Duran Lantink estreia na alta-costura da Jean Paul Gaultier com coleção de atmosfera surrealista
Direto criativo da maison francesa aposta em referência histórica e na era tecnologica em nova coleção marcada por formas ousadas, volumes e distorções
Na última quarta-feira (8), o designer Duran Lantink estreou na alta-costura da grife Jean Paul Gaultier ao apresentar a coleção Outono/Inverno 2027 durante a Semana de Moda de Paris, na França. Sob os aplausos do próprio fundador da maison, o desfile realizado em julho de 2026 destacou-se por uma atmosfera surrealista e futurista, utilizando modelagens tridimensionais, técnicas de ilusão de ótica (trompe l’œil) e espartilhos geométricos para fundir referências históricas de Maria Antonieta com tecnologia digital de ponta.
Desfile recheado de tridimensionalidade
Apresentações em semanas de moda sempre surpreendem, mas as prévias nas redes sociais costumam deixar pequenos spoilers. Assim foi com a nova coleção de Jean Paul Gaultier, a estreia na alta-costura assinada pelo designer Duran Lantink. Na postagem de divulgação, um tórax humano translúcido em 3D girava lentamente.
Reforçando a estética irreverente da maison, e sob os aplausos do próprio fundador, Lantink se debruçou em criações marcadas por proporções distorcidas, volumes inesperados e alfaiataria desconstruída. Peças em estilo tridimensional tornaram-se os grandes destaques da passarela, unindo a tecnologia digital à modelagem extrema.
Uma das imagens que melhor sintetiza essa abordagem é o top usado pelo modelo Leon Dame. A peça simula a anatomia de um torso masculino com a linha da cintura deslocada assimetricamente para a lateral, criando um movimento sinuoso que evoca uma escultura digital.
O desfile trouxe contornos surpreendentes a vestidos, corsets e saias, explorando o impacto visual de materiais inusitados, como a madeira e o plástico. A escolha desses elementos transformou silhuetas tradicionais em verdadeiras obras de arte, desafiando os limites da textura e da estrutura na moda contemporânea.

Estilo tridimensional foi o destaque do desfile (Foto: reprodução/Instagram/@jeanpaulgaultier)
Inspiração histórica e o legado da grife
A grande referência por trás do conceito foi o recurso à história: Maria Antonieta, célebre por dominar a arte de marcar presença com saias volumosas e chapéus de penas gigantescos. O ar histórico do evento foi reforçado por calças de veludo, mules de cetim em tons vibrantes e fitas pretas amarradas nos cabelos, contrastando com casacos de corte preciso.
Os volumes ousados e o corte desconstruído refletem a clara relação entre o clássico e o contexto contemporâneo. Os itens apresentam uma perspectiva conceitual, comunicando perfeitamente a visão vanguardista do novo diretor criativo. A fusão do passado com a tecnologia mostra como Duran preserva o legado da maison enquanto projeta um futuro cheio de liberdade e inovação.
O desfile também trouxe de volta a icônica técnica do trompe l’oeil, com produções estruturadas por tubos nas laterais, frente e costas. O efeito visual muda de acordo com o ângulo: ora os modelos parecem usar vestidos de gala tradicionais no estilo saia-balão, ora revelam um conceito futurista. Os célebres espartilhos da grife, que já vestiram a cantora Madonna, ressurgem com uma estética robótica e contornos geométricos totalmente modernizados.
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Criações ousadas de Duran Lantink para a Alta-Costura em Paris (Vídeo: reprodução/Instagram/@jeanpaulgaultier)
A estreia marcou um novo capítulo na marca francesa e revelou um criador disposto a explorar os limites da couture sem abrir mão de sua identidade. Após definir sua coleção resort 2027 como um trabalho de apelo mais comercial, Lantink deixou de lado qualquer vestígio de casualidade para mergulhar de cabeça no universo fantasioso e experimental que tradicionalmente define a alta-costura.
