Ganso ressurge no Fluminense, recupera espaço e assume protagonismo em momento decisivo
Aos 36 anos, meia volta ao time titular, ganha a braçadeira de capitão e responde com boas atuações para suprir uma carência no meio-campo tricolor
Os últimos 30 dias foram de reviravolta para Ganso no Fluminense. Nas últimas quatro semanas, a situação de Ganso sofreu uma mudança drástica. O ídolo tricolor, que está em sua oitava temporada no Rio de Janeiro, esteve prestes a deixar o clube em maio deste ano, mas voltou à titularidade e a ser peça importante, como na vitória de virada por 3 a 2 sobre o Palmeiras no último sábado.
Até a volta da Copa do Mundo, porém, a pergunta relacionada ao jogador era: “será que ele vai ficar no Fluminense?”. Até o recesso da Copa do Mundo, a dúvida sobre seu futuro no clube pairava: será que permaneceria no Fluminense? Isso porque, há três meses, o jogador foi afastado no clube por estar negociando com outro clube.
Na época, a atitude desagradou ao lado do jogador, que havia pedido para não jogar contra o Mirassol. Nesse período, a postura irritou a diretoria, já que o atleta havia solicitado não entrar em campo contra o Mirassol. Dessa forma, não completaria o 13º jogo e ficaria livre para assinar com outro time brasileiro.
Mas o que eram apenas negociações iniciais não se concretizaram. Sem proposta, ele e o Fluminense optaram por honrar o vínculo até o fim de 2026.
O ajuste de detalhes aconteceu em um momento importante da temporada e diante da dificuldade do time na produção ofensiva. Paulo Henrique Ganso retomou a titularidade contra o Botafogo, na penúltima rodada do Brasileirão, e correspondeu às expectativas. Contra o Independiente Rivadavia, entretanto, voltou ao banco devido à escolha do então treinador Luis Zubeldía de escalar três volantes, abrindo mão de um meio-campista criador.
Ao assumir o Fluminense de maneira interina na última quinta-feira, Marcão decidiu apostar novamente em Ganso. Além disso, com Thiago Silva fora do jogo, passou a braçadeira de capitão ao camisa 10. Ganso teve participação relevante na movimentação ofensiva do time contra o líder do Brasileirão no último sábado. Incapaz de atuar os 90 minutos, foi substituído e recebeu aplausos da torcida presente no Maracanã.
Marcão, treinador interino do Flu, justificou a decisão de escalá-lo:
“Comecei com o Ganso porque ele controla o jogo, dita o ritmo. Era o momento de ter um cara que controlasse o jogo, que abaixasse o nível da transição de um lado para o outro” — disse em coletiva de imprensa.
Decisão em Mendonza terça
No duelo mais importante do ano até agora, Ganso deve entrar em campo mais uma vez. O Flu enfrenta nesta terça, às 19h, pelo jogo de volta das oitavas de final contra o Independiente Rivadavia. O jogo de ida terminou em 0 a 0 no Maracanã. Marcão não contará com pelo menos três jogadores para o confronto decisivo entre Independiente Rivadavia e Fluminense, marcado para esta terça-feira (18) em Mendoza, pela volta das oitavas da Libertadores. Savarino, Riquelme Felipe e Igor Rabello estão fora da partida.
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Anúncio da demissão de Luís Zubeldia (Foto: Reprodução | Instagram / @fluminensefc)
A última baixa anunciada no Flu foi a de Savarino: ele sofreu dores na panturrilha direita durante o treino de domingo e será submetido a exames nesta segunda. Riquelme Felipe também não embarcou com a delegação por queixas no púbis. Quanto a Igor Rabello, ele sofreu uma luxação no ombro esquerdo na vitória sobre o Palmeiras, foi substituído e passa por avaliações médicas, havendo a possibilidade de intervenção cirúrgica. Com as três ausências, Marcão terá de reorganizar o elenco para a decisão em Mendoza. Nenhum deles seria titular, mas Savarino era opção imediata no banco. Riquelme dificilmente seria relacionado, enquanto Rabello seria alternativa atrás de Ignácio, Millán e Freytes.
Confiança recuperada
Fluminense e Independiente Rivadavia optaram por estratégias distintas para chegar à decisão desta terça-feira (18), pela volta das oitavas de final da Libertadores. Enquanto o Tricolor apostou no que tinha de melhor no duelo contra o Palmeiras para buscar uma resposta emocional e reerguer a confiança do elenco, o time argentino privilegiou o descanso e preservou quase toda a equipe titular.
No Maracanã, Marcão alinhou uma formação robusta contra o líder do Campeonato Brasileiro e obteve o resultado que o clube buscava: vitória por 3 a 2, de virada, com gol de Germán Cano aos 46 minutos do segundo tempo. O triunfo quebrou a sequência sem vitórias e melhorou o clima antes da viagem para Mendoza. Do outro lado, Alfredo Berti decidiu praticamente abrir mão de escalar sua força máxima no Campeonato Argentino. A La Lepra entrou com uma equipe alternativa contra o Belgrano, em Córdoba, e sofreu derrota por 2 a 0.
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Abraço de Marcão e Serna após vitória contra o Palmeiras (Foto: Reprodução | Instagram / @fluminensefc)
A opção tricolor estava diretamente ligada ao contexto que o elenco atravessava. Depois do empate por 0 a 0 com o próprio Rivadavia no Maracanã e da demissão de Luis Zubeldia, a diretoria entendia que recuperar a confiança dos jogadores era uma necessidade imediata. Marcão também enxerga o Palmeiras nessa perspectiva. Mesmo com a decisão continental apenas três dias depois, o interino escalou nomes como Fábio, Guga, Martinelli, Hércules, Ganso, Canobbio, Hulk e Soteldo desde o início. Thiago Silva foi uma das principais peças preservadas.
A reação teve ainda elementos relevantes para a recuperação do elenco. Hulk voltou a marcar com bola rolando, Ganso retornou ao time titular, Martinelli cresceu de produção e participou da construção do gol decisivo, enquanto Cano saiu do banco para marcar o gol da virada. O próprio atacante argentino afirmou depois da partida que o resultado poderia ajudar o grupo a recuperar a confiança para a sequência.
