Nalbert critica enfraquecimento da base após queda do Brasil na Liga das Nações
Campeão olímpico critica falta de revelação de talentos e defende continuidade de Bernardinho; Sul-Americano em setembro define vaga para Los Angeles
O Brasil terminou a fase classificatória da Liga das Nações de vôlei masculino em nono lugar, com sete vitórias e cinco derrotas. A eliminação marca a primeira ausência da seleção na fase final desde o início do torneio, há 35 anos. Para o comentarista Nalbert, campeão olímpico em Atenas 2004, a queda reflete um problema estrutural mais profundo: o enfraquecimento progressivo da base de formação de atletas.
Os tropeços se acumulam desde 2023. A seleção sofreu sua primeira derrota em uma final de Sul-Americano naquele ano, caiu para o oitavo lugar nas Olimpíadas de Paris 2024 e apresentou o pior desempenho em um Campeonato Mundial em 2025, segundo compilação do GE. Nalbert enxerga em toda essa trajetória o reflexo de negligência institucional que se arrasta há anos.
Investimento na formação como chave
Segundo Nalbert, os problemas vão além de questões táticas. “Há uma questão técnica, física e de quantidade de atletas. O segredo para o sucesso é ter uma base bem trabalhada, com investimentos. Nós nos descuidamos e estamos pagando uma conta alta”, afirmou ao GE.
O desinteresse de jovens pelo vôlei masculino agrava o cenário. “Não vejo mais tantos jovens se interessando pelo vôlei masculino e começando a jogar. CBV (Confederação Brasileira de Voleibol), federações e clubes precisam entender o que deve ser feito daqui para a frente”, observou Nalbert. Durante a geração que incluía Giba, Ricardinho e Serginho, o ambiente era radicalmente distinto.
“Em Atenas, tínhamos 12 jogadores fantásticos. Outros atletas excelentes treinavam conosco, e ainda havia uma fila enorme de destaques que queriam uma vaguinha na seleção”, relatou Nalbert. Naquele período, o êxito da seleção funcionava como combustível para atrair novos talentos.
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Ex-atleta, Nalbert (FOto: reprodução/Instagram/@nalbert12)
O ciclo que deixou de funcionar
“Havia uma cadeia que se retroalimentava no Brasil, algo que não existe mais hoje em dia”, disse Nalbert. Quando o time vencia, adolescentes sonhavam em chegar àquele nível. Quando não avança, buscam outros esportes. Nalbert assinala que o problema começou muito tempo atrás, mas só agora as consequências ficaram visíveis nos torneios internacionais.
O último título da base veio em 2011, quando a seleção sub-21 conquistou ouro. O título na Liga das Nações de 2021 pode ter mascarado sinais de alerta que já piscavam. Agora, com uma base enfraquecida, o time possui poucos jogadores com experiência internacional sólida. Muitos ainda estão em desenvolvimento. A falta de rodagem gera dificuldades nos momentos decisivos, quando adversários mais experientes administram melhor o desfecho dos sets.
Brasil fora da fase decisiva da VNL masculina pela primeira vez na história!
É amigos, a campanha da seleção brasileira na competição foi lamentável e é mais um grande sinal de alerta pra esse momento vivido no vôlei masculino.
Campanha começou bem, mas desandou demais! pic.twitter.com/mhZ6dp87d5
— Fábio Martins Stella (@fabiomstella) July 19, 2026
Brasil eliminado VNL vôlei (Foto: reprodução/X/@fabiomstella)
Foco no Sul-Americano e Los Angeles
A seleção disputará amistosos contra Japão e França nos próximos dias e um torneio na Itália com Itália, Cuba e Alemanha. O Sul-Americano ocorrerá de 15 a 20 de setembro, no Maracanãzinho. O campeão ganha vaga garantida nas Olimpíadas de Los Angeles.
Nalbert enfatiza que o Brasil precisa chegar àquele torneio com disposição total. “Se eu fosse o Bernardinho, juntaria o grupo inteiro e perguntaria aos jogadores se estão dispostos a pagar o preço do sacrifício”, afirmou o comentarista. Quem hesitar deve ficar fora. Será necessário treino intensivo para construir uma equipe de verdade.
Nalbert não vê mudança no comando técnico como decisão acertada neste momento. Bernardinho tem responsabilidade pelos resultados negativos, mas é profissional de altíssimo nível. O técnico e sua comissão precisam fazer o necessário para fortalecer o elenco. A base demanda fortalecimento e deve voltar a produzir talentos. O processo será gradual. Bernardinho e os auxiliares se reúnem em Saquarema até 16 de agosto para planejamento.
