Lucas Pinheiro Braathen: moda, identidade e o estilo que vestiu o ouro olímpico

Entre passarelas e pistas de esqui, atleta transforma performance olímpica em manifesto de estilo, autenticidade e representatividade

18 fev, 2026
Atletas Lucas Pinheiro Braathen | Reprodução/  Instagram/@pinheiiiroo
Atletas Lucas Pinheiro Braathen | Reprodução/ Instagram/@pinheiiiroo

Lucas Pinheiro Braathen, de 25 anos, fez história em Milano-Cortina 2026 ao vencer o slalom gigante e assegurar o primeiro ouro olímpico de inverno da história do Brasil e da América do Sul, no último sábado (14), num desempenho que uniu excelência esportiva, estilo e uma abordagem cultural única para o esqui alpino. Mas também se consolidou como um dos fenômenos culturais mais comentados da temporada. Sua trajetória mistura técnica de alto desempenho, identidade estética forte e uma relação singular com o universo da moda e da cultura visual contemporânea.

Da identidade à estética: o esquiador que chamou o olhar da moda

Nascido em Oslo, Noruega, filho da brasileira Alessandra Pinheiro e do norueguês Lucas Braathen, ele começou sua carreira no circuito europeu tradicional de esqui alpino, representando a Noruega. Contudo, após conflitos com a federação norueguesa, em parte relacionados à sua autonomia de imagem e patrocínios pessoais, anunciou uma aposentadoria precoce em outubro de 2023. Retornou em março de 2024 como competidor pelo Brasil.


Ver essa foto no Instagram

 

Atleta posando para revista (Foto: reprodução/Instagram/@pinheiiiroo)


Essa mudança não simbolizou apenas uma troca de bandeira, mas a escolha por uma narrativa própria, que articulou esporte, cultura e estilo de forma quase inédita no universo das competições de inverno. Desde cedo, Braathen se destacou fora das pistas. Antes mesmo de alcançar o ápice esportivo, sua presença em semanas de moda em Paris, Milão ou Copenhague já chamava a atenção: cabelos descoloridos, unhas pintadas, escolhas ousadas de styling e uma postura que lembrava tanto um atleta quanto um modelo.

Lucas revelou, em entrevista, sua relação profunda com a moda e como, durante muito tempo, nunca se sentiu verdadeiramente em casa. Foi justamente nesse deslocamento que encontrou identidade. “Isso foi algo com que sofri muito ao longo da minha formação, mas hoje percebo que sou muito grato por isso, porque entendo que é o superpoder que posso trazer. A moda me permite abordar isso, expressar essa diferença. E mostrar quem eu sou, no fim das contas.”

O ápice dessa construção visual aconteceu com sua nomeação como embaixador global da linha Moncler Grenoble, divisão da grife italiana especializada em roupas técnicas de neve e alto desempenho. A parceria evoluiu para além de contratos tradicionais: Braathen ajudou a estreitar os laços entre a marca e o Time Brasil nos Jogos de Inverno, colaborando inclusive para a criação de uniformes oficiais apresentados na cerimônia de abertura, em parceria com o estilista brasileiro Oskar Metsavaht.

Enquanto muitos atletas tratam a moda como aspecto secundário, Braathen a transformou em parte de sua missão estética e estratégica. Sua relação com o vestuário, explicou em entrevistas anteriores, é sobre expressão pessoal: “Moda sempre fez parte de mim. Quando entro na pista, estou competindo; quando saio dela, continuo dizendo algo com minha forma de vestir e me mover.”

A moda como forma de expressão

O ápice dessa construção visual aconteceu com sua nomeação como embaixador global da linha Moncler Greno+ble, divisão da grife italiana especializada em roupas técnicas de neve e alto desempenho. A parceria evoluiu para além de contratos tradicionais: Braathen ajudou a estreitar os laços entre a marca e o Time Brasil nos Jogos de Inverno, colaborando inclusive para a criação de uniformes oficiais apresentados na cerimônia de abertura, em parceria com o estilista brasileiro Oskar Metsavaht.

Enquanto muitos atletas tratam a moda como aspecto secundário, Braathen a transformou em parte de sua missão estética e estratégica. Sua relação com o vestuário, explicou em entrevistas anteriores, é sobre expressão pessoal: “Moda sempre fez parte de mim. Quando entro na pista, estou competindo; quando saio dela, continuo dizendo algo com minha forma de vestir e me mover.”

Braathen também se aventurou fora do esporte institucional, lançando iniciativas próprias, incluindo uma linha de cuidados com a pele que dialoga com seu estilo e personalidade, e explorando outros nichos criativos. Essas incursões reforçam seu posicionamento como figura cultural multifacetada.

A celebração de seu ouro nas pistas foi também uma celebração dessa identidade visual. Após garantir a medalha, Braathen comemorou sambando, como gesto simbólico de sua brasilidade e do encontro entre tradição esportiva e cultura popular, evidenciando que seu estilo vai além da moda: é expressão de alegria, autenticidade e pertencimento.

Hoje, Lucas Pinheiro Braathen representa um novo tipo de ícone: alguém cuja trajetória esportiva e fashion convergem para redefinir o papel de um atleta moderno. Ele prova que, no século XXI, ganhar uma medalha pode significar também ganhar espaço na cultura visual global, com estilo e performance podendo coexistir de forma magnética no mesmo corpo.

Mais notícias