Muricy Ramalho pede demissão e encerra ciclo no futebol do São Paulo
Ídolo histórico do Tricolor deixa a coordenação de futebol e publica carta emocionada; clube avalia novo nome para o departamento
Muricy Ramalho não é mais o coordenador de futebol do São Paulo. Nesta sexta-feira, o ex-treinador e um dos maiores símbolos da história recente do clube pediu demissão do cargo que ocupava desde janeiro de 2021. A decisão foi comunicada internamente e, horas depois, oficializada pelo Tricolor por meio de uma carta aberta publicada nas redes sociais.
A saída ocorre em um momento de transição política no MorumBIS. Muricy fazia parte da gestão de Julio Casares, presidente que renunciou ao cargo na última quarta-feira, o que também contribuiu para mudanças na estrutura administrativa do clube. Mesmo assim, o principal motivo do desligamento está relacionado à saúde do ex-treinador, que optou por não se afastar temporariamente e decidiu encerrar o vínculo.
Questões de saúde pesaram na decisão
Nos últimos meses, Muricy Ramalho passou por uma cirurgia no joelho e já tem um novo procedimento programado. Fora da rotina diária do São Paulo, ele avaliou que não conseguiria exercer a função com a intensidade que sempre marcou sua trajetória. Em vez de solicitar licença médica, preferiu o desligamento definitivo.
Na carta divulgada pelo clube, Muricy foi enfático ao explicar a escolha. Segundo ele, a função de coordenador técnico exige dedicação integral e uma entrega que, neste momento, seu corpo não consegue mais sustentar. O ex-treinador revelou ainda que passou por quatro cirurgias recentes e que outra está prevista para 2026, o que reforçou a necessidade de priorizar a saúde e a convivência com a família.
Mesmo longe do cargo, Muricy fez questão de reafirmar sua ligação emocional com o São Paulo. Em tom pessoal, relembrou a trajetória construída desde a infância no clube, destacando que sempre atuou movido pela paixão e pela intensidade — características que, segundo ele, jamais soube dosar.
Uma história marcada por títulos e identidade
Ídolo incontestável, Muricy Ramalho construiu uma relação profunda com o São Paulo tanto dentro quanto fora de campo. Como jogador, teve passagem pelo clube, mas foi à beira do gramado que escreveu os capítulos mais marcantes de sua história. Entre 2006 e 2008, comandou o Tricolor na conquista de três Campeonatos Brasileiros consecutivos, um feito inédito na era dos pontos corridos e que o eternizou entre os grandes técnicos do futebol nacional.
No cargo de coordenador, função assumida no início da gestão de Julio Casares, Muricy atuava nos bastidores, auxiliando na integração entre comissão técnica, diretoria e elenco. Durante esse período, o clube voltou a levantar troféus importantes, como a inédita Copa do Brasil, além de buscar maior estabilidade institucional.
Em sua despedida, Muricy afirmou que continuará acompanhando o São Paulo como torcedor, no estádio ou à distância, carregando a gratidão por ter vivido “esse sonho por completo”.
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Nota de despedida de Muricy Ramalho para o torcedor do São Paulo (Foto: reprodução/Instagram/@saopaulofc)
Quem pode assumir o cargo no São Paulo
Com a saída de Muricy Ramalho, o São Paulo passa a discutir internamente quem será o responsável por ocupar um posto estratégico no departamento de futebol. Um dos nomes mais comentados nos bastidores é o do ex-lateral-direito Rafinha.
Rafinha foi campeão da Copa do Brasil com o São Paulo (Foto: reprodução/GettyImages Embed/Ricardo Moreira)
Aposentado dos gramados desde julho de 2025, Rafinha encerrou a carreira com forte identificação com o Tricolor. Ele defendeu o clube entre 2022 e 2024, disputou 117 partidas e fez parte de campanhas históricas, como os títulos da Copa do Brasil de 2023 e da Supercopa do Brasil de 2024. Experiente e respeitado no vestiário, o ex-jogador é visto como alguém capaz de fazer a ponte entre elenco e diretoria.
Enquanto a definição não acontece, o São Paulo se despede de Muricy Ramalho com reconhecimento e respeito, encerrando mais um ciclo de uma relação que atravessa gerações e segue marcada pela identidade, pela paixão e pela história construída no MorumBIS.
