Nubank compra Banco Porto Real para cumprir resolução sobre uso de ‘bank’
Operação permite que fintech obtenha licença bancária e use legalmente termos bancários na comunicação. Aprovação do BC ainda é necessária
O Nubank anunciou nesta terça-feira, 21 de julho, acordo para adquirir o Banco Porto Real, instituição fundada em 1992 no Rio de Janeiro. A compra permite à fintech obter licença bancária e usar legalmente os termos “banco” ou “bank” em sua comunicação oficial, conforme exige a Resolução Conjunta nº 17, editada pelo Banco Central e Conselho Monetário Nacional. A operação ainda depende de aprovação do Banco Central.
O requisito regulatório
Atualmente, o Nubank opera com licenças de Instituição de Pagamento, Financeira e Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. A Resolução Conjunta nº 17 disciplina a nomenclatura das instituições financeiras e proíbe o uso de termos bancários sem autorização específica. O Nubank havia comunicado em dezembro de 2025 sua intenção de obter a licença bancária, respondendo a esse requisito regulatório. O prazo para que as instituições se adequem à resolução, publicada em novembro de 2025, encerra em novembro de 2026.
Sem a aquisição do Porto Real, a fintech não poderia utilizar a palavra “bank” em sua marca ou comunicação, ainda que seja a instituição financeira privada com maior número de clientes no Brasil. A compra é, portanto, estratégica para cumprir o marco regulatório dentro do prazo estabelecido.
Nubank (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Cheng Xim)
Impacto para os clientes
A inclusão da licença bancária não altera em nada a experiência dos aproximadamente 115 milhões de clientes do Nubank. Os aplicativos, produtos, marca e nome da instituição permanecem os mesmos. Segundo nota da empresa, a inclusão desta nova licença ao conglomerado prudencial da Nu Pagamentos não impõe exigências adicionais de capital ou liquidez.
A aquisição complementa as licenças de atuação do Nubank no país e reforça sua estrutura regulatória, mas não muda a estratégia de negócios nem os serviços prestados.
David Vélez, fundador e CEO global do Nubank, declarou que o Brasil segue sendo o principal foco da instituição. Segundo nota divulgada pela empresa:
“impulsionando a transformação do setor” Vélez afirmou ainda que a instituição acredita que pode expandir significativamente sua participação no mercado brasileiro.
Livia Chanes, CEO do Nubank no Brasil e anunciada também como CEO da operação na América Latina, reforçou que o DNA de inovação do banco segue intacto. Conforme comunicado da instituição, Chanes afirmou que a empresa continua comprometida em aprofundar a relação com cada cliente.
O Nubank se filiou à Febraban em março de 2026, pouco depois de se consolidar como maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes. A aquisição do Porto Real representa um passo adicional na consolidação regulatória da fintech no mercado brasileiro.
