Do cinema à arte: as referências por trás dos looks do Met Gala 2026

Do expressionismo ao cinema clássico, produções exploram diferentes linguagens criativas e mostram a força da moda como narrativa

05 maio, 2026
Heidi Klum, Rachel Zegler e Emma Chamberlain apostam em referências artísticas para o Met Gala 2026 | Reprodução/Instagram/@emmachamberlain/@heidiklum/@rachelzegler
Heidi Klum, Rachel Zegler e Emma Chamberlain apostam em referências artísticas para o Met Gala 2026 | Reprodução/Instagram/@emmachamberlain/@heidiklum/@rachelzegler

O Met Gala 2026 reforçou o que já virou tradição: o red carpet mais importante da moda não é sobre “estar bonito”, mas sobre interpretar um tema. Realizado nessa segunda-feira (4), no Metropolitan Museum of Art, o Met Gala 2026 abordou o tema Costume Art” (Arte do Figurino) e o dress code da noite foi Fashion Is Art (Moda é Arte), incentivando celebridades e estilistas a buscarem referências em pinturas, esculturas e até no cinema clássico.

Alguns optaram por releituras mais diretas, trazendo elementos reconhecíveis de obras específicas. Outros seguiram por um caminho mais interpretativo, usando textura, estrutura e materiais para criar um efeito artístico. É justamente essa liberdade criativa que transforma o evento em um espaço onde moda e arte se encontram de forma tão intensa.

Das obras de arte ao cinema: os looks que se destacaram

Entre os destaques da noite, Emma Chamberlain chamou atenção ao apostar em um look que mistura referências de dois nomes importantes da história da arte: Edvard Munch e Vincent van Gogh. O vestido, criado pela Mugler, foi pintado à mão pela artista Anna Deller-Yee e traz uma estética que remete às pinceladas expressivas e às cores intensas características desses movimentos artísticos. O resultado é um visual que parece sair diretamente de uma tela, mas adaptado ao corpo e ao movimento.


Emma Chamberlain usa look inspirado em obra do expressionismo (Foto: Reprodução/Getty Images Embed/Mike Coppola)


Sabrina Carpenter seguiu por um caminho cinematográfico, homenageando o filme “Sabrina”, de 1954, que inspirou seu próprio nome. O vestido da Dior, pensado por Jonathan Anderson, é composto por rolos de filmes fotográficos da obra. Além disso, a produção ganha um toque dramático com uma espécie de capa conectada às mãos da cantora, criando movimento, e uma coroa com diamantes que reforça o aspecto mais clássico e sofisticado da referência.


Sabrina Carpenter homenageia o filme “Sabrina” em look da Dior (Foto: Reprodução/Getty Images Embed/Mike Coppola)


A modelo alemã Heidi Klum, que já é conhecida por apostar em produções super ousadas no Met Gala, foi por um caminho bem artístico desta vez. O look escolhido faz referência à escultura Veiled Vestal, do artista Raffaelle Monti, criada em 1847. A obra é inspirada nas Vestais, sacerdotisas virgens da Roma Antiga que dedicavam suas vidas à deusa Vesta. Elas acabaram virando um tema recorrente na arte depois de descobertas arqueológicas em Pompeia.

No visual, Heidi conseguiu traduzir o detalhe mais impressionante da escultura: o efeito do véu esculpido em mármore, que parece ao mesmo tempo sólido e transparente. E é aí que entra a mágica do look. A peça foi feita com materiais que imitam a textura da pedra, criando uma ilusão de ótica bem surreal; parece mármore de verdade, mas acompanha o movimento do corpo.


Heidi Klum aposta em figurino inspirado em escultura com efeito de ilusão de ótica (Foto:Reprodução/Getty Images Embed/Mike Coppola)


Por fim, Rachel Zegler trouxe uma referência histórica e artística ao se inspirar na pintura de Paul Delaroche, que retrata a Lady Jane Grey vendada minutos antes de sua execução. Jane foi uma jovem rainha inglesa do século XVI que teve um fim trágico. No red carpet, a atriz incorporou esse elemento com o uso de uma venda semelhante, combinada a um vestido de Prabal Gurung, criando uma leitura delicada, mas carregada de significado.


Rachel Zegler faz referência a pintura histórica em produção para o Met Gala (Foto: Reprodução/Getty Images Embed/Matt Winkelmeyer/MG26)


Vestir é contar uma história

O que conecta todos esses looks é a ideia de que, no Met Gala, a moda funciona como narrativa. Cada escolha é pensada para comunicar algo, seja uma homenagem, uma releitura ou até uma crítica. Ao trazer a releitura do tema, os convidados mostram que o figurino se torna uma forma de expressão, capaz de transformar o red carpet em um espaço de interpretação e de exposição.

E é justamente isso que mantém o Met Gala relevante: a capacidade de transformar roupas em histórias que continuam sendo revisitadas mesmo depois que o evento termina.

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