Ataque hacker envolvendo Binance pode ser o maior já registrado no mercado de criptomoedas

Empresa congela US$ 3 bilhões em parceria com Tether e Circle; investigadores apontam possível autoria de grupo hackerista vinculado à Coreia do Norte

30 out, 2026
Ataque hacker à Binance envolve US$ 6,3 bilhões e acende alerta no mercado de criptomoedas I Reprodução/Instagram
Ataque hacker à Binance envolve US$ 6,3 bilhões e acende alerta no mercado de criptomoedas I Reprodução/Instagram

Em 29 de outubro de 2026, a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque que movimentou aproximadamente US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. A plataforma conseguiu imobilizar US$ 3 bilhões com auxílio de parceiros, porém uma parcela expressiva permanece nas mãos dos invasores. Trata-se do episódio mais grave na história das criptomoedas, superando o desvio de US$ 1,5 bilhão da Bybit em 2025.

Os depósitos funcionaram normalmente durante todo o incidente. A Binance afirmou não haver sinais de compromisso das chaves privadas das carteiras e que utilizará o fundo SAFU e recursos próprios para cobrir os prejuízos. Tether e Circle congelaram em conjunto aproximadamente US$ 2,4 bilhões em fundos desviados.

O mecanismo do ataque

Os primeiros passos da investigação indicam que o invasor começou comprometendo o computador de um engenheiro de DevOps da companhia. Por esse caminho, conseguiu penetrar em um contêiner de serviço e disparar saques não autorizados.

Richard Teng, co-CEO da Binance, detalhou a complexidade da operação em nota divulgada pela empresa:

“Para deixar claro: o invasor não utilizou simplesmente as permissões de um único engenheiro, e isso não foi uma ação isolada, realizada com um único clique. O ataque envolveu um processo mais complexo. Nossa investigação não atribuiu responsabilidade a nenhum indivíduo. Até o momento, não encontramos evidências de vazamento de chaves privadas de carteiras”.

A companhia suspendeu temporariamente saques durante ajustes de segurança, revogou autorizações dos endereços comprometidos e acionou agências de segurança e especialistas em análise de blockchain. A Binance prometeu publicar uma versão atualizada de sua Prova de Reservas após conclusão das correções.

Possível conexão com Coreia do Norte

TRM Labs identificou padrões técnicos similares aos de outros ataques atribuídos a Pyongyang. Chainalysis declarou ter “alto grau de confiança” de que o grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte, participou do incidente, embora a autoria ainda careça de confirmação oficial.

Grupos hackeristas norte-coreanos, entre eles Lazarus e TraderTraitor, são frequentemente ligados a operações financeiras que financiariam o regime sob sanções internacionais, segundo especialistas do setor. O governo norte-coreano rejeita essas acusações.


Ataque hacker envolvendo Binance pode ser o maior já registrado no mercado de criptomoedas (Foto: reprodução/Bloomberg/ Getty Images Embed)


Ao ser questionada pela BBC sobre possível envolvimento da Coreia do Norte, a Binance não respondeu de forma direta. Limitou-se a informar que está:

“Trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros das forças de segurança para confirmar a identidade desses criminosos e levá-los à Justiça”.

Precedente e impacto no mercado

O incidente da Bybit, ocorrido em 2025, resultou em desvio de US$ 1,5 bilhão. Hackers ligados ao Grupo Lazarus foram apontados como responsáveis. Em poucas semanas, pelo menos US$ 300 milhões já haviam sido convertidos em ativos considerados irrecuperáveis.

Dezoito meses após o episódio, o cofundador Ben Zhou informou que a Bybit havia resgatado cerca de US$ 48,4 milhões. A plataforma mantém outros US$ 30,5 milhões congelados e abriu processo civil contra Pyongyang e o Grupo Lazarus.

O Bitcoin recuou mais de 4% logo após os alertas sobre o ataque à Binance. Os efeitos duradouros deste episódio sobre a confiança dos investidores no mercado de criptomoedas ainda não são claros.

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