Marc Jacobs apresenta coleção inspirada em memória, perda e legado criativo

Estilista apresenta coleção dedicada a um falecido amigo e marcada por reflexões e vivências, revisitando referências que moldaram sua trajetória

10 fev, 2026
Alex Consani para desfile de Marc Jacobs | Reprodução/Instagram/@marcjacobs
Alex Consani para desfile de Marc Jacobs | Reprodução/Instagram/@marcjacobs

Na última segunda-feira (09), aconteceu o desfile de inverno de Marc Jacobs, antes mesmo do início da New York Fashion Week, que começa nesta quarta-feira. O evento foi apresentado no Park Avenue Armory, conhecido por abrigar diversos eventos de artes visuais e performances de artistas. 

O desfile foi assinado pelo próprio Marc Jacobs, que agora apresenta sua nova coleção Primavera/Verão 2026. Um dos estilistas mais influentes do mundo, Jacobs é conhecido por trazer a estética das ruas para as passarelas, misturando elementos do grunge com a cultura pop.

Conexão entre Moda e Sentimentos

A coleção atual foi intitulada “Memory. Loss.” (“Memória. Perda.”, em tradução livre) tendo como objetivo principal explorar como as memórias têm o poder de nos moldar, sejam elas boas ou ruins. O desfile foi dedicado a um amigo de Marc Jacobs, chamado Louis, que o estilista descreveu como uma grande peça da família da moda. Essa homenagem transparece claramente no clima criado para o evento e na descrição das peças.

A atmosfera reforçou essa narrativa sensível, com uma cenografia que convida o público a uma reflexão. A música “Jóga”, de Björk, intensificou a introspecção e reforçou o tema da coleção. Modelos como Alex Consani, Lulu Tenney e Yura Poslaster figuraram no desfile, caminhando pela passarela em looks que mesclam referências ao passado e identidade atual da maison.


 

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Coleção de Marc Jacobs (Foto: reprodução/Instagram/@bazaarbr)


A intenção da coleção não é glorificar o luto e a nostalgia, e sim refletir sobre a aceitação e inevitabilidade da perda e o papel que a memória tem em nossas escolhas de vida. “Memórias, tanto agridoces quanto belas, influenciam ações presentes e futuras. Quem somos, o que criamos, o que deixamos para trás e o que carregamos adiante”, disse Jacobs em suas notas de desfile.

Visita ao Próprio Legado

Há cerca de cinco anos, Jacobs não produzia roupas que pudessem ser usadas na vida real. Livrando-se das peças totalmente conceituais e deixando o fantástico de lado, a nova era inclui uma proposta que deve ser mais presente nos guarda-roupas dos nova-iorquinos.

As linhas retas permanecem e se juntam a saias-lápis de tweed, casacos, suéteres de gola V, minissaias e tube tops de lantejoulas. Como referências explícitas à sua influência, foi listado nas notas do desfile Yves Saint Laurent (1965), Helmut Lang, Prada (1996) e a sua própria coleção grunge de 1993.


 

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Bastidores da criação do novo desfile de Marc Jacobs (Vídeo: reprodução/Instagram/@marcjacobs)


Esse gesto dialoga diretamente com o conceito principal do projeto, em que a moda é construída a partir de uma junção de memórias e influências compartilhadas. Mais do que uma simples revisão estética, a coleção marca um momento de retorno ao vestir o real, sem abandonar o caráter autoral que define o trabalho do estilista. Ao equilibrar peças conceituais com itens pensados para o cotidiano, o desfile propõe uma reflexão sobre o papel da moda como expressão emocional, memória coletiva e ferramenta de continuidade criativa.

 

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