STJD multa Abel Braga após declaração homofóbica
Após dois meses do seu retorno ao Internacional, Abel pode ficar de cinco a dez jogos de suspensão; uma multa de R$ 20 mil foi adicionada ao caso
Abel Braga, diretor técnico do Internacional, foi punido com cinco jogos de suspensão pela declaração homofóbica dada no ano passado, quando foi anunciado como técnico do clube. Uma multa de R$ 20 mil também foi adicionada ao caso. Em paralelo, o Colorado recebeu o Palmeiras em casa e perdeu pelo placar de 3×0 pela terceira rodada do Brasileirão.
A punição foi aplicada pela 6ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta quinta-feira (12), válida apenas para partidas do Campeonato Brasileiro. Dessa forma, Abel será liberado para reaparecer no vestiário colorado na partida contra o São Paulo, pela nona rodada.
Relembre o caso
Após a demissão do técnico Ramón Díaz, em novembro de 2025, Abel foi anunciado como novo comandante do Internacional para as duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Durante a apresentação, ao comentar sobre o ambiente no vestiário, o técnico mencionou o uso de camisas rosas por jogadores e usou uma expressão homofóbica.
A conversa pautava a dedicação de integrantes da diretoria do clube e Abel relatou uma conversa interna com D’Alessandro, atleta com quem trabalhou junto em 2024. – Eu falei: “Eu não quero a p**** do meu time treinando de camisa rosa, parece time de veado”.
A fala logo ganhou repercussão nas redes sociais. Questionado sobre sua afirmação em outro momento da entrevista, Abel explicou que foi dita sem malícia e em tom de descontração. – “Eu tinha que relaxar meu grupo hoje, para você entender. Eu quero os caras fortes” – explicou, reforçando que o objetivo do comentário era aliviar a tensão no vestiário para o final da competição.
A atitude foi logo contestada por frentes de torcedores LGBTQIAPN+: Grupo Arco-íris de Cidadania LGBT e o Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, que ingressaram com Notícia de Infração contra o técnico.
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Post collab entre frentes LGBTQIAPN+ do futebol (Foto:Reprodução/Instagram/@fogazelas/@torcidafogoro/@canarinhoslgbt/@riosemlgbtifobiarj)
Abel foi às redes sociais para se manifestar: “Colorados e coloradas, em primeiro lugar reconheço que não fiz uma colocação boa sobre a cor rosa durante a minha coletiva. Antes que isso se prolifere, peço desculpas. Cores não definem gêneros. O que define é caráter. O Internacional precisa de paz e muito trabalho. Vamo, vamo Inter!”, escreveu.
Após dois meses, o STJD pontuou o caso mencionado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de etnia, raça, sexo, orientação sexual, cor, idade, condição de pessoa idosa ou com deficiência”.
Punições por discriminação no esporte
O uso de camisas rosa em clubes de futebol levam, na maioria das vezes, um significado para além da estética ou de um design diferenciado. O Sport Club Internacional, a exemplo disso, em parceria com a Adidas, lançou a coleção na paleta para reforçar o compromisso com a causa da luta contra o câncer de mama e prevenção da doença.
A coleção foi anunciada em outubro do ano passado, em paralelo à declaração de Abel Braga. O mês de outubro, conhecido como “Outubro Rosa”, foca em expandir os cuidados contra a doença com ações e atividades de conscientização.
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Camisa do Internacional em apoio à campanha do Outubro Rosa (Foto:Reprodução/Instagram/@scinternacional)
Nos últimos anos, entidades organizadoras superiores buscam endurecer leis e punições contra qualquer tipo de discriminação dentro do futebol. Em 2023, foi aprovada a Nova Lei Geral do Esporte com punições para violência nos estádios aos crimes de racismo, homofobia, sexismo e xenofobia, a uma multa que varia de R$500 a R$2 milhões a depender da gravidade do caso.
Os clubes entram com novas campanhas para alertar e conscientizar torcedores sobre conduta e respeito dentro dos estádios. Cânticos homofóbicos e gestos pretensiosos deixaram de passar ilesos nas arquibancadas. Frentes LGBTQIAPN+ lutam para mudar a realidade que ainda afeta amantes do esporte.
