Em meio ao calor de Paris, Dior apresenta coleção masculina marcada por silhuetas amplas
Maison francesa apresentou nova coleção durante a Semana de Moda Masculina em Paris e apostou em silhuetas amplas, leveza e peças com ilusão de ótica
Na última quarta-feira (24), o diretor criativo da Dior, Jonathan Anderson, apresentou a coleção masculina primavera/verão 2027, sob altas temperaturas durante a Semana de Moda Masculina em Paris. O desfile ocorreu no Museu Nissim de Camondo e apostou na leveza ao trazer silhuetas amplas, formas desestruturadas e técnicas de ilusão de ótica (trompe-l’œil) resgatadas dos arquivos de 1979 da maison. A nova linha propõe uma alfaiataria mais fluida e comedida, marcando a consolidação da identidade autoral do estilista e uma ruptura com o excesso de informações de suas coleções anteriores.
Silhuetas ao vento e clima de leveza
Sob as altas temperaturas do verão na capital francesa, a Dior recorreu à distribuição de leques para amenizar o clima de seu último desfile. Na passarela, contudo, a resposta ao calor veio por meio do design. O estilista Jonathan Anderson apresentou uma coleção masculina focada na leveza, desacelerando o ritmo de suas criações anteriores ao propor silhuetas amplas, formas desestruturadas e um distanciamento da rigidez tradicional da alfaiataria.
A nova proposta estabelece uma clara ruptura com o histórico recente de Anderson na maison. Em sua estreia, ocorrida há um ano, o diretor criativo havia optado por uma passarela marcada pelo excesso de informações e referências históricas díspares, que fundiam desde o maximalismo de John Galliano e Paul Poiret até a opulência da corte de Luís XVI.
O repertório anterior, carregado de bermudões drapeados, jaquetas estruturadas e adereços de plumas, deu lugar a uma assinatura mais autoral. Para a crítica especializada, o estilista começa a consolidar sua própria identidade dentro do legado da marca, substituindo a ansiedade das coleções de estreia por uma abordagem mais fluida e comedida.
Ver essa foto no Instagram
Abertura do desfile da coleção masculina primavera/verão 2027 da Dior (Vídeo: reprodução/Instagram/@dior)
Ilusão de ótica e o resgate da alta-costura de 1979
Apresentada nos salões do Museu Nissim de Camondo, em meio à “Paris artística”, a coleção foi descrita como uma subversão das convenções estéticas do “feito sob medida”. Anderson apostou em mangas compridas que cobrem as mãos e blusas folgadas que desconstroem o contorno do corpo, exigindo um olhar próximo para a identificação dos detalhes texturizados.
O grande destaque técnico da temporada foi o uso de ilusões de ótica (trompe-l’œil), técnica resgatada dos arquivos de alta-costura de 1979 da maison. Tecidos transparentes de chiffon receberam estampas que simulam padronagens clássicas como xadrez e risca de giz, enquanto lenços amarrados ao pescoço revelaram-se, de perto, como intrincados bordados de canutilhos.
O desfile também equilibrou o diálogo entre o histórico e o contemporâneo ao introduzir franjas melindrosas em echarpes e cardigãs, além de experimentações cromáticas com peças em tons de dourado, prata, rosa e menta.
Ver essa foto no Instagram
Peças com ilusões de ótica foram o destaque da coleção (Foto: reprodução/Instagram/@dior)
Silhuetas amplas, tons pastéis e a sofisticação técnica do trompe-l’œil: a nova coleção masculina da Dior trouxe o frescor necessário para o verão parisiense. Ao desacelerar o ritmo e focar em uma alfaiataria mais comedida e autoral, Jonathan Anderson assina um de seus desfiles mais maduros e aclamados desde que assumiu o comando criativo da linha masculina da grife.
