Grêmio decide migrar da Libra para a FFU e amplia debate sobre direitos de TV

Mudança de bloco de negociação deve ser votada em 17 de março e envolve expectativa de maior arrecadação e antecipação de receitas

27 fev, 2026
Prtesidente Odorico Roman do Grêmio | Reprodução/Instagram/@icoroman
Prtesidente Odorico Roman do Grêmio | Reprodução/Instagram/@icoroman

A direção do Grêmio definiu internamente que pretende deixar a Libra e migrar para a Futebol Forte União (FFU), um dos blocos responsáveis pela negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. O movimento, que vinha sendo articulado nos bastidores, deve ser oficializado no próximo dia 17 de março, quando o Conselho Deliberativo do clube se reunirá para votar o tema.

A decisão é sustentada por argumentos financeiros e estratégicos. De acordo com apuração do ge, a avaliação da cúpula gremista é de que a FFU apresentou resultados mais satisfatórios nas tratativas comerciais nos primeiros anos de operação. A expectativa é que a troca represente um cenário mais vantajoso de receitas a médio e longo prazo, além de garantir entrada imediata de recursos nos cofres tricolores.

Argumento financeiro pesa na balança

O principal ponto que embasa a migração está relacionado ao desempenho comercial da FFU nas negociações iniciais de direitos de transmissão. Integrantes do Conselho de Administração utilizam números para justificar a mudança e defendem que o novo bloco oferece melhores perspectivas de arrecadação ao clube gaúcho.

Um dos nomes centrais nesse processo é o CEO Alex Leitão, que possui experiência direta nas negociações coletivas. Ele representou clubes na própria FFU, que anteriormente se chamava LFU (Liga Forte União) — em 2024, quando atuava no Athletico-PR. A vivência no modelo adotado pelo grupo é vista internamente como um diferencial técnico para orientar a decisão.

Outro fator considerado relevante é a possibilidade de antecipação de receitas. Embora o clube não confirme oficialmente os valores envolvidos, a proposta em discussão prevê a liberação imediata de 10% das receitas futuras de televisão. A quantia estaria vinculada à exploração dos direitos por um período de 45 anos, prazo restante de contrato com os demais integrantes da FFU.

Como parâmetro, o Internacional, que aderiu ao modelo em 2023, recebeu R$ 109 milhões em acordo com duração de 50 anos. O exemplo do rival é citado nos bastidores como indicativo do potencial de injeção financeira proporcionado pelo novo arranjo.


 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por Grêmio FBPA (@gremio)

Bandeira do Grêmio (Foto: reprodução/Instagram/@gremio)


Ruídos na Libra e contexto político

Apesar de o discurso oficial destacar motivos econômicos, o ambiente vivido dentro da Libra também contribuiu para o desgaste. Em 2025, ainda na gestão do presidente Alberto Guerra, surgiram os primeiros sinais de insatisfação. O Flamengo entrou na Justiça questionando a distribuição de verbas do bloco, o que resultou em bloqueio temporário de R$ 6 milhões destinados ao Grêmio.

À época, a direção gremista associou parte do atraso no pagamento da folha salarial de setembro à retenção dos valores, provocada pela disputa judicial. O episódio ampliou o clima de instabilidade e alimentou discussões internas sobre a permanência no grupo.

Ainda assim, pessoas envolvidas na atual administração minimizam o peso da postura do clube carioca na decisão final. Conforme apurado, o entendimento é de que o Flamengo age de acordo com seus próprios interesses comerciais, da mesma forma que o Grêmio busca alternativas consideradas mais vantajosas. Internamente, avalia-se que a influência do time do Rio de Janeiro no processo de saída estaria sendo “superdimensionada” pelo noticiário.

Outro elemento que entrou no cálculo foi a retirada da proposta do banco Daycoval, que pretendia adquirir 5% dos direitos de TV dos clubes vinculados à Libra. A operação previa antecipação de receitas por 15 anos, mas não avançou. Sem a concretização do acordo, diminuiu-se uma das possibilidades de reforço financeiro imediato dentro do bloco atual.

Com a votação marcada para março, o cenário aponta para uma reconfiguração importante no tabuleiro político e econômico do futebol brasileiro. Caso a migração seja aprovada, o Grêmio passará a integrar oficialmente a FFU, alterando o equilíbrio entre os grupos que disputam protagonismo na comercialização dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro nas próximas décadas.

Mais notícias