Mulheres retomam espaço na direção criativa e renovam a semana de Milão

Mulheres voltam à frente na direção criativa em Milão e marcam nova fase em diversas grifes após onda de substituições na moda de luxo

03 mar, 2026
Maria Grazia Chiuri diretora de criação da Fendi | Reprodução/Instagram/@mariagraziachiuri
Maria Grazia Chiuri diretora de criação da Fendi | Reprodução/Instagram/@mariagraziachiuri

Em meio às constantes mudanças, que nos últimos anos concentraram grandes cargos criativos nas mãos de homens, a Semana de Moda de Milão apresentou um movimento diferente. Após uma sequência de substituições femininas por diretores homens, uma nova geração de estilistas mulheres começa a ocupar novamente postos de liderança em casas tradicionais, sinalizando uma possível mudança de rota na indústria.

Depois da estreia de Louise Trotter na Bottega Veneta na temporada passada, outras duas mulheres passaram a integrar esse cenário, trazendo perspectivas distintas e reforçando a importância de diversidade no comando criativo.

Retorno estratégico e herança revisitada

O início da semana foi marcado pelo retorno de Maria Grazia Chiuri à Fendi. Após quase dez anos à frente da Dior, período em que ampliou significativamente a receita da marca, Chiuri volta à casa onde iniciou sua trajetória, em 1989. Foi ali que, ainda no departamento de acessórios, participou do desenvolvimento da icônica Fendi Baguette, bolsa que atravessou gerações e segue como um dos pilares comerciais da grife.


Desfile Fendi (Foto: reprodução/Daniele Venturelli/Getty Images Embed)


Na nova coleção, a estilista apresentou uma alfaiataria precisa, quase moldada ao corpo, equilibrada por vestidos rendados e delicados que trazem leveza e sensualidade. A combinação entre rigor e frescor indica uma Fendi disposta a fortalecer desejo e expectativa nas lojas ao redor do mundo.

Nova fase para a Marni

Na sequência, foi a vez de Meryll Rogge estrear na Marni, tornando-se a primeira diretora criativa da marca desde a fundadora Consuelo Castiglioni. A estilista belga, que já passou por Marc Jacobs e Dries Van Noten, além de comandar sua própria etiqueta, assumiu a casa italiana com a missão de reinterpretar seu DNA.


 

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Desfile Marni (Foto: reprodução/Instagram/@marni)


Resgatando a essência intelectual e artística que marcou a trajetória da Marni, Rogge apresentou silhuetas soltas inspiradas nos anos 1990, estampas com referência aos anos 1960 e um colorblocking vibrante que dominou a passarela. No anúncio oficial de sua chegada, Renzo Rosso, presidente do grupo OTB, destacou a sensibilidade da designer ao atualizar a marca de forma global. Com a coleção de estreia, a promessa parece ter se concretizado.

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