Desfile da Schiaparelli na Paris Fashion Week explora tensão entre tradição e imaginação
Na semana de moda em Paris, a marca apresenta coleção surrealista inspirada na história de Elsa Schiaparelli sob direção de Daniel Roseberry
A nova coleção outono/inverno da Schiaparelli, apresentada na Paris Fashion Week, se inspira na história da fundadora Elsa Schiaparelli e reforça o legado da maison em trazer a moda como negócio e fantasia.
Na última quinta-feira (5), a grife internacional Schiaparelli, sob direção criativa de Daniel Roseberry, levou à Paris Fashion Week a nova coleção outono/inverno 2026, marcada pela estética surrealista da maison. O desfile aconteceu no Carrousel du Louvre, um ponto icônico das passarelas de Paris.
A proposta de Roseberry em manter o surrealismo na marca foi baseada em uma relação entre preservar a tradição e incorporar aspectos ilusórios nas produções, com peças que se assemelham a pele, reforçando o imaginário de quem assiste. Além disso, como já é de costume da Schiaparelli, não faltou glamour.
Sobre a coleção outono/inverno 2026
Intitulada A Esfinge, o diretor criativo teve como influência na criação dessa coleção o próprio peso da história da maison e como ela existe agora. Assim, ao recorrer ao passado da marca, foi indispensável ter como referência a fundadora, Elsa Schiaparelli.
A estilista deixou o legado de que a moda é capaz de criar sonhos, o ilusório em pauta sem deixar que as mulheres percam suas identidades e abandonem quem realmente são.
As roupas propõem que elas realizem seus sonhos enquanto se sentem confortáveis com quem realmente são. Hoje, a Schiaparelli cultiva esse legado para oferecer às mulheres do século XXI a essência de um estilo ousado e um charme atemporal. Por isso, moda e imaginação caminham juntas desde os primórdios da marca até hoje.
A tradição em fazer esse diálogo se mistura com a imaginação e está representada pelas criações de Daniel Roseberry no último desfile.
Além da referência ao passado da marca, o evento acontece às vésperas da exposição Schiaparelli: Fashion Becomes Art, que será inaugurada no Victoria and Albert Museum.
Ver essa foto no Instagram
Desfile da coleção outono inverno 2026 Schiaparelli (Vídeo: reprodução/Instagram/@Schiaparelli
Moda, sonho e suas ilusões
Para transpassar a proposta da coleção, Daniel Roseberry apostou em cortes, acabamentos, tecidos e tons que criam a ilusão de se ver apenas o corpo e não a roupa. Malhas contorcidas trabalhadas em tule são colocadas para parecerem flutuantes. Recortes reforçam o efeito ilusório em que roupa e pele parecem estar em unidade. Os casacos de pele, muito presentes no desfile, são na verdade feitos em lã.
Em maior parte, o preto tomou conta da passarela no Carrousel du Louvre, acompanhado de recortes irregulares, assimetrias e detalhes em dourado, principalmente em casacos. A fusão de preto com tons nude e bege cria a perspectiva de ilusão: será que é uma peça ou uma parte do corpo exposta? As peças brincam com a percepção visual, apresentando casacos que simulam pele e ilusões de ótica (trompe-l’œil).

Bolsa clutch de pelo com dedos coleção outono/inverno Schiaparelli (Foto: reprodução/Instagram/@voguebrasil)
O glamour não ficou de lado, com franjas brilhantes, vestidos e saias de brilho intenso e transparências. Por fim, os acessórios jamais poderiam passar despercebidos: bolsas e joias de pelo, brincos de argola com caramujo, bolsa com pé de garça, sapatos com saltos e detalhes dourados e bolsa modelo clutch com dedos. O desfile foi uma fatia de bolo recheado até o fim de surrealismo.
Entre ilusões, texturas e referências ao passado, a Schiaparelli reafirma que moda e imaginação caminham juntas. O resultado é um desfile que mantém vivo o espírito criativo deixado por Elsa Schiaparelli.
