“Maestro”: Giorgio Armani revisita seu legado na Milano Fashion Week 2026
Grife italiana apresentou sua primeira coleção, produzida por Silvana Armani e Leo Dell’Orco, que homenageia um dos grandes mestres da moda contemporânea
Na mais recente edição da Semana de Moda de Milão, a Emporio Armani revelou sua coleção de inverno 2026 com um título carregado de simbolismo: “Maestro”. A escolha do nome sintetiza um momento de transição e reverência dentro da tradicional casa italiana, que inicia oficialmente um novo capítulo criativo após a morte de Giorgio Armani, em setembro de 2025.
O desfile marcou a estreia da primeira coleção desenvolvida a quatro mãos por Silvana Armani, responsável pelas criações femininas, e Leo Dell’Orco, que lidera o masculino. A dupla assume a missão de preservar a identidade consolidada ao longo de décadas, ao mesmo tempo em que propõe ajustes sutis na linguagem estética da grife. O resultado é um equilíbrio entre permanência e atualização, apresentado em uma narrativa visual que honra o legado do fundador sem recorrer à nostalgia literal.
A maestria de Armani é celebrada
Desde a morte de seu fundador, em setembro de 2025, a maison italiana vive um momento de transição cujo foco é preservar a herança de Giorgio Armani e explorar o novo. Intitulada Maestro, a nova coleção apresentada na Milano Fashion Week funciona como homenagem e afirmação, não apenas de memória, mas de permanência.
Com uma passarela dramática de iluminação baixa e concentrada, o desfile se inicia com os clássicos conjuntos de alfaiataria, peça que consolidou a grife como sinônimo de elegância moderna. Conjuntos de três peças com calça, blazer e coletes surgem com estrutura mais marcada em mulheres e construção mais fluida nos homens, reforçando a identidade dos criadores por trás da coleção.
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Maestro de Armani é apresentada em Milão (Vídeo: reprodução/Instagram/@emporioarmani)
Terninhos clássicos ganharam releituras estratégicas: calças são substituídas por bermudas e saias midi e minis, sugerindo uma formalidade relaxada. A silhueta aparece entre cortes amplos e formas mais ajustadas ao corpo, criando equilíbrio entre o movimento e a precisão.
Os casacos longos e pesados adicionam densidade à coleção, especialmente em versões de shearling e tecidos encorpados. O tweed aparece como reafirmação do clássico, enquanto texturas felpudas e sobreposições sutis acrescentam profundidade e dramaticidade visual.
A paleta é majoritariamente dominada por tons de branco, preto, cinza, marrom e nuances terrosas. Estampas sutis e cores desgastadas também surgem em algumas peças e reforçam a forte referência dos anos 80/90 na construção da coleção.
O passado como inspiração
Em uma temporada marcada por estreias impactantes e reposicionamentos estratégicos, a Giorgio Armani reforça um movimento que atravessa a Semana de Moda de Milão: olhar para o próprio legado como ferramenta de construção de futuro. A coleção Maestro dialoga com essa tendência ao revisitar códigos históricos da casa, reafirmando que herança, quando bem trabalhada, é sinônimo de sucesso.
O movimento vai ao encontro do que também se observa em outras maisons, como a Gucci, que buscou em seus ex-diretores criativos referências para estruturas novas narrativas. No caso de Armani, essa inspiração se mostra como uma continuidade natural da linguagem consolidada há décadas.

A alfaiataria clássica da maison italiana brilha em Milão (Foto: reprodução/Instagram/@emporioarmani)
O retorno das estéticas dos anos 80/90, principalmente nos recortes e acessórios, reforça esse momento nostálgico que domina a temporada Fall/Winter 2026. Ao revisitar suas memórias, a maison italiana demonstra que a tradição pode ser estratégica e que o passado, quando bem interpretado, se torna uma ferramenta de permanência.
