Day Molina estreia em Paris com coleção que homenageia Chico Mendes e exalta a floresta
Na última segunda-feira (29), a estilista e ativista Day Molina, descendente dos povos Aymara e Fulni-ô, fez sua aguardada estreia em Paris, com sua marca Nalimo. A apresentação integrou a agenda do Runway Vision, plataforma que faz parte do calendário independente da Paris Fashion Week (PFW) e que se dedica a dar visibilidade a vozes […]
Na última segunda-feira (29), a estilista e ativista Day Molina, descendente dos povos Aymara e Fulni-ô, fez sua aguardada estreia em Paris, com sua marca Nalimo. A apresentação integrou a agenda do Runway Vision, plataforma que faz parte do calendário independente da Paris Fashion Week (PFW) e que se dedica a dar visibilidade a vozes emergentes, diversas e comprometidas com novas narrativas da moda.
Uma passarela em defesa da floresta
A coleção foi construída como uma homenagem a Chico Mendes, líder seringueiro e ambientalista assassinado em 1988, cuja luta permanece símbolo de resistência na Amazônia. Em cada look, Molina traduziu a força da floresta em matérias-primas sustentáveis e volumetrias impactantes, sem abrir mão do refinamento estético. A estética mistura espiritualidade, resistência política e sofisticação internacional, reafirmando que a moda indígena brasileira é também uma voz global.
Couro certificado de pirarucu e tilápia, látex da seringueira, folhas de vitória-régia e pigmentos vegetais foram aplicados em peças que unem tradição artesanal e design contemporâneo. Silhuetas amplas, bordados manuais e a manipulação cuidadosa das fibras reafirmaram o compromisso da estilista com a valorização do trabalho comunitário e com uma moda que respeita o território.

Roupa usada no desfile da marca Nalimo (Foto: reprodução/Instagram/@molina.ela)
Representatividade na Paris Fashion Week
A presença de Day Molina na PFW é histórica. A estilista, que também atua como ativista pela representatividade indígena, reforça em seu trabalho a ideia de que a moda pode ser uma plataforma de afirmação identitária e de denúncia socioambiental.
No casting, modelos indígenas desfilaram com pinturas corporais inspiradas em tradições ancestrais, ampliando a potência do discurso apresentado na passarela. O desfile foi recebido com entusiasmo pelo público internacional, que reconheceu na coleção não apenas inovação estética, mas também relevância política.
Em entrevista para a Glamour Brasil, Day falou: “Queria falar de justiça climática, sobre aqueles que têm suas vidas ceifadas, suas vozes silenciadas. A Nalimo cumpriu um lindo papel trazendo beleza, mas também a voz de ativismo da natureza e das pessoas que a protegem”.

Roupa usada no desfile da marca Nalimo (Foto: reprodução/Instagram/@molina.ela)
Um novo capítulo para a moda brasileira
A estreia da Nalimo em Paris acontece em um momento em que o mercado global discute sustentabilidade, diversidade e inclusão com cada vez mais força. A coleção se coloca como um manifesto: é possível fazer alta moda com responsabilidade, ética e identidade.
Mais do que roupas, Molina apresentou uma narrativa: a de que o Brasil indígena e amazônico tem lugar central no futuro da moda. Ao homenagear Chico Mendes, ela atualiza sua luta e lembra que a moda pode ser também ferramenta de resistência.
