotos, apenas as equipes, e que, para Miami, espera que elaborem um plano que melhore a situação.
Ajustes imediatos e visão de longo prazo
A categoria já tinha realizado outras reuniões nos dias 15 e 16 deste mês, e, na reunião desta segunda-feira (20), a FIA confirmou que um pacote inicial de ajustes que será implementado já no GP de Miami, com base nos dados coletados nas três etapas da temporada. Entre as medidas está o aumento do superclipping de 250 kW para 350 kW, para a classificação, o que permite que os carros recuperem energia sem perda tão brusca de desempenho em aceleração.
Outras mudanças aprovadas para a classificação são: o limite de recarga por volta cairá de 8 MJ para 7 MJ, o que deve diminuir a necessidade de os pilotos tirarem o pé em pontos críticos da pista apenas para regenerar energia. Com isso, as voltas rápidas tendem a voltar a ser mais agressivas e fluidas, e o número de provas em que a categoria poderá utilizar limites alternativos e reduzidos de energia subiu de oito para 12 etapas.
Enquanto isso, para as corridas, foi definido que a potência máxima liberada pelo Boost passa a ser limitada a 150 kW, ou mantida no nível do carro no momento da ativação, caso ele seja superior, com o objetivo de evitar variações bruscas de desempenho entre os carros. Já o MGU-K continuará operando com até 350 kW nos principais trechos de aceleração, entre a saída das curvas e os pontos de frenagem, incluindo zonas de ultrapassagem. Nos demais setores da pista, entretanto, a potência será reduzida para 250 kW.
A Fórmula 1 desembarca em Miami na próxima semana, dia 1 de maio, para a quarta etapa da temporada, após os GP do Baku e da Arábia Saudita terem sido cancelados em decorrência da guerra no Oriente Médio.
Matéria por Yasmin Ayres (Lorena)
