Dez anos após o ouro olímpico, Micale exalta Neymar e fala sobre queda de Luan

No Londrina, técnico relembra a conquista histórica, passagens por Atlético-MG e Egito e avalia a trajetória dos dois jogadores que participaram da campanha

24 ago, 2026
Neymar com a medalha pós conquista do ouro olímpico | Reprodução/Instagram/@neymarjr
Neymar com a medalha pós conquista do ouro olímpico | Reprodução/Instagram/@neymarjr

Rogério Micale figura está registrada na história do futebol brasileiro como comandante da Seleção que conquistou o primeiro ouro olímpico na modalidade, em 2016, no Rio de Janeiro, ao derrotar a Alemanha na final. Passados 10 anos daquela vitória, ele conversou longamente com o ge, relembrando bastidores e comentando sobre dois dos principais nomes daquela campanha: Luan e Neymar.

Além disso, Micale fez um balanço de pontos da sua trajetória, citando a passagem pelo Atlético-MG logo após o ouro, o trabalho realizado no Egito, onde voltou a ser semifinalista olímpico, e o desafio atual à frente do Londrina, na Série B do Campeonato Brasileiro.

Ex-goleiro foi anunciado como técnico do Brasil para as Olimpíadas de 2016 em junho daquele ano, menos de dois meses antes da estreia. Chegava com currículo forte nas categorias de base e vinha como treinador do Sub-20 brasileiro, tendo sido vice-campeão mundial um ano antes.

Caminho para o ouro histórico

No mesmo dia em que foi confirmado, Micale precisou reduzir a pré-lista para 35 jogadores e 12 integrantes da comissão técnica para o torneio. A convocação definitiva, contendo 18 atletas, foi tornada pública quinze dias depois. A Seleção iniciou mal sua trajetória nas Olimpíadas. Começou com um empate sem gols diante da África do Sul, seguido por outro 0 a 0, contra o Iraque, ambas as partidas realizadas em Brasília.



Brasil X Alemanha final das Olímpiadas 2016 – jogo completo (Vídeo: Reprodução/YouTube/@Olympics)


A última rodada do grupo assumiu caráter decisivo, e o Brasil aplicou 4 a 0 na Dinamarca, na Arena Fonte Nova, em Salvador, assegurando a vaga nas quartas de final. Nas quartas, o Brasil superou a Colômbia por 2 a 0, na Neo Química Arena, e, na semifinal, destruiu Honduras por 6 a 0, avançando assim para a final contra a Alemanha. Na decisão, o Brasil enfrentou novamente a Alemanha, com o trauma do 7 a 1 de dois anos antes ainda presente.

O confronto terminou 1 a 1 no tempo regulamentar, o empate perseverou na prorrogação, e a definição foi para as cobranças de pênaltis. Os mais de 63 mil torcedores presentes no Maracanã e os milhões espalhados pelo país viram defenderem a cobrança de Petersen, e Neymar converter o pênalti decisivo, garantindo o primeiro ouro para o Brasil no futebol masculino.

Destaques da campanha

Micale citou três nomes que acabaram se destacando naquela conquista. Um deles é o goleiro Weverton, que atuava no Athletico e passou a defender o Grêmio. Surpreendentemente, ele foi o escolhido para substituir Fernando Prass, que vestia a camisa do Palmeiras na época e sofrera uma lesão, sendo cortado. O treinador conta que na época, o goleiro era um dos poucos goleiros do Brasil com a condição de fazer um jogo de saída com os pés e, além disso, era um goleiro pegador de pênaltis.

Outra peça importante do ouro olímpico foi Luan. O meia-atacante, então do Grêmio, começou os Jogos como opção no banco, mas entrou contra a Dinamarca e promoveu uma mudança de rumo, contribuindo para a reação da Seleção na competição. Marcou três gols e ainda converteu um dos pênaltis na disputa contra a Alemanha. O técnico destaca:

“O Luan foi fantástico. Ele fazia um falso nove no Grêmio com o Renato Gaúcho, foi o melhor jogador da América, e aproveitei essa ideia na Seleção. Trouxe o Luan para fazer esse falso nove, tirei o Neymar na beirada para fazer junto com ele essa bagunça organizada, que gera muita dificuldade ao adversário, e isso o Luan é mestre em fazer. Ele, entre aspas, é o brasileiro peladeiro, é essa essência do jogador brasileiro.”

Ele também analisou as razões pelas quais Luan não manteve o mesmo nível e chegou a se afastar do futebol, ficando aquém das expectativas geradas naquele período. Depois do ouro, o meia-atacante percorreu mais três temporadas pelo Grêmio, teve uma passagem marcada por controvérsias no Corinthians e uma temporada discreta no Santos. Retornou ao Tricolor Gaúcho em 2023 e exerceu sua última vinculação profissional no Vitória, em 2024. Hoje, aos 33 anos, encontra-se sem clube e praticamente afastado do futebol.

Para ele, devido as grandes mudanças que aconteceram no futebol, tornando-se um jogo mais posicional, afetou o meia pois, segundo Micale, o Luan é um jogador que precisa de liberdade para praticar seu melhor futebol.

Rogério também comentou o papel de Neymar naquele ouro olímpico. O treinador não escondeu sua admiração pelo meia e ressaltou a postura do atacante dentro e fora de campo, tanto naquela conquista quanto ao longo da carreira. Nas Olimpíadas, o camisa 10 marcou quatro gols, entre eles o da final contra a Alemanha, e ainda converteu o último pênalti. Micale elogiou o capitão da campanha, o chamando de gênio, com uma personalidade diferente e que não se omitia dentro de campo, chamando a responsabilidade nos momentos necessários.


Walace, Gabriel Jesus, Neymar, Gabigol e Rafinha com a medalha de ouro (Foto: Reprodução/Getty Images Embed/Clive Mason)


Micale discursou também sobre a utilização de Neymar na Copa do Mundo de 2026. O treinador admitiu que a condição física do jogador não estava ideal, mas defendeu que o camisa 10 deveria ter sido mais aproveitado, fazendo um paralelo com a maneira como Mohamed Salah foi empregado pelo Egito.

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