Após período de desaceleração, mercado da moda de luxo retoma crescimento

Segundo trimestre de 2026 registrou a volta da expansão conjunta entre os grupos mais importantes do setor de moda de luxo após período de retração

07 ago, 2026
Gucci lidera crescimento no grupo Kering | Reprodução/Instagram/@gucci
Gucci lidera crescimento no grupo Kering | Reprodução/Instagram/@gucci

A desaceleração do mercado global da moda de luxo deu lugar ao crescimento no segundo trimestre de 2026, encerrando um ciclo de retração iniciado no fim de 2022. Liderada pelos mercados dos Estados Unidos e da China, a recuperação do setor é impulsionada por grandes conglomerados como LVMH, Kering, Prada, Hermès e Chanel, que reajustaram suas estratégias ao focar em clientes de altíssima renda e em novas direções criativas para suas marcas.

Crescimento de grandes grupos após recessão

A desaceleração do mercado de luxo da moda refletiu o fim de um ciclo de altas impulsionado por aumentos de preços e pela retração de consumidores de alta renda, especialmente na China. O período, que reduziu o ritmo do setor, teve início no último trimestre de 2022 e afetou grandes marcas em escala mundial.

A mudança e reversão dessa situação começaram a partir do segundo trimestre deste ano, quando foram registrados crescimentos generalizados entre os grandes conglomerados do setor.

Os mercados dos Estados Unidos e da China lideram essa virada de cenário, superando os impactos da retração na Ásia e a estabilização do pós-pandemia. Liderando o segmento com movimentação de US$ 130 bilhões, os EUA têm estimativa de crescimento de 5% ao ano até 2030. Já a China avança em sua recuperação com alta projetada em até 6% ao ano, de acordo com o relatório The State of Fashion, do BoF.

Entre os motivos dessa retomada estão as mudanças de direção criativa e ajustes de portfólio, em que as grifes reduzem a produção de acessórios de entrada e focam em clientes de altíssima renda.


Direção criativa da Dior impulsiona crescimento do grupo (Foto: reprodução/Instagram/@jonathan.anderson)


Dados recentes do mercado da moda de luxo

Após o período de retração, o setor de moda e artigos de couro do grupo LVMH cresceu 1% em vendas no segundo trimestre na comparação anual, registrando a primeira alta da divisão desde meados de 2024. A receita total do conglomerado avançou 3%. Sem detalhar dados individuais por marca, a empresa ressaltou o desempenho da Dior acima da média global, alavancada pela estreia das coleções de Jonathan Anderson nas lojas.

Um dos nomes mais impactados pela desaceleração do setor, o Kering registrou alta de 2% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2025. O desempenho foi impulsionado pelos segmentos de óculos e joalheria, enquanto a Gucci, principal pilar do grupo, apresentou reação e crescimento nas vendas em relação ao primeiro trimestre de 2026.

Já o Grupo Prada, que manteve um crescimento consistente nos últimos anos impulsionado pelo forte desempenho da Miu Miu, reportou um avanço de 7% no período. A expansão da empresa foi impulsionada pelas Américas e Ásia, sobretudo com a alta de dois dígitos entre os consumidores chineses.

O grupo Hermès manteve o crescimento em alta nos últimos anos, sobretudo com o destaque nos artigos de couro, que foram responsáveis por metade do faturamento e subiram 10%. No setor de acessórios e perfumaria, os dados indicam 6,7% de alta e a expansão do grupo em 15% nas Américas.

Por fim, na Chanel, empresa que não costuma publicar balanços trimestrais oficiais, estima-se um avanço de 16% no faturamento do primeiro semestre, de acordo com informações internas apuradas pela agência Bloomberg.


 

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Acessórios estão entre os líderes de crescimento da Hermès (Vídeo: reprodução/Instagram/@hermes)


O desempenho positivo impulsionado pelos Estados Unidos e pela China reforça que o setor de luxo soube se reinventar após o ciclo de retração iniciado em 2022. Com potências como LVMH, Prada e Hermès apresentando resultados otimistas, a moda de luxo dá início a uma nova fase de maturação, onde a exclusividade, o design autoral e a sólida presença internacional voltam a ditar o ritmo dos negócios globais.

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