De volta às origens, Maria Grazia Chiuri fala sobre retorno à Fendi como diretora criativa
A estilista relembra as lições das irmãs Fendi, sua participação na criação da bolsa Baguette e a importância do trabalho coletivo na moda
A estilista italiana Maria Grazia Chiuri assumiu a direção criativa da Fendi após seis meses de sua saída da Dior e marcou o retorno à grife romana com sua estreia na alta-costura. Aos 62 anos, a designer volta à marca onde iniciou a carreira aos 24 anos, em 1989, como designer de acessórios, e onde trabalhou por dez anos ao lado das irmãs Fendi.
O início na Fendi
Durante o período em que trabalhou na marca, Maria Grazia participou do desenvolvimento da Baguette, bolsa que se tornou um símbolo da grife. Para a estilista, a experiência foi fundamental para compreender o funcionamento de uma marca de moda. “Elas eram muito rigorosas e pragmáticas, mas ao mesmo tempo inclinadas à mudança e à inovação. De Roma, tiveram a intuição de apostar em um designer ainda pouco conhecido, um jovem criativo alemão que vivia em Paris, com quem pudessem experimentar novas técnicas e modos de trabalhar as peles”, disse em entrevista.
A convivência com as cinco irmãs também influenciou a maneira como a designer entende o trabalho de um diretor criativo. Segundo ela, as decisões eram discutidas considerando diferentes áreas da empresa, como criação, imagem, desfiles, campanhas e lojas. “Trabalhar ao lado delas me trouxe uma visão global de uma marca. Ainda que cada uma tivesse um papel específico, em um setor específico, trabalhávamos todos juntos”, lembra.
À frente da direção criativa
Em sua primeira coleção para a marca, apresentada em fevereiro, ela passou a comandar também a divisão masculina e concentrou-se na construção de uma identidade para a Fendi. A coleção explorou principalmente preto, branco e bege, além de elementos recorrentes em seu trabalho, como rendas, tule e alfaiataria.
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A cantora de K-pop Mina posando com a releitura da bolsa Baguette. (Vídeo: reprodução/Instagram/@fendi)
A estilista também buscou recuperar características da história da marca sem reproduzi-las literalmente. Para ela, a mulher Fendi sempre esteve ligada a uma imagem de independência e liberdade. “A personalidade da mulher Fendi sempre foi muito clara. Karl Lagerfeld, do meu ponto de vista, tinha como referência Marlene Dietrich – uma mulher andrógina e consciente de si. Ao mesmo tempo, as senhoras Fendi o encontraram em um momento histórico específico, no início da revolução sexual, quando se respirava uma ideia de liberdade do corpo”, disse.
Moda e coletividade
No desfile de estreia, a frase “Less I, more us” — menos eu, mais nós — apareceu como síntese de sua visão sobre a criação. Mais do que colocar a figura do diretor criativo no centro, ela defende uma construção conjunta entre os diferentes profissionais da marca.
“Hoje se pensa muito que o diretor criativo pode mudar tudo sozinho, mas as empresas têm uma complexidade enorme. A primeira coisa que aprendi na Fendi foi a necessidade de falar no plural. Eram cinco irmãs, então sempre se falava da marca como um todo, porque havia uma forte ideia de projeto em equipe. Interiorizei isso para a vida”, disse.
